Vamos, vamos, chape!

Acabamos de sair de um momento trágico na vida nacional, cuja causa é a morte de quase um time inteiro de futebol, a Chapecoense, e de dirigentes e profissionais do clube catarinense, jornalistas e tripulantes do voo LMI 2933, da Línea Aérea Marideña Internacional de Aviación – LaMia. Foram 71 óbitos no total, afora os que sobreviveram e que terão de carregar, cada um deles, as respectivas consequências.

Certamente virá um tanto de providências para que eventos como esse sejam evitados, sobretudo envolvendo uma equipe completa do esporte mais popular no mundo. No caso da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), por exemplo, já se especulam ações que orientem cuidados nos deslocamentos das equipes no país e para o exterior. Gostaria de tomar esse assunto para que nos lembremos de que a cada 15 horas “cai uma aeronave” no Brasil, produzindo o mesmo número de mortes. A cada 15 horas! São 600 voos LMI2933 por ano, resultando num total de cerca de 42 mil mortes em território nacional. Estou me referindo ao índice HAF – Homicídios por Arma de Fogo. Esse dado foi publicado no Mapa da Violência 2016 (Acesse aqui o mapa de violência), que divulgou o número fechado de 2014.

Não discuto a justa comoção nacional e mundial, o tanto de lágrimas derramadas, o volume de debates que foram levados ao ar por todas as mídias. Mas “já nem lamentamos mais” a morte do pedreiro Amarildo, as tantas crianças mortas por balas perdidas, os que são chacinados por gangues rivais ou pelas milícias, os que morreram pelas Elizes Matsunagas da vida, dentre tantos outros. Secaríamos de tanto chorar a cada ciclo de 15 horas.

Quando olhamos sob o prisma da Palavra de Deus, sabendo do tantas mazelas sobre a nossa terra brasileira, lembramo-nos de que “o sangue derramado sobre a terra traz maldição para a terra”. É bom ver isso em Gênesis 4: 11-12. Enquanto a CBF se debruça em tantos planos de ações para que tais episódios sejam evitados, o que podemos fazer para que “LaMias” não caiam em solo brasileiro, a cada ciclo de 15 horas? Você pode até “espiritualizar” a resposta com um autêntico “vamos orar!”. Sim, vamos orar; e esta é a primeira e mais importante ação. Temos um Deus que ouve a prece do justo, sobretudo aquela que é feita em unidade pela igreja.

Podemos, também, nos unir numa força-tarefa nacional para um debate amplo sobre o que fazer para que tantas mortes por armas de fogo não ocorram mais no Brasil, principalmente nesse incômodo volume.

Deus tem colocado Seus eleitos em posições estratégicas. Muitos leitores da revista Comunhão detêm esse poder transformador. São prefeitos, delegados, juízes, promotores, profissionais da mídia, dirigentes de instituições sociais, diretores escolares, professores, sociólogos, psicólogos e muito mais agentes de Deus na terra, além de pastores e de gente comum como nós, com know-how suficiente para, num grande colegiado, levantar o tema, estudar ações e propor medidas com força de mudança.

Falar de sustentabilidade, da manutenção de um grande jardim planetário, requer que abordemos sustentabilidade da vida, melhoria das nossas condições de convivência social e no trato das injustiças, busca pela redução da desigualdade social, transformação de um sistema prisional que muitas vezes não corrige, mas que exacerba o mal etc.

No plano individual, quem sabe, podemos começar em não nos deixar vencer pelas pequenas picuinhas do dia a dia, ir avançando no aprofundamento das nossas ações pessoais, até que não “caia mais no Brasil, a cada 15 horas, um novo avião da LaMia”. Nisso pensai!

João Carlos Marins é pastor e especialista no tema responsabilidade social

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