Presidente Kennedy: o desafio de “trocar as rodas com o carro andando”

Uma das cidades menos populosas do Espírito Santo, com densidade demográfica de 19,51hab/Km2, segundo estimativas do IBGE (2016), Presidente Kennedy detém o maior PIB per capita do país, em grande parte devido às atividades de exploração da Petrobras e outras empresas na camada pré-sal.

Se a receita do município fosse distribuída igualmente por seus 11.396 moradores, cada um teria rendimento anual de R$ 815.093,79, No entanto, ainda há muita pobreza e desigualdades, que precisam ser vencidas pela prefeita Amanda Quinta (PSDB), reeleita aos 27 anos, com 5.643 votos.

Como estavam as contas públicas do município no encerramento do primeiro mandato e a realidade hoje?
Encerramos 2016 com as contas públicas em dia, apesar da queda de receita devido à crise no país. Graças ao trabalho feito pela administração, com a criação de um fundo, onde poupamos parte do arrecadado, o município hoje não precisa diminuir o ritmo de investimentos. Estamos investindo cada vez.

O que foi possível avançar na administração este ano?
Bem, não há que se falar em 100 dias, quando estamos dentro de um projeto contínuo. Temos mais de 1.560 dias de governo, graças a Deus. Chegamos até aqui com o aval e apoio da população que votou em mim e pela minha reeleição.
Nestas centenas de dias, temos muitos projetos bacanas, e, se formos falar deste início de ano, dos 100 primeiros dias deste segundo mandato, o que posso dizer é que dei continuidade a importantes obras no município. Na última semana, fizemos a entrega de 30 casas populares do Loteamento de Interesse Social de Marobá. Foi um momento muito emocionante para aquelas famílias, e para todos os envolvidos. Muito bom poder de alguma forma melhorar as condições de vida daquelas pessoas.

Pecuária, mandioca, maracujá, cana-de-açúcar, leite, mamão e exploração de petróleo continuam sendo a base da economia?
Sem dúvidas, principalmente em relação à exploração de petróleo, mas sabemos que essa é uma riqueza finita, fora isso, a agropecuária é a principal atividade geradora de emprego e renda, sendo responsável por 78% da arrecadação própria, principalmente a pecuária com produção de leite e carne, seguidos pelo abacaxi, cana de açúcar, mandioca e fruticultura.

Kennedy é um dos maiores produtores de leite do Estado. Qual a produção anual, quantos produtores e quantos empregos gerados?
A produção de leite chega anualmente aos 18 milhões de litros de leite, sendo o maior produtor do sul e um dos maiores do Estado. Há no município 375 produtores de leite e com essa atividade rural são gerados cerca de 600 empregos.

Porque ainda há tantas desigualdade sociais mesmo diante do maior PIB per capita do país?
Os desafios que persistem que ainda persistem em Presidente Kennedy são complexos. Mas é importante dizer que, em 53 anos de história, a cidade jamais viveu um ritmo de progresso como o que estamos impondo. Infelizmente, décadas de abandono, de ausência das necessidades mais básicas, como saneamento, por exemplo, não são apagadas e nem mudadas da noite para o dia.

Estamos focados na resolução desses problemas, com projetos e obras, investimentos sociais, mas é preciso “trocar as rodas com o carro andando”. E é o que estamos fazendo. Assumi uma cidade desacreditada, saindo de uma intervenção estadual, com dezenas de contratos quebrados e em total descrédito.

Não havia condições básicas para o tão sonhado progresso, apesar do volume de recursos recebidos nos últimos anos. As obras básicas, de calçamento, saneamento e planejamento foram iniciadas nesta gestão, que vem cuidando também para que não haja desperdício e mal uso do dinheiro público.
Com o Fundo criado para a aplicação dos recursos dos royalties, a cidade hoje possui condições de manutenção por pelo menos 20 anos, graças ao zelo da administração atual, que vem pavimentando o caminho para os futuros gestores.
Foi com muito trabalho e dedicação que reerguemos a cidade e conseguimos de volta a nossa credibilidade e a confiança da nossa população.
Agora estamos investindo mais de R$ 300 milhões em obras das mais diversas. Quilômetros de calçamentos, pavimentação asfáltica, reformas de escolas e postos de saúde, construção de creches e casas populares. A cidade se transformou num verdadeiro canteiro de obras e o progresso salta aos olhos. Sobre royalties, Presidente Kennedy arrecadou no último ano pouco mais de R$ 150 milhões (30% a menos do que em 2015) com a exploração de petróleo, o que equivale a cerca de 80% de toda a receita.

O fato de possui a maior reserva marítima de petróleo do Estado – cerca de 1,9 bilhões de barris – faz com que especialistas apontem Kennedy como a próxima capital brasileira do petróleo. O que isso representa para a infraestrutura da cidade?
Estamos vivendo hoje uma grande expectativa com a proximidade do início das obras de instalação do Porto Central em Presidente Kennedy que terá parceria com o Porto de Roterdã (HOL) – entre outros investidores – e para isso obras de infraestrutura, com calçamento, pavimentação, drenagem, rede coletora de esgoto e água estão sendo construídas. Serão mais de 160 km de estradas com pavimentação asfáltica que impactarão diretamente na logística de deslocamento e escoamento de produção, das empresas que futuramente se instalarão na cidade.

Kennedy também possui um dos maiores mangues do país. Esse fato influencia na economia local?  
Em Presidente Kennedy é um dos maiores do país. São aproximadamente cerca de 300 hectares cercados por Mata Atlântica e restinga. Todavia, não existe expressiva exploração no município.

havia um investimento de US$ 2,7 bilhões anunciado pela Ferrous, que chegou a ser liberado pelo Ibama. Por que ele não andou?
O investimento da Ferrous teve seu principal entrave na crise mundial ocorrida na cadeia do minério de ferro, que desestimulou investidores por todo o mundo em novas plantas do setor. Em sequência, com o agravamento da crise hídrica ocorrida a partir do ano de 2014, a Ferrous não conseguiu renovar a concessão do mineroduto, uma vez que o transporte de minério da jazida até o porto é realizada através de água, inviabilizando a construção do mineroduto, da planta de pelotização e do porto destinado a exportação do minério de ferro e subprodutos.

Se a construção da EF 118 (Estrada de Ferro Vitória x Presidente Kennedy) for efetivada, além das atividades do Porto Central, a ferrovia tornará viável a construção da Planta de Pelotização e da Usina Siderúrgica da Ferrous em Presidente Kennedy, uma vez que a ferrovia será o meio de transporte do minério de ferro das jazidas da Ferrous na região de Viga/MG até o município de Presidente Kennedy.

O Porto Central aguarda liberação do Ibama. Quando as obras tiverem início mesmo, o que o empreendimento passará a representar para a cidade?
A implantação do Porto Central trará para o município de Presidente Kennedy bem como para a região sul do estado do Espírito Santo e norte Fluminense, investimentos diretos e indiretos com geração de emprego e renda, que modificará a estrutura geoeconômica da região.

A criação de aproximadamente cinco mil postos de emprego de forma direta. Provavelmente, face a amplitude do investimento, a geração de tributos diretos e indiretos referentes a instalação do porto irá suplantar a maior receita própria que temos hoje, que é da agropecuária que hoje representa 78 % por cento da arrecadação própria, tornando-se a principal atividade geradora de emprego, renda e tributos para o município.

Qual a prioridade para este ano ainda e a meta até final do mandato?
Continuar trabalhando e preparando os kennedenses para a vinda dessas empresas, investindo em educação e em qualificação. Trabalhando incansavelmente para trazer investimentos que possam gerar empregos, aumentar a renda das famílias e diminuir a dependência do poder púbico.