Martinho Lutero certa vez disse: “Tenho tanto a fazer que passarei três horas em oração.” A oração é frequentemente um tema delicado entre os cristãos. Para quem segue Jesus, sabemos que deveríamos orar muito mais, mas essa prática raramente está entre as prioridades do dia a dia. Quando nossa agenda está cheia de compromissos e atividades, a oração costuma ficar em segundo plano. Contudo, se a oração é realmente comunhão com o nosso Criador, nossos corações definham sem ela. Apesar de reconhecermos isso intelectualmente, na prática, poucos parecem acreditar verdadeiramente nessa necessidade.
Grande parte do mundo moderno gira em torno do controle. No livro A Secular Age, o filósofo canadense Charles Taylor destaca que a maioria de nós tem dificuldade em enxergar um mundo que não seja moldado pela engenhosidade humana. Seja em nossas casas ou nas ruas, a maior parte do que vemos são artefatos humanos — veículos, linhas de energia, prédios, entre outros. Para muitos, o céu noturno está poluído por luzes, sem falar em aviões, satélites e drones que competem com as estrelas. Taylor não é contrário à tecnologia, mas alerta que ela não é neutra. Quando nosso campo de visão está dominado por cenários criados por nós, tendemos a nos enganar, achando que estamos no controle absoluto.
Por que evitamos a oração?
Esse pressuposto de controle humano faz com que muitos vejam a oração como último recurso. Recorrermos a Deus só quando esgotamos todas as outras opções. Quando médicos, advogados, políticos e especialistas falham, então olhamos para o Deus que supostamente adoramos como Senhor de tudo. É um pensamento que deve nos fazer refletir profundamente.
Blaise Pascal alertou que dois grandes obstáculos à vida espiritual são a indiferença e a distração. Ele falava do mundo dos jogos de azar de sua época, mas no século XXI esse problema só aumentou. Com smartphones e dispositivos que personalizam o entretenimento, é difícil mensurar o quanto estamos distraídos. Por isso, muitas vezes, deixamos de cumprir nossos momentos devocionais pelo mesmo motivo que ignoramos quem está ao nosso lado — seja família ou amigos. Para criar o hábito da oração, é necessário reduzir as distrações em nossas vidas.
Os tempos de abundância representam um grande desafio espiritual. Quando tudo vai bem, tendemos a achar que não precisamos de ajuda. O orgulho é uma tentação constante nesses períodos, e para quem segue Cristo, a ausência de oração é um claro sinal dessa armadilha. Embora devamos agradecer a Deus pelas bênçãos e prosperidade, é preciso cuidado para não nos enganarmos, achando que somos os donos do nosso destino. Não há problema algum em ter riquezas, mas as Escrituras deixam claro que elas são passageiras e frágeis. Um exemplo atual e impactante são as inúmeras casas belas destruídas pelos incêndios em Los Angeles.
No entanto, mesmo em tempos difíceis, a tentação de abandonar a oração persiste. Por quê? Se nossa mentalidade moderna é pautada pelo desejo de controle, naturalmente buscamos primeiro todas as soluções humanas — especialistas, estratégias e métodos — para resolver nossos problemas. Não há nada errado em buscar ajuda, desde que ela não substitua nosso Senhor. Infelizmente, muitas vezes a oração é vista apenas como recurso final, usado quando todas as outras alternativas falham. Em momentos de escassez, um cristão maduro reconhece sua total dependência de Deus e permite que isso guie suas prioridades.
Por fim, em tempos de sofrimento profundo, é comum surgirem sentimentos de desconfiança em Deus, amargura e até descrença. É importante lembrar que:
1. Vivemos em um mundo caído, onde sofrimento e morte são inevitáveis.
2. Cristo está conosco no sofrimento, pois Ele próprio suportou a agonia da cruz.
3. O sofrimento e a morte não têm a última palavra, graças à vitória do Senhor na cruz.
Nessas horas, orar pode parecer impossível. A melhor estratégia é orar com a Escritura, começando pelos Salmos, que expressam emoções humanas reais. Embora o sofrimento possa ameaçar nossa relação com Cristo, pela graça, ele também pode nos aproximar dEle.
Quatro orações que transformarão sua vida
Para concluir, deixamos quatro orações poderosas que podem transformar sua vida. A oração é uma prática que transforma, e se você tem encontrado dificuldades, convidamos a orar cada uma delas diariamente, durante um mês. Encare como um experimento espiritual. Para aprofundar a experiência, memorize pelo menos uma dessas passagens e repita-a ao longo do dia. Acreditamos que os resultados falarão por si.
“[Peço] que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, conceda a vocês um espírito de sabedoria e de revelação para que o conheçam melhor. Oro para que os olhos do coração sejam iluminados, para que vocês saibam qual é a esperança para a qual Ele os chamou, quais são as riquezas da glória de sua herança nos santos, e quão imensa é a grandeza do seu poder para conosco, os que cremos.”
“[Que o Pai] lhes conceda, segundo as riquezas da sua glória, que sejam fortalecidos com poder pelo seu Espírito no íntimo de seu ser, para que Cristo habite em seus corações pela fé; e que, arraigados e alicerçados no amor, possam compreender com todos os santos a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus.”
“E é isto que oro: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda percepção, para que possam discernir o que é melhor e sejam puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.”
“[Peço] que sejam cheios do conhecimento da vontade de Deus, com toda sabedoria e entendimento espiritual, para que vivam de maneira digna do Senhor, agradando-O em tudo, dando frutos em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus; fortalecidos com todo poder, conforme a força da sua glória, para que tenham toda perseverança e paciência, com alegria, dando graças ao Pai, que os qualificou para participarem da herança dos santos na luz.”
Kenneth Boa é escritor, professor, palestrante e mentor, presidente do Reflections Ministries, do Museu da Beleza Criada e da Trinity House Publishers. Entre suas obras estão Conformed to His Image, Handbook to Prayer, Faith Has Its Reasons e outras. Dr. Boa possui formação em diversas instituições, incluindo Case Institute of Technology, Dallas Theological Seminary, New York University e University of Oxford.
Que estas reflexões e orações possam renovar sua vida espiritual e aproximá-lo ainda mais do Senhor. A oração não é apenas um recurso, mas a essência da comunhão verdadeira com Deus, fonte de sabedoria, força e esperança em todas as circunstâncias. (Com informações de Redação – Crosswalk)


