Joseph Fiennes: O Clavius do filme “Ressurreição”

Por Ivy Coutinho (Tradução: Waldemar Rocha)

Estreou no dia 17 de março, em mais de 470 salas de cinemas do país, o filme “Ressurreição” (“Risen”). O longa-metragem mistura a pura criação da sétima arte com a narrativa bíblica de maneira surpreendente. 

Com divulgação no Brasil feita pela 360WayUp, uma agência de comunicação de filmes cristãos, “Ressurreição” retrata os primeiros 40 dias após a ressurreição de Jesus. A produção é uma produção da Sony Pictures.

Com direção de Kevin Reynolds, a produção é protagonizada por Joseph Fiennes. Ele interpreta Clavius, um ambicioso oficial romano, ordenado por Pôncio Pilatos para localizar o corpo desaparecido de Yeshua (Jesus de Nazaré), a fim de acabar com uma revolta iminente em Jerusalém. O impacto de Clavius sobre os apóstolos, e deles sobre ele, conduz a uma reflexão criativa sobre o drama.

Britânico, ator de cinema e teatro, Fiennes – mais conhecido por sua representação de William Shakespeare em “Shakespeare Apaixonado” (“Shakespeare in Love”) – falou em entrevista exclusiva à revista Comunhão como foi o processo de criação de seu personagem, de sua ligação com Deus e das expectativas em relação ao lançamento.

Confira o bate-papo!

Olá, Joseph. Vou começar a entrevista perguntando, quem é Jesus para você?
Para mim, ele é tudo que um homem é. Ele é tudo que, do meu ponto de vista pessoal, o que nós devemos ser. Ele veio na forma de homem, como representante de Deus, e assim vive dessas inconsistências falíveis como ira e dúvidas, sentimentos inerentes aos seres humanos. São coisas que eu sinto, da condição humana. Assim, se percebo que a história de Cristo fala comigo é por causa desse elemento. E aqui está um homem que se agarrou nas suas crenças e fé até o último grau.

Viver Clavius é diferente, quando comparado às produções seculares (não cristãs)?
Eu estava preocupado que o público pudesse não gostar do meu papel, para começar. Mas ao menos ele é um homem honesto, mesmo que as pessoas não gostem da forma como ele age, sendo tão condicionado pela vida militar romana. É possível dizer que Clavius poderia ser livre, baseado na história do centurião romano. Mas ele é muito solto e isso é muito mais ficcional. Assim, de certa forma, não é muito diferente também.

Precisou ter aconselhamentos de ministros cristãos para fazer o longa?

Sim, e eu penso que fizemos certo. Percebo que há esmagadora reação positiva dos teólogos e ministérios cristãos com quem buscamos conselhos durante as filmagens e processos de edição.

Depois de interpretar Clavius, um personagem conduzido pela incredulidade, você mudou sua maneira de viver?
Eu sempre estou aprendendo. O personagem me leva a uma viagem. Eu sei onde o personagem está indo, mas ao mesmo tempo eu nem sempre sei como ele vai reagir naquela cena. Eu devo ter uma direção como deveria ser, e assim eu atuo. As pessoas ficam emocionalmente atraídas para outra área que você ainda não estava consciente.

O diretor Kevin Reynolds disse que teve a ideia de contar “Ressurreição” como uma série de investigação, com um detetive em busca de respostas inexplicáveis. Se inspirou em alguém para isso?
Como gladiadores treinam muitas técnicas militares romanas nos combates, fui a Roma antes de começar as filmagens e me inscrevi numa escola de gladiador.

Qual a relação da Bíblia com a história do filme?
A gente chega à história de Cristo por meio do ângulo frio de um soldado romano, que é de fato diametricamente oposto, um não crente, um tribuno romano.

O que torna “Ressurreição” um filme diferente de outros épicos bíblicos que vimos até hoje?
O filme “Ressurreição” fala sobre confrontar sua condição e também sobre ter uma segunda chance. Há redenção na jornada de Clavius, que está na indústria da morte, porém encontra o homem que ele matou e é perdoado. E todos nós sabemos como é fazer uma escolha ruim, mas a ideia de podemos ser perdoados é algo maravilhoso e que não precisa ser ligado à religião.

“Ressurreição” estabelece equilíbrio entre criação artística e Evangelho?
Temos muitos filmes que são muito conservadores, aqueles chatos de escola dominical, ou aqueles revisionistas revolucionários que não tinham nada a ver com a Bíblia. Aqui, eu penso, pela primeira vez acertamos o equilíbrio.

Disse numa entrevista que “O sucesso deste filme irá acontecer se qualquer pessoa, de qualquer crença religiosa ou nenhuma crença, puder se sentar e compartilhar o espaço juntos e desfrutar da tela de cinema”. Por quê?
Eu penso que “Ressurreição” é um longa-metragem atrativo tanto para religiosos e não crentes. Por que, sendo religioso ou não, você pode absorver muito temas da história.

Qual seu maior medo?
Que o medo fique grande demais…

 

Confira o trailer de “Ressurreição”.

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