Por que comemorar os 500 anos da Reforma Protestante?

Fotos Gabriel Chiarastelli

Num ato de ousadia, em 1517, o monge alemão Martinho Lutero pregou um manifesto na porta da catedral de Wittenberg.

Nesse documento ele protestava contra os abusos e heresias da Igreja Católica e expôs o que muitos tinham medo de falar em voz alta.

Logo o documento foi distribuído por toda a Europa. A reação foi extrema. O papa o excomungou, e os clérigos o condenaram. Lutero teve de se esconder para não ser morto. Mas a Igreja não conseguiu abafar a dissidência. Um grande movimento de resistência contra a Igreja já estava se formando. Esse cisma acabou criando o luteranismo e outras denominações protestantes e sinalizou o início da mais importante divisão da religião cristã em toda a história.

Em 2017 estão ocorrendo, em todo o mundo, centenas de congressos, palestras e lançamentos de livros comemorando o que veio a ser conhecido como a Reforma Protestante. Essas celebrações não são apenas homenagens; elas também recordam as razões pelos protestos e nos lembram de que a fé cristã é mais que um conjunto de rituais inertes.

Por que vale a pena comemorar a Reforma?

Para lembrar que nenhuma igreja pode subjugar a Palavra de Deus: Através da Bíblia conhecemos a natureza de Deus e a identidade dos seres humanos. Ali é revelada o plano de Deus para a humanidade, baseado no amor de Deus e no sacrifício do Seu Filho, que possibilita nossa redenção. Qualquer igreja que acrescenta outras regras ou exigências merece ser questionada, assim como Lutero fez diante dos absurdos impostos pela instituição que servia. A Palavra nos guia, mas também confere a nós a ousadia da verdade.

Para lembrar que nossa prestação de contas a Deus não pode ser terceirizada:  Nosso relacionamento com Jesus deve ser cultivado de modo direto, sem necessidade de intermediários. Podemos confessar nossos pecados a Ele e podemos desenvolver uma relação de intimidade com Ele através do estudo da Bíblia, oração e obediência às Suas palavras. A Igreja tem um papel fundamental, mas, quando ela se interpõe entre o fiel e Cristo, não passa de usurpadora.

Para lembrar que a graça de Deus não pode ser negociada ou comprada: Uma das acusações mais polêmicas de Lutero foi contra a venda de indulgências pela Igreja. Essas pseudoabsolvições “garantiam” aos compradores que seus parentes falecidos teriam acesso ao céu. Hoje também há igrejas que traficam em teologias da prosperidade, prometendo bênçãos para quem paga.

Para lembrar que é necessário examinar nossas instituições – e nossas vidas – à luz da Bíblia: O espírito da reforma deve permear nossa caminhada espiritual. Esse espírito inclui a prontidão em reconhecer o erro, a pedir e conceder perdão, a dar mais importância à graça de Deus do que às nossas próprias ideias sobre o que constitui certo e errado. O espírito da reforma nos ajuda a adaptar nosso comportamento e nossas instituições quando necessário, priorizando sempre os princípios da Bíblia mais do que as nossas convenções coletivas.

Mark Carpenter é presidente da Editora Mundo Cristão