Vencendo as crises no casamento

Pode parecer improvável, mas resgatar o casamento e fazê-lo ainda melhor do que o seu início é possível. Existe solução para atravessar as crises conjugais

Não existe casamento que não passou, não passe ou não vá passar por um momento de crise. Quem nunca se deparou com uma situação financeira que tira o sono e que os dois ficam procurando os culpados? E quando o sexo não vai bem, o que fazer? E se aconteceu uma traição, seja sexual ou simplesmente por uma mentira dita pelo cônjuge, como resolver?

No meio do turbilhão e do buraco negro que se tornou a relação, encontrar a saída parece difícil, mas não é. Há uma luz no fim do túnel capaz de resgatar os laços como nos primeiros dias de convivência e fazer com que o matrimônio seja reavivado.

Pode parecer clichê para um cristão, mas um casamento sem Deus sucumbe no primeiro “terremoto”. A intimidade física e a cumplicidade da alma estão estreitamente vinculadas entre si no relacionamento a dois e são cultivadas simultaneamente por marido e mulher, conforme explica o autor do livro “Amigos e Amantes”, pastor Joel R.Beeke. “Temos um vislumbre disso na instituição do casamento: ‘Portanto, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne’ (Gênesis 2:24). Temos aí a ‘união’, presente no compromisso e numa amizade pessoal duradoura, e temos também ‘uma só carne’, presente na união dos corpos, gerada pelo amor. Essas duas dimensões se iniciam no dia do casamento, mas devem crescer ao longo da vida a dois. Para desenvolver a amizade, marido e mulher devem primeiro buscar uma fé mais profunda em Jesus Cristo, além de buscar imitá-lO. A maior barreira para a amizade é o nosso pecado. Não apenas pecados escandalosos, como o adultério,mas também o orgulho e o egoísmo. Além de crescer espiritualmente, os casais podem cultivar a amizade e o amor passando tempo juntos, falando sobre suas experiências, pensamentos, sentimentos, planos e vida espiritual. Um dos meios especiais de crescer em intimidade é compartilhar a oração juntos diariamente, com cada um tendo a chance de orar”, ressalta.

Os problemas sexuais são aqueles que mais levam os casais a períodos de turbulência, conforme explicou o coordenador do Casados Para Sempre no Espírito Santo, pastor Junior Fanticelli. Os dados mostram que, dos 5 mil pares que fizeram o curso no Estado em 2014, dos que estavam em crise, na pirâmide da percepção, a descontinuidade da atividade sexual surge como o primeiro motivo para essa situação.

“Nesse combate, o primeiro soldado a morrer é o sexo. O segundo é a falta da comunicação. Se não há mais conversa, bate-papo e troca de palavras, é possível que o casal já esteja em crise. É impossível não ter crise no casamento, isso é conto de fadas e visão infantilizada e romantizada da vida. As crises sempre existirão, todos os casais do mundo já tiveram, terão ou estão em crise. Claro, em níveis e consequências diferentes, mas sem crise não existe casamento”, responde. A pastora Cris Barcelos e seu marido, o pastor Fabrício, atendem diversos cônjuges em conflito na Clínica de Tratamento da Família, e entendem que o problema sexual entre eles, na maioria das vezes, acontece porque precisam se redescobrir enquanto namorados.

Muitas mulheres precisam aprender a seduzir seus companheiros para apimentar a relação e reacender o desejo; em menor proporção isso também acontece com os homens, mas eles necessitam aprender a aflorar a libido de suas esposas.

“Dos casais que atendemos na clínica, 80% estão em crise conjugal por conta do sexo. Muitos entram no casamento e, com o dia a dia, esquecem que precisam namorar, inventar brincadeiras. Isso não é safadeza ou orgia, isso é casamento. E o que não pode é sair com promiscuidade tendo várias pessoas como parceiros. Mas com seu cônjuge, aquele que Deus lhe deu para marido ou mulher, não tem problema”, orienta a pastora.

Ela e o pastor Fabrício explicam que qualquer casamento está sujeito a uma fase ruim ou uma crise, porém é de extrema importância que se busque melhorar o vínculo participando de eventos como encontros e palestras de casais. “Mas acima de tudo, que se respeitem, que se comuniquem, que busquem um tempo somente para os dois, que não deixem de expressar o que sentem e de demonstrar a importância pelo cônjuge. Que nunca faltem atenção, cuidado e carinho no relacionamento conjugal”, explicam.

Outra questão que ultimamente tem crescido como inimiga são as dificuldades financeiras. Os pastores Fabrício e Cris se viram nessa condição há 15 anos. “Meu marido era engenheiro em uma multinacional e eu, professora universitária. Um dia sonhei com nós dois chegando em casa com as caixas na mão e desempregados. E isso aconteceu. Entramos numa crise financeira, que se refletiu no nosso casamento, e a batalha no nosso lar foi grande. Um culpava o outro pela situação que estávamos vivendo. E nós, servos de Deus, atuantes na igreja, nos vimos enredados numa crise conjugal e com a família dizendo que a única solução era a separação. Nesse momento, tivemos no pastor Eduardo Vieira o nosso líder espiritual, que nos orientou e nos mostrou que Deus estava querendo nos moldar para o nosso casamento ser renovado. “A nossa filha também foi muito importante no meio desse turbilhão, porque quando o casal não tem bens ou filhos, seguir em direção ao divórcio é mais fácil”, explica a pastora.

Para ela, casais que estão com a vida financeira desestruturada precisam se unir para analisar as contas, buscar atividades que podem trazer renda extra e fazer com que se estabilize a economia do lar. “Se estiverem desempregados, orem para que Deus oriente uma porta, e muitas vezes não é um emprego com carteira assinada, mas descobrir um talento que vai levá-lo ao empreendedorismo” destaca.

A falta de comunicação é outro entrave que assola os casamentos. Sem conversa, sem diálogo, a ação adversária espiritual toma as mentes, e o afastamento gera pecados que só atrapalham ainda mais. E se a união entrou em uma traição, liberar o perdão não é fácil, mas necessário para que a relação se mantenha, como diz o fundador da Igreja Bola de Neve e autor do livro “Unidos Pelo Casamento”, apóstolo Rinaldo Seixas.

“As coisas espirituais, de Deus ou do inferno, se refletem no mundo físico. Então, comportamentos errados, como desejar uma mulher que não é a sua, vão refletir diretamente no seu casamento e, automaticamente, no afastamento do Senhor. Temos as armas espirituais como prioridade para a nossa conduta. Se ainda assim, o casamento vai mal e se acontecer alguma traição, Deus faz novas todas as coisas! Precisamos crer que as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo. A fé é a chave para uma vida nova! Ele nos promete bênçãos se olharmos para Ele. Ele vai transformar os vales áridos em mananciais. É preciso crer e abrir o coração para isso”, explica.

Foi assim também com o pastor da Comunidade Batista Cristã, Pedro Noia, que hoje realiza o evento “Casamento v 2.0” e tem experiência própria no assunto. “Há 18 anos, já com quase nove de convívio conjugal, vi meu casamento coberto pelas trevas do divórcio, sendo tragado por um enorme buraco de mentiras, trapaças, traições, desrespeito, desamor, entre outras coisas, desistindo da família e já aceitando que meus filhos fossem órfãos de um pai ausente. Foi então que me encontrei com uma luz, mais forte e brilhante que a do sol de meio-dia, que iluminou e encheu meu coração de paz e de um amor inenarrável. Esse amor me constrangeu a resgatar meu relacionamento conjugal, içá-lo de um tremendal de lama e escuridão, firmá-lo sobre uma rocha e experimentar cânticos novos, de gratidão, misericórdia, cumplicidade e perdão. Graças a Deus, hoje posso testemunhar não do que li em livros, ouvi ou vi, mas do que vivi e vivo em meu casamento”, conta.

Por fim, os apóstolos do Ministério Gileade, Paulo e Yara Macedo, enumeram o que, à luz da Bíblia, é importante para que um casamento prestes a se acabar seja resgatado para um futuro de felicidade. “Cultivar o hábito de orar e buscar a Deus diariamente, inclusive juntos. Ninguém conhece melhor o casal do que Ele. Compartilhar a vida, seus sonhos, seus anseios, com seu cônjuge. Ouvir com atenção. Criar o hábito de pedir e liberar perdão, resolvendo os conflitos o mais rápido possível (Efésios 4:26). Ser pacificador, não fazendo questão de ganhar uma briga, uma discussão, zelando pela paz, assim os dois ganham (Hebreus 12:14). Aprender a resolver os conflitos guardando seu coração (Provérbios 4:23). Na maioria das vezes, a emoção não será aliada do casal. Resolver os conflitos de forma consciente, escolhendo obedecer a Palavra, evitará que as emoções de seu cônjuge sejam feridas e trará resultados mais rápidos e eficazes. Tratar o cônjuge como gostaria de ser tratado (Mateus 7:12). Em vez de tentar mudar o marido ou a mulher, buscar em Deus a mudança que é preciso. Usar palavras de afirmação, aprovação, incentivos, elogios que geram vida no outro, trazendo força, ânimo, coragem e alegria para exercer bem o seu papel. Se o Senhor não edificar a casa, em vão são aqueles que trabalham! (Salmo 127:1)”, finalizam.

Cuide de seu casamento


Comunicação 
Falta de comunicação entre o casal tem sido também um fator responsável por crises conjugais. Ninguém pode se comunicar se não tirar os olhos do celular, da TV, do computador, ou de outra pessoa. Então, atenção ao marido ou à esposa é essencial.

Sexo

O sexo não é tudo num casamento, mas a falta dele ou o desentendimento nessa área podem piorar uma crise conjugal. É preciso reaprender a namorar, além de inventar brincadeiras e novidades que apimentem a relação. Isso não é orgia ou safadeza, e tem que ser feito para que o vínculo se sustente.

Dinheiro

É necessário que todo casal converse seriamente sobre esse assunto sem apontar um ou outro como responsáveis. Juntos, precisam cortar custos, abrir mão de alguns prazeres e buscar atividades que possam aumentar a renda.

Não colocar seu casamento em primeiro lugar

Colocar Deus em primeiro lugar em tudo na vida é necessário, pois o cônjuge está juntinho dEle. Se você colocar seu parceiro em primeiro lugar, as chances de haver traição serão menores.

Conflitos
Não crie desentendimento por conta de qualquer assunto que seja: dinheiro, ciúmes, a sogra que interfere, quem faz o que para ajudar no lar, a apatia que machuca, filhos, a crise sexual, o egoísmo, etc. É preciso se entender e para isso tem que haver conversar, sem aumentar o volume da voz, sem inserir acusações e sem esquecer o amor que os uniu. E se lembrar de jogar o orgulho no lixo nessas horas, porque é ele que atrapalha o entendimento entre o casal

Confiança
Se você não confia totalmente no seu cônjuge, o problema precisa ser conversado e resolvido. Confiança é a base de tudo, e a lealdade não tem que ser apenas com relação a traição com outra pessoa, mas também com aquilo que se compromete a fazer. Não mentir é importante para que a relação de confiança não seja quebrada.

O casamento na Bíblia

• Gênesis 2:18 – “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja idônea.”
• O Velho Testamento termina com o texto que trata da família. Malaquias 4:6 diz “…Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais”.
• O primeiro verso do Novo Testamento (Mateus 1:1) trata da genealogia de Jesus Cristo. Mais uma vez a Bíblia registra a importância da família.
• O maior escritor do Novo Testamento, o apóstolo Paulo, apesar de não ter se casado, reconhece a importância do matrimônio. Ele escreveu tratados sobre o casamento para instruir os irmãos Romanos (7:2). Escreveu também aos Coríntios (7:10), aos Gálatas (4:27), aos Efésios (5:22) aos Colossensses (3:18), a seu discípulo Timóteo (3:12) e a seu cooperador, Tito (1:6).
• Jesus inicia o Seu ministério de milagres transformando água em vinho numa cerimônia de casamento (João 2:11).
• O último livro na ordem editorial da Bíblia, o Apocalipse, em seu último capítulo, registra no verso 17 mais uma referência ao casamento – “o Espírito e a noiva dizem: Vêm!” 


Confira esta matéria em áudio.

 

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.  
Compartilhe