Tiago Brunet – Treinar para crescer na caminhada cristã

Thiago Brunet

Referência como treinador de pessoas, Tiago Brunet fala de como é importante o treinamento do líder cristão para o crescimento profissional e espiritual.


Por Priscilla Cerqueira

Aos 37 anos, o escritor, pastor e master coach Tiago Brunet fala para multidões, é um fenômeno nas redes sociais e ajuda em seu canal no YouTube homens e mulheres no mundo inteiro a encontrar seus propósitos de vida sem perder os princípios bíblicos. Já são mais de 1 milhão de seguidores na internet em busca de resultados e realização pessoal e profissional.

Uma das referências no Brasil como treinador de pessoas, ele apresenta palestras como coach ministerial, focando o desenvolvimento e o crescimento da liderança da Igreja, já que apenas 14% das pessoas frequentam os cultos movidas por uma razão espiritual. Presidente da Casa do Destino e criador do Instituto Destiny, que trabalha com mentoria de lideranças, o especialista falou com exclusividade à Comunhão. Confira!

Como descobriu a vocação para ser um treinador de pessoas?
Primeiro você identifica quais são as suas habilidades naturais, o que muitos chamam de “dons”. Descobri que tinha facilidade para me conectar com pessoas, para falar em público, e que o assunto no qual as pessoas tinham interesse, que paravam para me escutar, era sobre liderança e desenvolvimento pessoal. A minha preparação acadêmica e empírica e minhas experiências de vida, somadas às habilidades que citei antes, me transformaram, naturalmente, em um treinador de líderes; depois eu só organizei isso.

Qualquer pessoa descobre o seu propósito se descobrir quais são as suas habilidades naturais. Algumas delas você aprende. Por exemplo, matriculando-se em uma aula de violão, você aprende a tocar o instrumento. Mas existem pessoas que são naturalmente musicais, têm o “dom”. De nada adianta eu ser bom em gastronomia, mas quando eu falo sobre o assunto ninguém me escuta. A junção da sua preparação e da habilidade natural com a expectativa das pessoas em receber o que você tem a oferecer libera o seu propósito e destino, e foi assim que descobri a minha vocação.

Thiago BrunetO senhor foi um dos pioneiros a empregar técnicas de coaching no meio evangélico. O que faz um “coach religioso”?
Sim, fui um dos primeiros – se não o primeiro – a começar todo o processo de coaching dentro das igrejas. Não chamaria de coaching religioso, mas de coaching ministerial, que é um treinamento, um desenvolvimento pessoal, voltado para o crescimento do ministério dentro da Igreja. Meu trabalho hoje como coaching ministerial é fazer com que o ministério das pessoas, o dom que Deus colocou nelas e o projeto das Igrejas como instituição cresçam e se desenvolvam de forma saudável em todas as áreas: financeira, emocional, de gestão de equipes, de gestão de pessoas e de ministério.

“O Nível da sua preparação determina o raio da sua influência”

Segundo a Bíblia, o papel do pastor é cuidar da alma da pessoa e direcioná-la para a eternidade. O que difere o coach do pastor?
A função do coach (profissional), através do coaching (metodologia), é desenvolver a pessoa em múltiplas áreas e inteligências, como na financeira e na emocional. A função do pastor é guiar essa pessoa até a eternidade, confortar a alma, dar instruções bíblicas para que ela viva melhor e herde a salvação. O coach não entra em nenhuma questão espiritual, apenas nas áreas de desenvolvimento pessoal, em arquitetar o futuro natural da pessoa.

O senhor afirma que, para líderes ministeriais, “o nível do tratamento determina o raio da influência”. Todos deveriam passar pelo processo de coaching? Por quê?Sim! O nível da sua preparação determina o raio da sua influência. Todos deveriam passar por um processo de coaching. Porém, nem todos precisam se transformar e fazer uma formação nisso. Mas o coaching o ensina a questionar suas ideias, a duvidar das suas próprias dúvidas, a aprender a fazer perguntas estratégicas. Ensina-o a organizar o seu futuro, a gerir melhor o seu tempo, a dominar as suas emoções. Um processo que é, no mundo de hoje, com toda a competição que existe, com toda a vontade de ser melhor que o ser humano possui, obrigatório para qualquer pessoa que quer assumir uma posição de liderança.

O senhor tem um legado familiar dentro do evangelismo. O quanto isso foi importante para a sua construção pessoal e para ter se tornado referência como coach?
Sou filho e neto de pastor, venho de um legado cristão evangélico, e isso, para a minha construção pessoal, foi muito importante, porque fortaleceu o meu caráter e me deu noção de origem e destino. Eu não prego nenhum tipo de religiosidade, e sim princípios bíblicos que aprendi com a minha família. Porém, o legado religioso cristão não lhe dá uma vida boa aqui na terra, apesar de garantir a salvação. Mas uma vida equilibrada e feliz é conquistada com seu aprimoramento e treinamento. É isso que o coaching disponibiliza.

A Casa de Destino é voltada para a capacitação e mentoria de líderes. De onde surgiu a inspiração para criá-la? Como esse trabalho é desenvolvido?
A Casa de Destino é uma mentoria para líderes ministeriais, voltada para capacitação não só para pastores, mas também para qualquer pessoa que esteja envolvida com o ministério. Pastores estão completamente perdidos e os líderes, decepcionados. Hoje, 50% das pessoas que se dizem evangélicas não vão à Igreja por decepções e frustações. Existe um “buraco” que precisa ser preenchido, e nós estamos trabalhando para levar a mensagem do Evangelho de forma diferente, atualizada, e também para capacitar os líderes para que as frustações não voltem a acontecer.

Thiago BrunetA “inteligência emocional” é tema do seu livro “Dinheiro Emocional”, que quebrou tabus, mas também recebeu críticas. O que é dinheiro emocional? Posso ter dinheiro, mas não ter paz financeira? E como foi lidar com esse tema no meio evangélico?
O livro, aos nossos olhos, foi um grande sucesso e entrou na lista de mais vendidos várias vezes. Nele, tratamos como o seu passado, suas frustações e suas decepções acabam determinando como você gasta o seu dinheiro hoje. Lidar com isso no meio evangélico foi complicado, pois você precisa desmistificar a visão de dinheiro dentro do meio religioso. Mas ao mesmo tempo não foi complexo, porque a palavra fala por si só. A simplicidade da comunicação fez com que a maioria das pessoas aderisse à mensagem e não criticasse.

A maioria das pessoas se corrompe quando chega ao poder ou estamos dando poder a quem já é corrupto?
A maioria das pessoas só revela quem é quando chega ao poder ou à prosperidade financeira. Esse negócio que “dinheiro ou poder mudam as pessoas” não é verdade. Eles potencializam o que a pessoa já era. Quem não tratar o seu caráter e não tiver integridade agora, quando for exposto a poder e ao dinheiro, vai colocar isso para fora.

O senhor fala para um grupo eclético; 40% do seu público é de não cristãos. Consegue identificar as causas?
Todo ser humano tem sede de conhecer os mistérios divinos, mas às vezes não se identifica com a religião. Há pessoas que querem Deus, mas não querem fazer parte de um clube religioso. Através das nossas mensagens no YouTube, por onde passamos  conseguimos comunicar a essência divina sem promover uma religião.

“Eu não prego nenhum tipo de religiosidade, e sim princípios bíblicos que aprendi com a minha família. Porém, o legado religioso cristão não lhe dá uma vida boa aqui na terra, apesar de garantir a salvação”

O senhor tem usado a internet para divulgar seu trabalho com vídeos que chegam a 30 milhões de acessos. Como se deu a construção desse processo para se obter resultados tão positivos?
Na época de Jesus, ele ia aonde as pessoas estavam: na Galileia, nos desertos onde as multidões se reuniam com facilidade, e em Jerusalém. Hoje as pessoas estão na internet, então a nossa presença no mundo virtual tem de ser muito forte, porque a mensagem precisa chegar até as pessoas. A construção desse “sucesso” na internet é uma bênção divina na nossa vida, pois quando falamos as pessoas escutam. Quando identifiquei essa graça de falar pela internet, fui montando uma equipe preparada para dar todo o suporte. Hoje sabemos a hora de subir um vídeo, quando subir, quais são os temas de maior relevância, etc.

O Instituto Destiny realizou uma pesquisa em 700 igrejas evangélicas em todo o Brasil. O levantamento apontou que 86% das pessoas que estão na igreja possuem motivações emocionais ou financeiras e apenas 14% frequentam movidos por uma razão espiritual. Estamos perdendo a batalha na conquista por verdadeiros cristãos?
Não! Acredito que o ser humano quer resolver primeiro suas questões naturais para depois se preocupar com as espirituais. Isso é uma coisa que nós, dificilmente, iremos mudar. Nós, como Igreja hoje, atualizada, pós-moderna, devemos entender que não basta apenas entregar a espiritualidade, é preciso entregar também o desenvolvimento pessoal. Isso é bíblico. Todos aqueles que atingiram um alto nível de espiritualidade na Bíblia primeiro se desenvolveram como pessoas para depois se desenvolverem como heróis bíblicos. Se a Igreja entender isso hoje, conseguiremos aumentar em quantidade sem perder a essência do Evangelho e a qualidade dos princípios bíblicos.

O senhor defende que ter um propósito é a chave do sucesso, mas os jovens têm bastante dificuldade de pensar o que querem ser ou para onde irão. Como definir a “Ideia Central Permanente” tão cedo?
Eu chamo de Ideia Central Permanente (ICP) de propósito. É algo que você pode descobrir em qualquer fase da vida, e essa descoberta não precisa ser definitiva, porque a cada etapa vamos amadurecendo e aperfeiçoando essa ideia. Mas você precisa ter ideia do que foi chamado e nasceu para fazer. Quanto mais jovem descobrir, mais sucesso terá. A forma mais prática, como falo no livro “12 Dias Para Atualizar Sua Vida”, é questionar a si mesmo algumas coisas. O que você realmente gosta de fazer e faria de graça? As pessoas o escutam quando você fala o quê? Essas são perguntas que estão no primeiro capítulo do livro e ajudam qualquer pessoa a encontrar o seu propósito.

No seu livro “Descubra o Seu Destino”, o senhor ensina isso?
Nesse livro eu ensino como a pessoa pode desvendar e para onde ela está indo. Através das amizades que ela faz, dos livros que lê, da coerência que tem na vida, dos planos, da percepção sobre o uso da matéria-prima ou do dom dado por Deus. Propósito é quando você descobre o que tem que fazer, e destino é para onde você vai quando descobre o seu propósito.

O livro ficou em terceiro lugar como um dos mais vendidos no Publish News, com 6,5 mil cópias. Qual o motivo para tanta procura pela obra? As pessoas estão sedentas de mudança?
É verdade. Essa quantidade de livros vendidos em tão pouco tempo nos dá a certeza de que é um assunto que as pessoas querem entender. Como eu posso descobrir onde estou indo, ou seja, o meu destino? O que eu posso fazer hoje para mudar a minha realidade e também melhorar o meu futuro? É uma sede que as pessoas possuem e que conseguimos responder no livro.


Sobre o livro “12 Dias Para Atualizar Sua Vida”, como ser relevante em um mundo de constantes mudanças, pensando na dificuldade que o brasileiro tem de leitura?
Escrevi esse livro de uma forma muito prática, porque queria passar um conteúdo sério, profundo e ao mesmo tempo simples, de forma que qualquer pessoa, independentemente do grau de escolaridade, pudesse entender. Dividimos em 12 capítulos e colocamos o nome “12 Dias” para a pessoa compreender que pode ler um capítulo por dia e melhorar sua vida nesse prazo. Graças a Deus alcançamos um nível de sucesso surpreendente e agora estamos chegando a 100 mil cópias vendidas. Isso para nós é uma grande vitória.

Em um mundo de constantes e profundas mudanças, o principal desafio da Igreja é se modernizar sem distorcer ou afrontar a Palavra?
O principal é atualizarmos a mensagem sem mudar o seu conteúdo. Por exemplo, o filme “Titanic”, que estava na Blockbuster, que era a maior locadora de vídeos do mundo, é o mesmo filme “Titanic” que está na Netflix. Eles não melhoraram a mensagem do filme para ficar atualizada para a Netflix, que por sua vez modificou a forma de entregar. O que precisamos mudar hoje, no Evangelho, no meio cristão, nas igrejas, é a forma que entregamos a mensagem, pois ela nunca muda.

Qual a mensagem que o senhor deixaria para os amigos de Comunhão?
Descubram o seu propósito e vivam o seu destino. Essa é a graça e o sentido da vida. Descobrir por que você faz o que faz e para onde você está indo fazendo isso. Quando eu descobri isso, comecei a escrever sobre isso e ajudei pessoas e todo o sentido da minha vida. Enquanto a eternidade não chega, enquanto não passamos para a eternidade, todo o sentido dessa vida terrena está concentrado no propósito e no destino. Descubram isso e sejam felizes.


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