19.9 C
Vitória
quinta-feira, 9 dezembro 2021

Não apague o “Espírito” do Natal

Mais Artigos

Eis que é chegado o Natal: “Ôh, ôh, ôh…” (imitação de risada do Papai Noel). Epa! Não deveria ser “aleluia?”. Afinal, que eu saiba, Natal é festa de cristão que crê em Jesus, no Evangelho, serve no Reino de Deus, e por aí vai, e não de um velhinho de gorro vermelho. Posso ouvir um “aleluia!”? É, mas, vamos combinar aqui de só falarmos com sinceridade? Na verdade, quase todo mundo lembra mesmo é do Papai Noel – inclusive, eu. Pode dizer “miiiiiiisericórdia!”.

Aliás, tanto falamos contra ele todos os finais de ano que, todos os finais de ano, só falamos nele em vez de falarmos de Jesus, a verdadeira razão do Natal. E mais: ruas e lojas enfeitadas, muitos presentes, feriados, jantares, almoços, vendas boas, encontros com familiares e amigos, etc, é que parecem fazer a nossa alegria e ser realmente a razão do Natal. Diga se não é verdade?! “Fala, Deus!”?

Escrevendo assim alguém já julga que sou do tipo que quer linchar o Bom Velhinho, apagá-lo da memória das crianças, fechar as lojas, e extinguir o Natal. Longe de mim isso. Gosto do Natal como ele é, do clima de festa, de presentes, de promover a amizade, da ajuda mútua, da economia tendo uma melhora com as vendas. Tudo isso faz parte da sociedade. É assim que ela funciona. Temos que ter momentos de alegria, de festas, de comunhão. Agora, pensando bem, o Natal só promove bons princípios.

Todos se recebem uns aos outros – hospitalidade (I Pe 4:9); as diferenças são sublimadas, pois, um aceita o outro (Rm 15:7); trocam-se muitos beijos de amizade (Rm 16:16), um cuida do outro – inclusive dos desconhecidos, mendigos, crianças abandonadas (I Co 12:25); até os inimigos dão trégua (Gl 5:15); divide-se as tarefas levando-se as cargas uns dos outros (Gl 6:2); as pessoas se suportam mais (Ef 4:2); “Jesus!”, como ficam bondosas (Ef 4:32); e como cantam hinos e cânticos espirituais (Ef 5:19). Posso ouvir um “amém”? Estes são apenas alguns exemplos de como o “espírito natalino” restaura princípios bíblicos. Por isso, não posso jamais falar mal do Natal como ideologia e prática cristã. Até quem não se preocupa em ser bom é contagiado pela época e tem seus lampejos de bondade.

O Papai Noel? Ora. Ele é apenas um detalhe, uma história, uma fantasia. Bobo de quem achar que esse conto é real. Quanto menos falarmos dele, melhor. Os fortes princípios do Evangelho são muito mais consistentes e permanentes. Basta que os exaltemos em vez de nos preocuparmos em falar mal do Papai Noel. Isso é igual falar do Diabo. Quanto menos falarmos, melhor. Ele que pague a publicidade dele em outra boca, porque eu não vou fazer publicidade dele com a minha. Falo de Jesus; e o Papai Noel e o Diabo que desapareçam na fumaça. Não faça o “sinal da cruz”.

Todavia, o que me incomoda é o fato de que, no restante do ano, esses princípios se apagam da memória da maioria das pessoas para só retornarem no próximo Natal. Até mesmo dentro da Igreja, infelizmente. Receber visita vira problema, os pobres que se virem, os vizinhos voltam às suas guerras, gente boazinha volta a ser sinônimo de gente boba, cada um que cuide da sua vida e dê conta das suas tarefas, enfim, que todos voltem ao “cada um por si e Deus por todos” – tenho minhas dúvidas sobre “o Deus por todos”. Por favor, não coloque Deus num negócio tão individualista desses. Pode dizer “misericórdia!” de novo.

O “espírito” dos festejos do Natal de Jesus deveria ser um exemplo de como os cristãos devem agir durante todo o ano. Mais ou menos como a Oração Dominical, o Pai Nosso (Mt 6:6-13) – um modelo a ser seguido. Praticar os mandamentos da Palavra de Deus deve se tornar o nosso hábito diário. O aniversário de Jesus, o Natal, é todo dia, pois, a cada dia, Ele vive em nosso coração através do Seu Espírito que foi colocado em nós quando o aceitamos como Senhor e Salvador de nossas vidas. Isso aconteceu ou não aconteceu com você? O Espírito Santo colocou em nós os Seus atributos: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio (Gl 5:22,23).

Vivenciar esses atributos apenas no Natal é sinal de que somos como os seguidores do Bom Velhinho. No Natal eu sou bonzinho, mas, no restante do ano, tenho que receber de volta em dobro o que investi no Natal, por isso sou “mauzinho”, afinal, as pessoas também são. Bem que o apóstolo Paulo já dizia: “não apagueis o Espírito” (I Ts 5:19). Porque quem apaga o Espírito está aberto a acender vela pra Papai Noel, Aparecida, Padre Cícero, São João, São Pedro, e quem mais aparecer no mercado. Posso ouvir um “tá amarrado!”?

 

- Publicidade -

Comunhão Digital

- Continua após a publicidade -

Fique Por Dentro

Entrevistas