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sexta-feira, 17 setembro 2021

Epidemia de solidão: 61% dos homens admitem não ter amigos

Homens também têm menos probabilidade do que as mulheres de receber apoio emocional de seus amigos

Por Marlon Max

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos apontou que 1 em cada 5 homens americanos admitem não ter nenhum amigo próximo. Com a pandemia da covid-19, esse cenário se agravou. Muitos passaram a trabalhar a partir de casa, foi preciso parar de sair nos fins de semanas e até os cultos foram adaptados para substituir o modelo presencial. O estudo foi realizado pelo Survey Center on American Live.

Apesar da pesquisa ter seu foco em homens dos EUA, o fenômeno é similar ao que acontece em outros países. Comunhão publicou uma série de matérias com a pesquisa realizada pela Ipsos onde aponta que os brasileiros são os mais solitários entre 28 países pesquisados, incluindo os Estados Unidos.

Brasileiros sozinhos

De acordo com a Ipsos, a sensação de solidão aumentou no primeiro semestre de 2021, segundo 52% dos brasileiros. Para 43% das pessoas que responderam a pesquisa no Brasil, o último semestre gerou impacto negativo em sua saúde mental.

Especialistas em saúde mental, Dr. Moreira explica que esse sentimento de solidão não é próprio do isolamento da pandemia, mas é algo estrutural com origem na infância.

“Se na infância não houve uma separação adequada dos pais com o filho, essas crianças crescem inseguras, sem se sentir pertencentes a nenhum ambiente e com dúvidas se são amadas. Por isso a infância é tão importante para a formação da identidade, porque uma pessoa que cresceu em um lar saudável não terá problemas com a solidão em algum momento da vida adulta”, esclarece o médico.

Crescente solidão

sozinho
Foto: reprodução/ Unsplash

O número de homens americanos sem um amigo próximo saltou cinco vezes desde 1995, de 3% para 15%, de acordo com os resultados, enquanto aqueles que afirmam ter pelo menos seis amigos próximos caíram pela metade, de 55% para 27%.

Ao olhar para homens e mulheres, apenas 59% dos americanos podem identificar uma pessoa como seu “melhor amigo”, contra 77% em 1990, descobriu a pesquisa realizada pelo Survey Center on American Live. Os homens também têm menos probabilidade do que as mulheres de receber apoio emocional de seus amigos, mas recebem mais apoio emocional quando têm amigas.

Causa e perigos da solidão

Embora a solidão em si possa não parecer prejudicial, um estudo da American Psychological Association afirmou que a taxa de jovens adultos com pensamentos suicidas ou outros resultados relacionados ao suicídio aumentou 47% entre 2008 e 2017.

Essas estatísticas surpreendentes da chamada “recessão da amizade” encontradas na pesquisa estão sendo atribuídas a uma série de mudanças nas tendências culturais nas últimas duas décadas, incluindo um declínio no envolvimento religioso, taxas de casamento mais baixas e mudanças no local de trabalho, que estão criando uma onda de desconexão.

Como um todo, a pesquisa concluiu que os americanos estão optando por se casar mais tarde na vida, têm maior mobilidade geográfica e estão menos envolvidos religiosamente do que as gerações anteriores – tudo isso provou estar conectado a taxas mais altas de solidão.

Outra causa amplamente aceita de solidão entre os jovens americanos é a desconexão criada pelas mídias sociais e pela tecnologia. Muitos estudos abordaram como esses fatores afetam negativamente a comunicação e a satisfação dos usuários com a vida.

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