Que tal um passeio no deserto?

Foi no deserto que ocorreram os milagres mais extraordinários da História. Mas o deserto seria somente um lugar físico? ─ Certamente não! Há algum legado na passagem por ele? ─ Com certeza sim!

Nessas idas e vindas vsitei o grande deserto do Saara. Passei um dia inteiro ali onde os ventos secos contra-alísios são predominantes. Eles afugentam as nuvens, e o sol é muito mais intenso do que em qualquer outro lugar. O solo formado de areias e dunas é altamente aquecido. Não obstante o pôr-do-sol no deserto ser uma das coisas mais lindas, ele pressupõe solidão.

É um engano (um reducionismo) ver a solidão como uma condição absoluta. Ela é um sentimento. É inconsistente a busca pelo autoconhecimento sem um “mergulho” em suas águas profundas. Por isso, o deserto não é, necessariamente, somente um lugar físico.

O teólogo Martin Bubble foi assertivo ao sustentar que há dois tipos de solidão. O primeiro é o isolamento decadente, caracterizado pela ausência de relações intrapessoais e interpessoais; é uma emoção negativa. O outro é especial, um lugar ideal à meditação e à aproximação do Espírito Santo de Deus; é uma emoção positiva.

Sem dúvida, por ser o deserto imenso como o é o amor, a misericórdia e a Graça de Deus, seja ele um lugar físico ou não, é inspirador desse tipo especial de solidão. No deserto, sou impulsionado a um exame introspectivo. No deserto, conscientizo-me de quem realmente sou e passo a depender mais de Deus. Absorto, tenho a oportunidade de clarear a minha visão a respeito de mim mesmo, e intensificar a comunhão com o Pai Celestial.

É no deserto que tomamos consciência de nossa fragilidade. Lá há perigos, porque as possibilidades humanas terminam. Surge o risco da tentação. Contudo, como Jesus saiu vitorioso (Mateus 4:11), confiando no Senhor, nós também venceremos.

Era a sós, na solidão, que Jesus, vivendo na forma de homem, por meio da oração, intensificava sua comunhão com o Pai e revigorava as forças para levar adiante a Sua missão redentora. É na solidão do nosso interior que Ele manda que oremos a Deus: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te compensará” (Mateus 6:6).

Foi solitário, no deserto, ao vencer a tentação, que Jesus nos ensinou o quanto é importante passarmos por ele. Precisamos ir ao deserto para, na dependência de Deus, vencermos as tentações, livrarmo-nos de medos, fraquezas e egoísmos. Muitas vezes, o desejo de nosso coração somente é atendido após a passagem pelo deserto, porque quando entregamos nossa vida ao Senhor e confiamos n’Ele, Ele cuida de nós.

Se você é um cristão e, de repente, se vê num deserto, ainda que hostil e sombrio, não se desespere. Isso pode não ser ruim. Talvez seja um sinal de Deus. E, se for, é muito bom. “Primeiro, porque a Bíblia afirma, em Salmos 34:19, que muitas são as aflições do justo. Segundo, é que Jesus disse que teríamos tribulações (João 16:33)”. Não foi dito que as aflições seriam dos ímpios. Não! Elas são dos justos, seguidores do Senhor. Não foi dito que as aflições durariam para sempre. Não! Acompanhada da afirmação contundente, vem a promessa maravilhosa: “O Senhor nos livra”, e uma Palavra confortadora: “[…] a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória” (2 Coríntios 4:17).

Finalmente, não se esqueça de que no deserto o mar se abriu, o sol parou, e a posse da terra prometida ocorreu depois que o povo de Deus passou por ele. Lá, milagres acontecem! Pense nisso, creia e espere. Deus está olhando para você!

Clovis Rosa Nery. Psicólogo, autor de 11 livros e membro da PIB Vitória


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