“A orfandade prejudicou a minha alma e me feriu”, diz pastor

A experiência traumática na infância serviu para usar o perdão e ter paz.Foto: Reprodução Web

A declaração é do pastor Paulo Lima, que resolveu contar um testemunho que marcou a sua vida na infância. “Eu era filho de um pai vivo mas me sentia órfão”, diz.

Há 22 anos, o pastor Paulo Lima, do Ministério Família Debaixo da Graça, em Bragança Paulista (SP) trabalha com aconselhamento de pessoas com problemas familiares. São traumas de abusos, rejeições, orfandade e outro. Além disso, é autor de pelo menos cinco livros que tratam sobre a temática.

Hoje, aos 50 anos, ele resolveu se expor para contar um trauma que sofreu aos 9 anos de idade para ajudar outras pessoas a não terem medo de se expor. “Creio numa maior abrangência e velocidade e quebra de crenças limitantes”, diz o pastor falando que sua história pode servir de exemplo para outros que passam pelo menos problema.

Trata-se de uma mentira que um homem teria contado para o pai do pastor. “Um homem teria contado mentira para o meu pai de que eu estava fazendo desordens na rua junto com outros garotos da minha idade. Meu pai acreditou, não me aconselhou e me espancou. Na verdade, ele não sabia lidar com os  filhos e com a família. Ele não conseguia administrar as emoções. A orfandade prejudicou a minha alma e me feriu.”, declarou.

A marca

A atitude do pai marcou a vida do pastor. O trauma durou por 30 anos. “Eu apanhei do meu pai de 21h às 4h. Eu não sabia por que estava recebendo tantas pancadas. Eu só sabia que a cada vez que o cinto encostava nas minhas costas ele tirava um pedaço da minha carne, do meu ser e da minha alma. Eu desmaiei, mas não chorei”.

Paulo relata que o pai resolveu espancar ao invés de aconselhar. Diante do espancamento ele não conseguia chorar. “Eu estou apanhando injustamente. Minha pele ficou na água. E eu não conseguia chorar. Fiquei um mês sem ir na escola por que eu considerava o meu pai como herói. O homem que deveria me defender, agora é meu agressor. A alma  não se limpa de dores. O tempo isola e congela, mas o sentimento fica na alma”, declarou.

Restauração

Aos 39 anos, Paulo, que já era pastor, teve a vida transformada. Ele relata que uma vez estava na casa dos pais com a família. E foi surpreendido com um pedido de perdão do pai. “Meu pai me disse que queria pedir perdão por algo que fez comigo há 30 anos. E ele relatou que ficou com muita raiva do homem por que doeu nele. E com isso acabou batendo em mim a noite inteira. Isso me maltratou por 30 anos”, contou.

Pela primeira vez depois de 30 anos o pastor conseguiu chorar. Foi uma colisão de sentimentos e restauração. “Aquele dia foi muito especial, consegui chorar compulsivamente. Hoje, com 50 anos, a minha amizade com o meu pai é muito melhor”, disse.

O pastor diz que o perdão é o lime da alma do ser humano, e é Deus que promove o arrependimento da pessoa. “Eu era filho de um pai vivo mas me sentia órfão. Paternidade é um sentimento que se sente na alma. Meu pai é meu intercessor. Deus transformou ele em grande intercessor”, concluiu.


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