Storge, meu primeiro amor

O casal Breno Pontes e Cláudia Luzes não economiza amor ao pequeno Pedro, 6 anos, e à futura filha.

A quarta forma de expressão de amor revela-se como base de relacionamento dentro de casa e afeta todos os outros vínculos

Um abraço aqui, um “eu te amo” ali, um colo mais adiante para acalmar o choro, ou um mimo quando não se resiste ao olhar pidão; um elogio ou um conselho assertivo; a proteção do herói no momento em que o medo bate forte; a disciplina dura para se livrar dos maus caminhos. Essas manifestações de carinho traduzem algo lindo que une de maneira singular pais e filhos: o amor storge. Com essa expressão muito intensa de afeto, Comunhão encerra, no mês da família, a série “As Formas de Amar”.

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Storge é o primeiro amor na vida de uma criança, que logo ao nascer o recebe dos pais, com os quais normalmente tem o primeiro contato. A partir dele, os pequenos formarão o próprio modelo de afeição. Esse carinho vivenciado no lar tem um efeito tão intenso nos filhos que se refletirá futuramente na fase adulta, influenciando seus relacionamentos.

Essa é a quarta expressão para amor, originária do grego “coinê”. Enquanto “ágape” denota o amor sacrificial; “eros”, o amor romântico; e “philos”, o amor fraternal, “storge” se aplica ao amor que se vivencia no seio familiar, especialmente a afeição que deve existir entre pais e filhos. Essa palavra não aparece no Novo Testamento, mas seus princípios sim. Refere-se de maneira mais direta ao amor e à dedicação familiar.

“Devemos sempre cultivar o amor storge no dia a dia da família” – Gilson Bifano, pastor

O pastor Ozias Ribeiro, da Primeira Igreja Batista de Laranjeiras, na Serra, afirma que, “embora na família moderna o coinê se limite ao relacionamento de núcleo mais restrito, na sua versão antiga o sentido é do laço de amor entre familiares de forma ampla. Nessa perspectiva, o nepotismo (forma de favoritismo para com parentes) é algo não apenas valorizado na cultura grega antiga, mas também até incentivado, como manifestação amorosa. A ascensão de um membro honra toda a família, do mesmo modo que a derrota de um lhe traz vergonha. A relação familiar é algo bem complexo e difícil. Deus nos ajuda a romper as barreiras e a continuar unidos em família”.

Fazer com que o filho se sinta próximo dos pais em todos os sentidos é um desafio. Por isso, o diálogo e o contato físico são de suma importância para demonstrar carinho e transmitir paz, segurança e tranquilidade. A Bíblia aponta o caminho para a prática do storge. “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse com eles quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (Dt 6:6,7).

 

Fonte: Entrevistados da matéria

Uma citação do escritor Theodore M. Hesburgh indica a adequada conduta a se abraçar nesse aspecto: “A coisa mais importante que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles”. O inverso também é verdadeiro. O fato é que o jeito amoroso e gentil que os pais se tratam em família é o exemplo que os filhos irão seguir.

O pastor e escritor Gilson Bifano, diretor do Ministério Oikos, no Rio de Janeiro, explica que, no português, a melhor tradução para storge é de fato “afeição”. “Mas, assim como a palavra grega ‘eros’, o termo ‘storge’ não está contido na Bíblia. Entretanto, podemos encontrar uma derivação dele: ‘astorgos’, que aparece em Romanos 1:31, quando Paulo afirma que as pessoas sem conhecimento de Deus não têm amor pela família. Também surge em 2 Timóteo 3:3, com a mesma finalidade. Em Romanos 12:10, vê-se ‘philostorgos’, uma junção dos verbetes ‘philos’ e ‘storge’, numa passagem que nos exorta a nos dedicar ao amor fraternal.”

Recentemente comemorou-se o Dia das Mães, data que se tornou tradição no Brasil e no mundo. Na ocasião, as homenageadas recebem presentes e lembranças dos filhos ou pequenos gestos que demonstram seu reconhecimento e gratidão. E elas sempre esquecem qualquer dor ou tristeza pelo fato de tê-los por perto. “Ao dar à luz o filho, a mulher sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de vê-lo vindo ao mundo” (Jo 16:21). Ela o olha e simplesmente o ama. É o storge na prática.

Amores corrompidos

Todas as quatro formas de amar, apresentadas nesta série desde o mês de março, estão corrompidas, cada um de modo bem específico. “O amor ágape, altruísta e puro, desapareceu da sociedade de maneira geral. O eros foi deturpado com o hedonismo, a busca do prazer pelo prazer. O companheirismo e a amizade leal do philos têm sido trocados pela competição, inveja e ganância.

“Deus nos ajuda a romper as barreiras e a continuar unidos em família” – Ozias Ribeiro, pastor

A família tem perdido seu elo de unidade e cuidado do storge. Todo o propósito de amor, por causa da natureza pecaminosa, foi corrompido. Por isso precisamos de uma restauração em Cristo, que é amor”, observa o pastor Ozias.

Finalizando, Gilson Bifano afirma: “Devemos sempre cultivar o amor ágape em nossas relações humanas. O amor sacrificial, sem interesse, e que se doa. O philos, que é o amor que une as pessoas pelos laços da amizade. O eros, na relação do casal e, por último, o amor storge, no nosso dia a dia da família.” “Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos” (Pv 17:6).


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