Morre Pr. Oliveira de Araújo

Oliveira deixa a esposa Alzira Maria Bittencourt de Araújo, e três filhos (Raquel, Rebeca e Gunther) e três netos - Pedro, Ester e Lucas

Morreu no início da tarde deste sábado (03), o pastor emérito da Primeira Igreja Batista de Vitória, Oliveira de Araújo.

Após nove anos lutando pela vida, uma das maiores lideranças religiosas do Estado faleceu. Ele apresentou piora nesta quinta-feira (1°) e segundo o presidente da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo (CBEES) e também titular da PIB de Vitória, Pr. Doronézio Pedro de Andrade, entrou em estado grave.

O velório será no santuário da PIB de Vitória, Centro da Capital, a partir das 19h30 deste sábado com previsão e término para meia-noite. Amanhá (4), será reiniciado às 7h30. O culto de gratidão pela vida do pastor vai ser a partir das 10 horas no mesmo local. O sepultamento ocorrerá às 14h30 no cemitério Jardim da Paz, na Serra (ES).

Membro do Conselho Estadual de Ética, pastor Oliveira exerceu importante papel no processo de reconstrução das instituições públicas do Estado no início dos anos 2000 e se dedicou intensamente à defesa de formação de novas lideranças.

O governador Paulo Hartung decretou luto oficial de três dias no Governo do Estado. “Era um exemplo. Tinha o dom da palavra, da mobilização, e espalhava fé para todos, independentemente da religião. Foi importante na união de forças pelo combate ao crime organizado no Estado. Era uma pessoa que inspirava bons exemplos pelo seu caráter e pelos valores que cultivava. Vai fazer muita falta. Transmito aos familiares e amigos as mais sinceras condolências “, disse.

Complicações

Em 2008, ele fez um transplante de pulmão, cinco anos após ele ter descoberto uma doença chamada fibrose pulmonar idiopática. A doença consumiu a capacidade dos pulmões de realizar a troca gasosa entre o ambiente e o sangue. Antes da cirurgia, um dos pulmões já estava completamente necrosado, e o outro funcionava apenas com 10% da capacidade. Como os remédios não conseguiam estagnar a doença, os médicos decidiram que o transplante era a única solução.

Quando o doador foi encontrado, os médicos percorreram toda a lista de espera. Todos os possíveis receptores foram descartados, pois não se encaixavam no perfil do órgão a ser recebido. O pastor, 12º lugar na lista, foi o único que atendeu a todos os requisitos clínicos para a operação.
Em fevereiro de 2014, detectou uma rejeição do transplante em exame realizado no Instituto do Coração, em São Paulo. Isso exigiu um intensivo tratamento, que foi realizado em Vitória, sob a coordenação do Dr. Carlos Celso Nemer.

Desde então, vinha fazendo tratamento médico contra a rejeição. Em abril de 2016, após 24 anos à frente da PIB de Vitória e 41 anos de ministério, decidiu deixar o cargo para cuidar da saúde.

No dia 30 de novembro do ano passado, ele passou por procedimento cirúrgico para retirada de um tumor de face. Após quase três meses internado na UTI, o pastor Oliveira deixou a unidade de tratamento intensivo.

Oliveira deixa a esposa Alzira Maria Bittencourt de Araújo, ministra de Música da PIB de Vitória (licenciada); três filhos (Raquel, Rebeca e Gunther) e três netos – Pedro, Esther e Lucas.

Histórico

Foi tão intensa e frutífera a carreira ministerial do Pastor Oliveira de Araújo, que é impossível mensurar todo o trabalho realizado por ele enquanto exerceu diversas funções no meio cristão. Suas ações à frente de organizações da denominação Batista e seu envolvimento nas discussões das esferas seculares, relevantes tanto para a Igreja quanto para a sociedade civil, deixaram-lhe uma marca de identidade: a de uma liderança religiosa e social que transitava bem em todos os meios, fosse para aconselhar, ensinar, liderar, presidir, evangelizar, mentorear ou simplesmente caminhar junto. Se precisasse de alguém com influência espiritual, pastor Oliveira era referência.

Nasceu em Minas Gerais, formou-se em Teologia pela Faculdade Batista Mineira e também em Psicanálise. Em 1992 decidiu vir para o Estado do Espírito Santo.

Um dos seus primeiros desafios como liderança Batista, foi assumir a secretaria da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, órgão que coordena todo o trabalho missionário, social e evangelístico no país. Ele também foi presidente desta reconhecida Organização, sediada no Rio de Janeiro, que reúne cerca de 1,5 milhão de batistas em todo o Brasil.

Na Convenção Batista do Espírito Santo, sua palavra tinha peso e era apreciada por todos os pastores que a presidiram. Eram frequentes seus conselhos e exortação ao povo Batista capixaba.

Muito convidado para atuar como conferencista em campanhas evangelísticas no Brasil e em outros países, Oliveira rodou todo o Brasil evangelizando as pessoas. Trabalhou com tribos indígenas e passou grandes temporadas no Amazonas.

Durante 24 anos foi o pastor titular da Primeira Igreja Batista de Vitória e ao deixar o pastorado, foi homenageado com o título de pastor emérito, mas chegou a dizer que pretendia continuar atuando como conselheiro e talvez como palestrante pelo País.

Mas pastor Oliveira entendia que sua missão não passava somente pelo meio evangélico. Ele foi voz ativa no combate à corrupção e ao crime organizado no Estado. Era ouvido por lideranças sociais, governamentais e políticas. Se interessava pelo meio de comunicação e, quando solicitado, dava entrevista à imprensa, sem perder a oportunidade de apontar caminhos e testemunhar.

Em conjunto com a Primeira Igreja Batista de Jardim Camburi e da Praia do Canto, ambas em Vitória, o pastor levou a PIB de Vitória a implantar uma rádio evangélica, chamada Rádio Nova Estação, que levava a Palavra de Deus e louvores aos seus ouvintes.  Em diversos quadros de programação da rádio, veiculava sua mensagem rápida, curta e significante. Era possível perceber o sentimento por trás de sua voz forte e mansa. Era um verdadeiro pastor falando. Era um homem chamado para servir, dividindo seu conhecimento, amor, amizade, alegria e sabedoria.

Não é só o Espírito Santo que perde uma de suas principais lideranças religiosas. O Brasil, o mundo está se despedindo de um homem de Deus, com sorriso simples e gestos acolhedores de quem nunca se negava a um abraço, uma conversa, uma oração. Aos 67 anos, a Igreja de Cristo na terra dá adeus a Oliveira de Araújo, enquanto a Igreja triunfante, no céu, o recebe com a festa e honra que todos os lavados pelo sangue de Jesus receberão.

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