“Pornografia é sintoma”, diz pastor David Riker

Foto: Reprodução Web

O líder ministerial coordena o Ministério SER – Sexualidade e Restauração, que busca a prevenção e o enfrentamento dos desafios atuais.

O pastor David Riker estará em Vitória ministrando o assunto junto com a esposa, a missionária Brena Riker, em Vitória (ES). Será o seminário “Sexualidade e Família”, realizado pelo Ministério Luz na noite.

Evento é inédito na capital do Espírito Santo. E propõe estratégias de enfrentamento no que diz respeito a sexualidade. O assunto tem ganhado destaque e preocupado líderes ministeriais. Segundo Riker, a pornografia tem crescido entre os cristãos. Veja o que ele falou sobre o assunto na entrevista a seguir.

Quais os principais desafios que a família cristã passa na educação sexual dos filhos? E como a Igreja pode ser uma voz mais relevante neste século na área da sexualidade?

Os desafios referentes ao ensino sobre sexualidade na família e na igreja estão
relacionados a superação. Trata-se da nossa opção (omissão) histórica por desestimular o
diálogo aberto sobre o tema, do pudor excessivo frequentemente justificado por uma
religiosidade dualista que demoniza o corpo, o sexo e o prazer sempre distanciando
estes fenômenos do Criador. E também do apavoramento diante daquilo que é complexo e
sobre o qual pouco sabemos. Neste sentido, entendemos que tais posturas nos
aproximaram de respostas simplistas e reducionistas, as quais não estão à altura das
demandas contemporâneas. Para resgatar nossa relevância precisamos investigar as diversas dimensões da sexualidade humana (física, emocional,
espiritual e social); dialogar sem rodeios sobre os temas-tabus que estão à luz do
dia; assumirmos o protagonismo na educação sexual de nossos filhos, calcados na sã
doutrina e municiados com ferramentas eficazes; construir em nossa comunidade
de fé um ambiente de inclusão responsável, isto é, um lugar no qual todos se sintam
bem acolhidos e ao mesmo tempo desafiados a uma vida de arrependimento genuíno
e compromisso com a palavra de Deus. Também precisamos praticar uma teologia na qual Deus é o bom inventor da sexualidade e o maior interessado em nos ensinar graciosamente a vivermos Sua vontade boa, perfeita e agradável. Cientes de que este caminho divino contraria o egocentrismo, a violência e a inconsequência de uma vida guiada por apetites sexuais desregrados. E precisamos aprender a administrar à maneira
de Deus o patrimônio sexual que Ele nos deu.

Qual sua opinião sobre o crescente consumo de pornografia por cristãos?

Pornografia é sintoma e a abundância oceânica de material pornô na internet
aponta para o tipo patológico de sociedade que engendramos. Nela, espetacularizamos o que nos devia ser privado e banalizamos o sexo arrancando-lhe sua áurea de mistério (e certo recato). Resultado: o tornamos animalesco, trivial e vazio. Neste universo tudo está escancarado e instantaneamente acessível. E nós? Certamente infantilizados, basta ver fixação por “nudes” nas redes sociais – nunca no grupo da família, lógico. Para além disto, também somos a civilização da fuga a qualquer custo e o pornô é um falso lugar de refúgio. Logo, a pergunta fundamental é: do que estamos fugindo? Por que a vida é tão insuportável a ponto de necessitarmos diariamente de uma dose de imoralidade na veia (ou no nervo óptico?). O que agrava a situação é saber que a pornografia é uma espécie de intimidade artificial. Haja vista que  intimidade verdadeira é uma das grandes necessidades humanas, sua versão artificial nunca nos satisfará. Quando a esta insatisfação acrescentamos ao indivíduo uma farta porção culpa, o quadro resultante é capaz de levar muitos cristãos (e neste caso ser líder não é atenuante, pelo contrário, é agravante, pois, em geral, estão expostos a mais pressões do que os liderados) a uma progressiva espiral negativa de promiscuidade. Para sairmos desta armadilha vamos precisar organizar todas as áreas da vida. Sim! Há quem as tenha todas bagunçadas, fato que o vulnerabiliza enormemente. Na mesma esteira, precisamos desenvolver como igreja um senso de cuidado mútuo, isto é, irmão-irmão caminhando como quem vislumbra e alegra-se na esperança, liberdade e perdão que Cristo já nos deu (nos é); co-irmãos que desenvolvem juntos paciência e resiliência nas tentações e tribulações e, por último: irmãos que ouvem e oram uns pelos outros até que o Pai nos ensine a colocarmos em nós mesmo limites saudáveis. Nada há de novidade nisto, é o que Paulo receitou para a igreja em Roma no primeiro século: “alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração,
perseverante. Comunicai com os santos nas suas necessidades.” (Rm 12.12-13).

Quais os cuidados que a família deve adotar frente ao ingresso da ideologia de gênero nos currículos escolares? 

Primeiramente, a igreja precisa estar muito bem informada sobre o que é ideologia de
gênero. Precisamos aprimorar nosso discernimento, para sermos hábeis na batalha pela
identidade (ou da tentativa da promoção da não-identidade) de nossos filhos. A partir daí,
seremos capazes de perceber quais são as ideias basilares que alicerçam essa nova maneira de pensar o sujeito, o corpo e a sexualidade. Neste sentido, o princípio elementar da ideologia de gênero é ter na constante desconstrução a forma de interpretar toda a vida. Neste raciocínio nada é o que é porque reflete a vontade de um Criador inteligente e pessoal. Pelo contrário, as coisas estão aí apenas como resultado de uma construção social passível de ser desfeita sem que isso acarrete nenhuma perda a humanidade. No que se refere aos currículos escolares, precisamos agir como cidadãos qualificados e participativos denunciando o caráter ideológico destas abordagens contemporâneas. Além de defendermos o papel primordial da família na educação sexual das futuras gerações, e ao mesmo tempo precisamos ser mais propositivos municiando essas famílias com ferramentas que as auxiliem na tarefa de educar crianças para uma sexualidade saudável.

Que postura você acredita que a igreja deve assumir frente aos homossexuais?

Pessoas que vivem a homossexualidade são seres humanos. Gente amada e alcançada por
Deus da mesma forma que qualquer outro indivíduo. Eles, caso queiram, têm o direito ao
mesmo evangelho que transformou profundamente a natureza espiritual, a identidade e as
escolhas dos não-LGBTIs que estão na igreja. Se conseguirmos tratar com igualdade, sem
privilégios ou vitimizações (ou teologias de minoria, supostamente inclusiva), e ao mesmo
tempo com acolhimento respeitoso e sem hipocrisia estaremos cumprindo a missão nos dada por Deus. E mais, aos que não querem ou não concordam com a condenação bíblica da prática homossexual devem ser respeitados (nem sempre isso ocorre) em suas posições, sendo estimulados a fazerem o mesmo com relação aos que assim interpretam as Escrituras (nem sempre isso ocorre).

Dia: 18 e 19 de agosto
Local: Igreja Batista em Bento Ferreira Vitória (ES) e IPB em Jardim Camburi, Vitória (ES)
Informações: (27) 3223-4853 e email: fonsecadebora04@gmail.com
Inscrições: acesse aqui

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