A viúva, o papagaio e a igreja

Uma parábola para a igreja de nossos dias

E D. Maria ficou viúva. Depois de 40 anos de casada com seu Zezinho. Já havia meses que estava trancada dentro de casa sofrendo com as sombras da solidão. Sozinha, sem atrações para a vida. Até decidir que precisava fazer algo para sair da situação.

Lembrou-se de uma loja de animais e imaginou que um bichinho de estimação seria uma boa ideia. Chegando lá, pediu um animal que fosse uma boa companhia. Um cão, gato, peixes, até que viu um pássaro colorido numa bela gaiola. “Isso fala”? perguntou. “Claro, disse o lojista, é uma verdadeira matraca!” E d. Maria viu que era aquilo que precisava. Um papagaio falante.

Uma semana depois da compra, o papagaio não havia falado nada. Preocupada, voltou à loja. “E o falador, está lhe divertindo?” perguntou o dono. “Nenhuma palavra”, disse ela. E foi aconselhada a adquirir um espelho, pois que, segundo o lojista, o papagaio olhando para o espelho, falaria bem. Mas não funcionou. Voltou à loja, e desta vez, o conselho foi adquirir uma escadinha. Olhando o espelho e com um pouco de exercício na escada não poderia dar errado. Mas também não funcionou. O bicho nem piava.

Voltou à loja muito preocupada com seu investimento. O lojista pergunta: “A senhora comprou um balanço junto com a escada”?  “Não”. “Olhando no espelho, exercitando na escada e relaxando no balanço é receita certa”, disse o lojista. E lá se foi o balanço. Dez dias de espera e nada do papagaio falar.

Após alguns dias, d. Maria retorna à loja. Com um sorrisão, o dono pergunta: “E aí, como está o grande comunicador”? E a resposta, em tom de tristeza e decepção foi: “Morreu! Encontrei-o morto, no fundo da gaiola”. “Não posso acreditar, estou chocado” disse o vendedor. E acrescenta: “Mas pelo menos falou algo antes de morrer?” “Sim, na verdade, para minha surpresa, ele fez uma pergunta – falou a mulher – ele perguntou se não havia algum tipo de comida nessa casa”.

Precisamos da luz de cima para invadir a luz de dentro de modo que possa alcançar as trevas do lado de fora. É a função, missão e propósito da igreja. Nada mais, nada menos.

 

Os ritmos de mudanças, a depredação dos valores, a banalização do sagrado são fatores profundos que têm atacado a igreja. E como a igreja têm reagido?

Com espelhos porque vaidade de líderes, propagandas descabidas (que tal uma aguinha do rio Nilo que Moisés bebeu?), eventos para encher agendas e anunciar a força da Igreja tal.

Escadinhas porque a competição entre igrejas tronou-se algo irritante. A ascensão de pastores, bispos, arcebispos, apóstolos (e depois disso, vem o que?). Posições conquistadas em nome de um egoísmo vaidoso.

E o balanço. Pastores comprometidos consigo mesmos, cuja vida é baseada no que deseja ganhar e não no que deseja dar. Compromisso de ministério dentro do princípio do prazer de ser visto pelos outros e não da consagração que deve ser vista pelo Senhor. Templos cada vez mais aconchegantes, mas que não se transformam em igrejas acolhedoras.

Quando Jesus diz para buscarmos em primeiro lugar o reino de Deus, as demais coisas são acrescentadas. Não o contrário.

Precisamos alimentar o nosso povo com a prioridade da Palavra de Deus.

Precisamos da luz de cima para invadir a luz de dentro de modo que possa alcançar as trevas do lado de fora. É a função, missão e propósito da igreja. Nada mais, nada menos.


Erasmo Vieira – Pastor da Igreja Morada

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