Pregador Luo: “Ainda não estou 100%”

Foto: Facebook

Artista cast da Universal Music desde 2015, Pregador Luo fala sobre seu atual estado após luta contra a depressão.

Por Rafael Ramos

Um dos pioneiros da cena hip-hop dentro do segmento cristão, o Pregador Luo coleciona sucessos em seus mais de 25 anos de carreira. Artista do cast da Universal Music Christian Group desde 2015 por onde lançou dois álbuns – “Governe!” e “Retransmissão” – o cantor foi notícia após assumir publicamente sua luta contra a depressão.

Durante sua passagem pela Expo Cristã, ele assumiu não estar ainda recuperado completamente. Mas se considera um sobrevivente assim como diz a música de Marcela Taís onde ele faz uma participação.

Para a Comunhão, o rapper disse estar fazendo acompanhamento com uma psiquiatra. E faz um alerta à igreja sobre a importância de voltar os olhos para esse tema. Ele agradece a Deus por estar aos poucos conseguindo dar a volta por cima. Confira!

Dez meses após sua luta contra a depressão, como está sendo esse retorno?

Mano, eu estou feliz porque a minha rotina nesse período de depressão mudou muito, mas não estou 100% ainda. Para você ter uma ideia, essa foi minha terceira apresentação nesse ano. Eu fiquei tão mal que eu não conseguia me apresentar e agora estou tendo esse equilíbrio, essa estrutura emocional sendo refeita. É como se tivesse quebrado minhas pernas e eu estivesse tetraplégico porque não estava conseguindo sair ou socializar com ninguém. O meu emocional ficou muito abalado e, graças a Deus, depois de um trabalho com uma psiquiatra que deu uma atenção para o meu caso, o uso de medicação, oração e tempo, estou muito melhor do que estava há dez meses atrás onde cheguei a ter pensamentos suicidas. Essa volta está sendo fenomenal por saber que tenho condições de fazer o que fui chamado para fazer e que eu amo fazer.

Acredita que ainda exista certo preconceito em relação a esse assunto dentro da igreja, que muitas vezes resume a solução para a depressão em uma oração e desconsidera a importância de uma ajuda profissional?

Às vezes a coisa é até mais séria que só um psicólogo. No meu caso, eu procurei até uma psiquiatra porque a gente tem problemas hormonais e químicos na nossa vida e a minha depressão foi química e até uma coisa hereditária já que meu avô e meu pai foram depressivos. Isso me abateu, mas, como eu conheço a Palavra de Deus, ela me levantou muito e me deu um rumo diferente do que a minha família teve. Por um momento essa hereditariedade acabou me afetando em algumas coisas pelas quais eu passei como alguns traumas e acabou sendo um gatilho que estourou tudo isso. Com relação à igreja ter que se importar com isso de uma maneira mais séria, isso não deve ser feito só através da oração, do jejum e do aconselhamento, a igreja tem que se importar muito com várias questões que ela tem negligenciado e a depressão é uma delas. As pessoas costumam sempre relacionar tudo ao espiritual e a demônios quando, na verdade, é um problema químico. Do mesmo jeito que uma pessoa está com dor de cabeça e toma uma aspirina que causa um equilíbrio, o cérebro também precisa. Então são vários hormônios que entram em declínio e quando você toma uma medicação isso volta a te colocar no seu ponto de equilíbrio. Eu tenho tomado medicação e isso tem feito a diferença. Depois que eu passei a tomar medicação isso mudou meu ânimo, minha forma inclusive de entender a coisa. Eu não estava percebendo o estágio em que eu estava e depois da medicação eu passei a perceber. Eu deixo aqui o meu alerta para todos que estão passando por isso: procurem ajuda médica, procurem um psicólogo, procurem um psiquiatra, orem bastante também, mas não negligenciem sua saúde e não deixem que ninguém negligencia sua saúde por você. Se não consegue ir sozinho, chame um amigo, chame um parente, mas não deixe de ir porque depressão é uma coisa muito séria e pode acabar com sua vida.

Em meio a essa volta, você gravou uma participação na música “Sobrevivi” de Marcela Taís. Como foi essa parceria?

Já faz um tempo que a gente queria gravar alguma coisa juntos e ela me chamou. A Marcela tem alguns traumas também que ela superou e como eu estava passando por esse momento, que acabou repercutindo depois que eu coloquei um vídeo na internet como um grito de alerta, ela achou que seria legal para uma canção que ela estava compondo porque ela também é sobrevivente de uma situação. Você pode ter sobrevivido a essa situação, mesmo não estando 100% e eu também sou um sobrevivente. Todo mundo passou a tomar conhecimento do meu problema e me enviaram orações, me enviaram positividade e falaram que eu estava certo em pedir ajuda. Sobre a música “Sobrevivi”, um dia antes da música ser lançada, ela sofre um acidente, o carro capota, ela machuca o pé, uma das pessoas tem o maxilar fraturado e parece que a gente ganhou um marketing que tinha tudo pra ser negativo, mas foi um livramento. Deus foi lá e nos hornou porque poderia ter sido fatal. Como uma pessoa que lança uma música chamado “Sobrevivi” morre na véspera de lançar uma música como essa? Então foi um livramento de Deus para que a gente psosa crer no livramento do Senhor e mostrar para outras pessoas que elas são sobreviventes apesar do trauma e da dor. Como fala a canção ‘O sol continuará lá mesmo que chova’. Então, contiuem acreditando porque o Senhor está cuidando da gente em todos os momentos.


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