“Vimos a mão de Deus através de livramentos”

Mesmo com tantos percalços, Bruna sempre esteve ciente do poder de Deus em suas vidas

A perda da mãe, o aborto de seu primeiro filho, as complicações na segunda gravidez e a cirurgia em seu recém-nascido no dia em que receberia alta do hospital arrancaram muitas lágrimas de Bruna Karla

Ela queria muito ter um filho, mas na primeira tentativa abortou o bebê, que simplesmente sumiu do seu útero, no terceiro mês de gestação. Quando ainda se refazia física e emocionalmente da interrupção da experiência da maternidade, a cantora Karla Bruna, seis meses depois, descobre que está novamente grávida. A alegria foi incontrolável, afinal agora ela seria mãe. Porém, o que não imaginava é que enfrentaria um novo drama para dar à luz.
O recém-nascido precisou ficar internado na Unidade de Tratamento Intensivo por longos 32 dias, a fim de ganhar peso (veio ao mundo com 1,420 kg e 39 cm).

Mas o momento de voltar para casa chegou, e o que importava para Bruna Karla é que agora tinha seu filho nos braços. Entretanto, isso não aconteceu. A alta do bebê foi cancelada na hora de deixar o hospital. Ao retirá-lo da incubadora para o banho e a troca das roupinhas, foi constatada, em sua virilha, uma hérnia inguinal que o levaria a uma cirurgia naquele mesmo dia.

A cantora se abateu porque havia divulgado sua alegria para toda a família, amigos e fãs. Bruna Karla viveu um misto de desejo, medo, dor e esperança.  A maternidade parecia ser uma prova para a jovem, que sonhava com o dia que protagonizaria o momento mais lindo na vida de uma mulher. Hoje ela conta sua história, certa de que é um testemunho de fé.
“Depois que meu primeiro bebê sumiu da minha barriga, eu e meu marido oramos dizendo a Deus que nunca mais queríamos gerar um filho para perder. E consegui engravidar novamente.

Com 27 dias, Benjamin teria alta hospitalar, mas foi descoberta uma hérnia inguinal, que fez com que permanecesse internado por mais cinco dias

Entrando no oitavo mês, a bolsa estourou, e corremos para a maternidade. Chegando lá, os médicos disseram que precisariam antecipar o parto, pois a bolsa estava rompida e não poderíamos deixar o bebê muito tempo. Ficamos muito assustados naquele momento, pois ainda faltava pouco mais de um mês, mas ao mesmo tempo, Deus foi nos dando uma paz muito grande.

No 5 de setembro de 2013, passei por uma cesariana e tenho certeza de que Deus entrou na sala de cirurgia comigo. Contrariando todos os diagnósticos médicos, que num primeiro momento disseram que o menino não iria chorar na hora do parto e nasceria com dificuldades para respirar, pois ainda era muito pequeno, todos daquela sala ouviram seu choro, que era muito alto. Depois disso, ficou na UTI neonatal para ganhar peso.

Nesse período, choramos muito, pois só podíamos vê-lo das 12h às 22h. Em seguida, ele ficava na incubadora e eu voltava para casa sem nosso filho. Sofri também por ver vários bebês que tinham complicações. Foi tudo muito difícil. E quando pensei que finalmente voltaria para casa com meu filho, foram descobertas a hérnia e a necessidade da cirurgia. Foram quase 40 minutos de muita expectativa em que me entreguei nas mãos de Deus, confiando sempre nas promessas que Ele nos fez… e cumpriu. Cinco dias depois, estávamos saindo pela porta daquela maternidade com o Benjamim, que hoje tem 3 aninhos”, narra satisfeita.

A hérnia inguinal localizada no bebê é uma saliência de parte do conteúdo intra-abdominal, que pode ser tecido adiposo, alças do intestino grosso ou do intestino delgado através de um orifício na parede abdominal, mais precisamente na região inguinal. E pode ocorrer em um ou nos dois lados da virilha, sendo muito mais frequente em homens do que em mulheres.

Mãe, casamento e carreira

As complicações nas duas gestações provocaram um turbilhão de emoções em Bruna e acabaram trazendo de volta as lembranças da perda de sua própria mãe, quando ela tinha apenas 13 anos de idade. A menina que sonhava em ser cantora agora duvidava de sua possível carreira, iniciada ainda quando criança, com o incentivo de sua mãe, Rosimary. Ela quase desistiu do seu chamado. A tristeza era tão profunda que Bruna tentou tirar a própria vida. “Foi um dos piores momentos da minha vida, principalmente por estar numa fase de transição em que eu saía da infância para a adolescência. Depois de termos sonhado e lutado juntas, chegamos a ver o início do cumprimento da promessa, mas minha mãe não estava mais comigo. Naquele momento não tive forças, achei que meu ministério acabaria e que nunca gravaria um CD. Hoje, sinto a falta da minha mãe, mas já não dói tanto, a não ser a saudade que ficou.”

O pequeno Benjamin, é a prova do poder da fé na vida de Bruna. O marido, Bruno, a apoiou em todos os momentos

Por ter vivenciado muitas experiências impactantes ainda muito jovem, Bruna, de 28 anos, trata com propriedade sobre temas fortes como perdas, luto e dificuldades pessoais. De origem humilde, sempre lutou juntamente com sua família, mas soube de sua vocação por adorar ao Senhor através da música. Por esse motivo, antes de completar 5 anos, já se apresentava nas igrejas do Rio de Janeiro.

“Gostaria muito que minha mãe estivesse aqui hoje para ver o que Deus tem feito na minha vida e na nossa família, pois tenho certeza de que estamos colhendo muito do que ela plantou na minha vida, com suas orações, disposição para pedir oportunidades em várias igrejas, eventos ou um espaço para que eu pudesse cantar.

Agradeço a Deus por ter colocado pessoas ao meu lado, como minha família, amigos, a gravadora MK.”  Ela garante que saiu fortalecida e com sua fé inabalada. “Vimos a mão de Deus através de livramentos.” O resultado de sua carreira até o momento são 16 discos de ouro, seis de platina, dois DVDs de ouro e três indicações ao Grammy Latino (2010, 2013 e 2015).