William Douglas – “Sucesso é estar no centro da vontade de Deus”

Juiz fala da importância de buscar sabedoria na Bíblia, como regra de fé e prática e com orientação das Escrituras é possível semear, fazer o bem e unir religiões para mudar o país.

Por Priscilla Cerqueira e Luciene Araújo

Referência em eficácia no poder judiciário brasileiro como juiz federal, além de professor, escritor e conferencista, William Douglas é um nome de sucesso no Brasil. Para ele, a premissa de conquistar êxito na vida é estar no centro da vontade de Deus. Autor de mais de 30 livros – entre eles o clássico “Como passar em provas e concursos”, que o tornou conhecido como o “guru dos concursos” e “As 25 leis bíblicas do sucesso”. O juiz fala da importância de buscar sabedoria na Bíblia, como regra de fé e prática e diz que é possível, com orientação das Escrituras, semear, fazer o bem e unir religiões para mudar o país. Confira!

O senhor tem forte envolvimento com causas sociais. Diante da crescente violência que temos assistido, podemos visualizar melhoria enquanto a polícia for a única instituição do Estado a subir os morros, a chegar na periferia? 

Se a Polícia fizer seu trabalho corretamente, haverá melhoria sim, reduzindo a criminalidade. No entanto, não podemos limitar a atuação dos órgãos estatais a isso. Precisamos de saúde, educação, lazer e transporte. O conjunto dessas ações aliado à oferta de oportunidades de estudo e de trabalho é que poderão mudar o quadro atual de pobreza, injustiça e desigualdade.

O cristianismo tem sido “capaz” de modificar a vida de criminosos ou o mau testemunho de membros e lideranças tem prejudicado o alcance da Palavra e reais transformações?

Concordo com ambas as afirmações. Mesmo não sendo classificados como “criminosos”, somos pecadores, falhos, fracos e temos muito a nos corrigir e a evoluir. Eu seria um pai, marido, profissional e cidadão muito pior do que sou se não fosse o cristianismo. Quanto à segunda afirmação, também é verdade, e isto tem sido assim desde o início do cristianismo. É aquela velha história do joio e do trigo, que possamos ser, agir e dar testemunho como o trigo.

A que o senhor atribui o aumento dos “desigrejados” e também da “frieza espiritual” nas Igrejas?

O fenômeno estava previsto desde o Novo Testamento. Parte dos desigrejados eu imputo às graves falhas de igrejas e pastores, com condutas que afastam as pessoas. Mas boa parte tem relação com a cultura e tempos atuais, com tanto relativismo, perda da autoridade, individualismo e marxismo cultural. As pessoas tratam as igrejas, até mesmo Deus como se fosse uma relação de consumo, mas estes são os desafios do nosso tempo. Precisamos de um avivamento para alcançar os frios espirituais de dentro e de fora dos muros da igreja.

A ação dos crentes frente aos graves problemas sociais têm feito a diferença ou fica aquém do que seria possível modificar?

Tenho muito orgulho do que os cristãos estão fazendo. Mesmo sem obrigação cívica ou legal, apenas movidos pelo desejo de cumprir o que Jesus manda, temos feito coisas extraordinárias. Temos ido muito além do que outros grupos e até mesmo o governo fazem. Isso é uma das demonstrações que Jesus faz a diferença. Quem põe as “mãos na massa” mesmo são os cristãos. Nós vamos lá, dividimos nosso dinheiro e gastamos nosso tempo com os pobres. Claro que poderíamos fazer mais, mas eles merecem aplausos e não vejo ninguém fazendo mais do que os que são movidos por Jesus.

Como fica seu coração diante das críticas que recebe por se envolver com projetos católicos, se relacionar com espíritas e até usar um anel franciscano?

As pessoas que fazem essas críticas são pequenas, medíocres, têm medo de falar e receber a merecida resposta. Mesmo assim, temos que amá-las, pois Jesus morreu por todos. O que nos une aos católicos é muito maior do que aquilo que nos separa. Hoje temos evangélicos muito mais próximos daquilo que criticamos nos católicos do que os próprios católicos. Falam da idolatria dos católicos e idolatram seus líderes de forma muito mais equivocada. As diferenças teológicas, por mais profundas que possam ser em um ponto ou outro, não são maiores que nossa ligação em Jesus ou mesmo no caso de um ateu, não são maiores do que agir em favor dos necessitados. A gente fica se digladiando internamente e as pessoas não estão sendo evangelizadas, amadas e socorridas. Os grupos ateus e os ativistas de toda a sorte estão alinhados, trabalhando juntos pelo que acreditam e os cristãos se perdendo em disputas internas. Quanto aos espíritas, eles são movidos pelas palavras de Jesus, alguns se preocupam mais com a caridade do que muitos evangélicos que vivem a critica-los. Mantenho minha posição na inerrância da Bíblia, como regra de fé e conduta, discordo frontalmente de tudo o que espíritas, católicos, evangélicos fazem ou creem e que vão contra a Bíblia, mas ajudarei o que qualquer um destes fizer que for compatível com o que a Bíblia recomenda. O cristianismo e a cultura tem símbolos. O anel franciscano tem um simbolismo que expressa um compromisso. Vários protestantes usam esse anel, estudar e praticar seu simbolismo pode ser algo enriquecedor e espiritual. Francisco de Assis é patrimônio de todo o cristianismo e não apenas dos católicos. Ele viveu séculos antes da reforma protestante. Quem quiser criticar alguém por se juntar a outras pessoas para fazer o bem deveria ler a Oração de Francisco de Assis, pode ser libertador.

“As pessoas tratam as igrejas, até mesmo Deus como se fosse uma relação de consumo, mas estes são os desafios do nosso tempo. Precisamos de um avivamento para alcançar os frios espirituais de dentro e de fora dos muros da igreja”.

O senhor escreveu “As 25 leis bíblicas do sucesso”. De onde veio a motivação para a obra?

Eu e Rubens Teixeira, coautor nessa obra, quisemos sistematizar o que a Bíblia fala a respeito de sucesso, carreira e empreendedorismo. O foco principal da Bíblia é a vida espiritual, mas ela também ensina sobre sucesso, profissão, administração e negócios. Nosso objetivo foi oferecer a todos, religiosos ou não um compêndio que pudesse mostrar a extraordinária sabedoria milenar da Bíblia aplicada a esses temas. Já vendemos mais de 250 mil livros no Brasil e em um ano, mais de 30 mil exemplares nos EUA, na edição em inglês. A força desse livro decorre da sabedoria das Escrituras

Como define sucesso e a importância da Bíblia na sua vida?

Sucesso é uma palavra muito ampla, mas em termos daquilo que é eterno eu diria que sucesso é estar no centro da vontade de Deus, tendo Jesus como Senhor e Salvador e fazendo o que Ele manda. Em termos humanos, seculares, eu diria que é estar com uma vida plena, equilibrada, aproveitando o dia, semeando, aprendendo, fazendo o bem e com um bom desempenho geral no que chamo de os sete montes do sucesso: saúde, pessoal, profissional, financeiro, social, familiar e espiritual. Pode parecer muita coisa, mas é algo possível.

Falando ainda de sucesso, o senhor escreveu “Formigas” em parceria com o pastor Davi Lago. Qual a principal lição que a sociedade das formigas nos traz?

Foi uma alegria enorme escrever com Davi Lago e ver as lições de Salomão alcançarem o público secular e religioso. Este foi o primeiro livro publicado no Brasil versando sobre esse trecho do capítulo 6 do livro de Provérbios. São várias lições preciosas, a principal delas é que devemos cuidar bem dos nossos formigueiros. Ao pesquisarmos sobre Mirmecologia, ramo da ciência que estuda as formigas, descobrimos ainda mais lições a partir das dicas de Salomão: “Estudem as formigas! Aprendam com elas!”

O senhor declarou ter sido rejeitado por ser de bairro pobre, não saber jogar futebol, ser branco demais, ser nerd e também por ser evangélico. O quanto isso te fortaleceu?

Sou muito grato a Deus por essas experiências, pois elas me fizeram saber o que é ser discriminado, rejeitado, ridicularizado. Isso me faz ficar mais motivado a lutar contra essas coisas. Ao passar por isso quis mudar minha situação, fazendo minha parte e pedindo ajuda a Deus, que me valeu, me socorreu e me ajudou. Posso dizer que Deus fez comigo aquilo que está descrito em Salmo 113:7,8: “Levanta o pobre do pó e do monturo levanta o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes do seu povo”. Hoje sou considerado uma autoridade em várias áreas porque Deus me ajudou e porque fiz minha parte (Deuteronomio 8.17,18) e uso minha capacidade e influencia para tentar reduzir a injustiça social e mudar um pouco a realidade do país. Isso tudo é fruto da soma das minhas experiências e do impacto que Jesus causou em mim.

Nada em sua vida parece ter sido fácil. Após muitas derrotas em concursos públicos, foi aprovado em vários deles e escreveu o livro “Como passar em provas e concursos”, que o tornou conhecido como o “guru dos concursos”. Conte um pouco sobre a batalha para lançar esse livro e os números que ele já alcançou.

Após preparar este livro fui rejeitado por 5 editoras diferentes. Era um livro inovador, o primeiro do mercado sobre o tema, era um novo paradigma e por isso foi rejeitado. Quis encontrar um caminho e a solução foi lançar o livro sozinho mesmo, o que acabou me fazendo dono de uma editora, algo que jamais havia imaginado. O livro deu início a uma nova disciplina, hoje curricular em várias universidades. Todo o sucesso e resultados que esse livro me trouxe são consequência de eu seguir uma orientação da Bíblia: trate os outros como gostaria de ser tratado. Eu não tive ninguém que me desse todas as dicas sobre como passar em provas e concursos, alguém que me explicasse o que tinha que ser feito, apenas fiz pelos outros o que gostaria que alguém tivesse feito por mim. Mais uma vez Jesus mudou minha história.

Diante da insegurança quanto a emprego, passar em um concurso ainda é a melhor saída ou há muito espaço ao empreendedorismo?

Ainda há muito espaço para o empreendedorismo. O país está cheio de oportunidades em todas as áreas, basta não desistir e ir em busca do sonho, seja em concurso, ou o empreendedorismo. Se alguém quer melhorar de vida terá muito trabalho, vai levar um tempo, mas vai valer a pena. Porém, precisa aprender a “jogar o jogo”. Qualquer que seja o alvo, recomendo a leitura dos livros citados acima, pois ensinam estratégicas que servem para qualquer objetivo.

Falando um pouco de Brasil, o pleito eleitoral foi marcado pelas fake news. Por que esse fenômeno tão negativo ganha mais força a cada dia, até mesmo entre igrejas evangélicas?

Penso que seja um fenômeno de nosso tempo, por isso atingirá a todos. Mas a questão é o quanto nossa casa está firmada na rocha. Quem estudar, quem refletir, quem buscar a sabedoria da Bíblia, seja uma pessoa ou uma igreja, terá bases sólidas para enfrentar e resistir a qualquer tempestade. É seguindo a Palavra de Deus que os cristãos podem ajudar no rumo que precisa ser dado ao Brasil a partir de janeiro de 2019 com o novo Congresso Nacional.

Ao assumir a 4ª Vara Federal de Niterói, o senhor adotou medidas de inovação na gestão pública que aumentaram a produtividade em 50% acima da média. Que medidas foram essas? Elas são capazes de recuperar a máquina pública brasileira?

A primeira lição é que o juiz não faz nada sozinho. Precisamos de uma equipe e de união em torno de objetivos comuns. Esse foi e é um dos segredos do sucesso da 4ª vara federal de Niterói. Entre as mudanças, aplicamos as 25 leis bíblicas do sucesso. O país é laico, e isso não tem nada a ver com ser um país ateu ou antirreligioso. Nós usamos toda a sabedoria da Bíblia de forma laica e obtivemos ótimos resultados. Também aplicamos muito das lições de William E. Deming, um gênio da administração que tive a oportunidade de estudar e colocar em prática na liderança da Vara. Tudo o que praticamos lá pode ser reproduzido com sucesso na máquina pública brasileira, e mesmo na iniciativa privada.

Uma mensagem de incentivo aos leitores de comunhão

Concluo minhas palavras com o que dois grandes homens disseram sobre a Bíblia. Abraham Lincoln: “Tirai o que puderdes deste livro pelo raciocínio e o resto pela fé e vivereis e morrereis um homem melhor”. Já Billy Graham nos alertou que nós somos as Bíblias que o mundo está lendo e a pregação que o mundo está prestando atenção”.


Confira a Entrevista em áudio


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