Um ladrão que está sempre presente

O perdão é o remédio que neutraliza esse frequente ladrão da alegria da alma: as pessoas

O segundo episódio da série Ladrões da Alegria, lançada em março, revela um dos principais e mais ameaçadores inimigos do nosso bem-estar, uma vez que está sempre ao nosso redor. Mostra também como neutralizar a força e os efeitos deste ladrão de alegria, que nos cerca 24 horas: as pessoas.

Depois de discorrer sobre como as circunstâncias se transformam em sabotadoras do nosso contentamento, Comunhão mostra, nesta edição, como as pessoas ou nós mesmos podemos nos transformar em usurpadores da satisfação da alma, da nossa alegria pessoal e a do nosso próximo.

As pessoas (sejam amigos ou não) podem nos roubar a alegria através de traições, maledicências, críticas, agressões físicas ou psicológicas, desrespeito, inveja e desprezo. A quebra do segundo maior mandamento, amar ao próximo como a nós mesmos, tem desencadeado uma ação destruidora da alegria no mundo inteiro.

Em seu livro “Ladrões da Alegria”, o pastor Hernandes Dias Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, pontua que devemos enfatizar as características positivas das pessoas, com o propósito de encorajá-las. Ele adverte que não devemos fazer o papel de Satanás, que veio para matar, roubar e destruir.

O autor aponta o caminho que nos manterá protegidos e o que nos servirá de escudo contra os ataques de quem insiste em minar esta área tão importante das nossas vidas. O valor da alegria é tão alto que levou o próprio Deus a nos deixar

uma ordem a esse respeito, registrada na carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, cujo principal foco é o versículo 4 do capítulo 4: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”. O pastor Hernandes explica que viver em alegria é um imperativo de Deus e que isso é perfeitamente possível, porque a alegria não é um sentimento, a alegria é uma pessoa, e Seu nome é Jesus.

O PERDÃO TRAZ DE VOLTA A ALEGRIA

Assim como a Bíblia nos ordena viver em alegria, também nos diz qual o remédio para quem teve esse benefício roubado por outra pessoa. “Devemos ser semeadores dessa alegria, mas, se algum dia nos roubarem este bem, o remédio mais e eficaz é o perdão. Quando não perdoo e guardo mágoa, eu entrego o meu destino na mão de outra pessoa. O perdão é a faxina da mente e exercemos isso com a terapia da comunicação”, ressalta o pastor Hernandes.

Entretanto, uma confusão a respeito do conceito de perdão tem levado muitos a não conseguirem se livrar do peso da mágoa e, consequentemente, da ausência da alegria no coração. “Dizem que quem perdoa esquece, mas as pessoas não precisam ter amnésia a respeito do mal que lhes foi feito. Perdoar é lembrar sem sentir dor, é não cobrar o erro que já foi confessado e abandonado, é não lançar no rosto a dívida de quem já foi perdoado”, disse. A falta de perdão leva as pessoas a não adorar, não orar, não ofertar e a adquirir doenças físicas e emocionais, além de conduzir a atos de grandes proporções, como no caso que envolveu toda a família do Rei Davi. “O olho de Davi, Amnom, violentou sua irmã Tamar e com isso seu outro irmão se entristeceu profundamente, guardando essa mágoa, esse rancor; em seguida, planejou e executou a morte de Amnom.

Se ele tivesse escolhido confrontar o irmão acerca do mal feito a Tamar, ele teria tido a oportunidade do perdão e não teria chegado a essa tragédia”, exemplifica o pastor.

O AMOR IMPEDE O ROUBO

Treinador e coordenador do Ministério Universidade da Familia, o pastor Ney Yoshimitsu Yoshida afirma que a concorrência, a busca de uma vitória em alguma área de nossa vida ao custo da derrota de alguém, constitui-se numa das razões que levam as pessoas a roubarem a alegria dos outros.

“Infelizmente, a maioria das pessoas age como ladrão de alegria, principalmente nos relacionamentos familiares”, constata. Pastor Ney ensina que para não roubarmos a alegria do nosso próximo é necessário que vivamos na perspectiva dos dois maiores mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.

“Quando o Senhor está em primeiro lugar em nossas vidas, nossas prioridades estarão no lugar certo e jamais tomaremos a iniciativa de ferir quem é alvo do amor de Deus. E amar ao próximo como a nós mesmos nos impulsiona a tomar atitudes de preservar uma autoestima equilibrada a nosso respeito e olhar para o outro com amor e consideração, sem ciúmes.

Sabemos que o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Seu espírito, que nos foi dado”, ensina. E o que dizer das pessoas que dependem do outro para estarem alegres? O segredo é olhar para si mesmo, e não para o ladrão da alegria. Administrar o que acontece conosco é a dica.

“Sabemos que existem pessoas que vivem na dependência do outro para estarem bem consigo mesmas; se lhe tratam com carinho ela está feliz; se lhe fazem o que ela espera, está feliz; caso contrário, não. Para esses casos, temos uma palavra muito simples e praticável. Não podemos administrar as ações das pessoas sobre nós, mas podemos administrar o nosso próprio bem-estar e reagir positivamente a nosso favor, não nos deixando levar pelo que as pessoas determinam sobre nós.Se por um lado pessoas constituem-se em ladrões da alegria, por outro temos a pessoa de Cristo como provedora dessa alegria”, pondera o pastor Hernandes.

O maior problema dentro de um relacionamento não são as ações, mas sim as reações. Quando Jesus ensina a andar mais uma milha, a dar a outra face, Ele não está falando de ações, e sim de reações. É isso que fará a diferença entre manter o clima alegre ou não. Em Provérbios, Deus nos adverte de que a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.

“Isso é atitude de reação. A palavra branda é uma resposta dada a alguém que já teve a ação de nos ferir, de nos roubar a alegria. Reagir positivamente a isso anulará o efeito desse mal sobre nós”.

O VIZINHO E O JORNALEIRO

Conta-se que todos os dias, pela manhã, um homem saía de casa e se dirigia sempre à mesma banca de revistas, para comprar o jornal do dia. Ao se aproximar do dono da banca, ele lhe desejava um bom-dia e o tratava com atenção. O jornaleiro, porém, sempre aborrecido, sequer respondia ao cumprimento e o tratava com rispidez e indiferença. Isso já acontecia há muitos meses, até que um dia o homem estava acompanhado de um amigo quando se dirigiu, como de costume, até a banca de jornal.

Seu amigo, ao presenciar o desrespeito do dono da banca de jornal, perguntou ao homem: “Você permite que ele o trate assim e continua tratando-o com respeito e alegria, dando-lhe bom-dia, como se nada tivesse acontecido?” A resposta resume a decisão de viver alegre. O homem disse: “Não vou deixar que esse jornaleiro decida sobre como vou me sentir. Sou eu quem decido estar ou não alegre”. Na próxima edição de Comunhão, você conhecerá o terceiro ladrão da alegria: um tremendo engano satânico, que tem se tornado o centro da vida do homem moderno.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.