Governantes defendem que única maneira de parar terror é barrar entrada de islâmicos 

O líder do partido governante, Jaroslaw Kaczynski, afirmou considerar a entrada de um elevado número de pessoas com uma “cultura tão distinta” pode levar sua nação a uma “catástrofe social”.

Após recusa em abrir fronteiras, Polônia, Hungria e Áustria são ameaçados de sanções pela União Europeia.

Os únicos países da União Europeia que se recusaram a receber refugiados islâmicos em seu território são Polônia, Hungria e Áustria. Recentemente, Dimitris Avramopoulos, Comissário da União Europeia para Migração e Cidadania, ameaçou os três países, dizendo que se eles não abrirem suas fronteiras este mês, poderão sofrer sanções econômicas.

O primeiro-ministro Húngaro Viktor Orban afirmou que a imigração é um “cavalo de Tróia do terrorismo”, mas sua nação ainda estuda como vai lidar com a pressão da EU.

Já a Polônia diz que não irá ceder em hipótese alguma. O país é um dos únicos da Europa que não sofreu nenhum atentado islâmico em toda sua história.

O líder do partido governante, Jaroslaw Kaczynski, afirmou considerar a entrada de um elevado número de pessoas com uma “cultura tão distinta” pode levar sua nação a uma “catástrofe social”.

“Teríamos que mudar totalmente a nossa cultura, veríamos reduzido o nível de segurança no nosso país e tudo isso poderia levar a uma espécie de catástrofe social”, assegurou o presidente do Partido Lei e Justiça (PiS), de viés conservador.

Para Kaczynski, a admissão de refugiados islâmicos traria à Polônia problemas de ordem pública. Disse saber que seu governo está sendo chamado de “nazista”, a entrada indiscriminada provocaria “um círculo vicioso em que simplesmente não podemos entrar”.

Ele citou como exemplo “as agressões protagonizadas por imigrantes, inclusivamente contra as mulheres”. Por conta de suas declarações, países como Luxemburgo defendem que os poloneses saiam da União Europeia, uma ideia que cresce no país.

Elzbieta Witek, chefe de gabinete da primeira-ministra, apoiou o presidente do partido, dizendo: “Sou cristã e tento ser uma boa pessoa, e o Governo polonês atua da mesma maneira, mas um bom cristão é alguém que ajuda, mas não necessariamente aceitando refugiados”.

A Polônia tem uma história marcada pela invasão dos nazistas nos anos 1940 e posteriormente pelos comunistas russos (entre 1952 e 1990). A imposição desses ideais e o rastro de sangue atrelados a eles parecem ter deixado uma profunda cicatriz no povo polonês, que não está disposto a passar por isso de novo.

Ao saber das ameaças de sanções, a primeira-ministra polonesa, Beata Szydlo, fez um discurso com uma mensagem dura à União Europeia: “Não cederemos à chantagem das elites de Bruxelas.”