Linhares – Polícia diz que “pastor” matou filho e enteado

Foto: Reprodução Web

“Um pastor escandalizar o evangelho por cometer um pecado já é algo lamentável. Um pastor cometer crimes hediondos é algo inimaginável”

Por meio de uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23), o secretário de Segurança Pública, Nylton Rodrigues, e a equipe composta por delegados, peritos, bombeiros esclareceu como ocorreu o crime.

“Esse é um caso estarrecedor pela monstruosidade e crueldade com que foi cometido. As investigações e os resultados são esclarecedores e inegáveis. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público (MP) e ao poder judiciário para que a justiça seja aplicada”, declarou Nylton Rodrigues.

De acordo com o delegado e chefe da 16ª delegacia regional de Linhares, André Jaretta Ardison, esta é uma “cena de crime complexa, por isso exigiu tantas perícias e uma investigação tão profunda”.

“A versão apresentada pelo acusado, o pastor George Alves, tinham inúmeras incongruências. Laudos periciais também eram incompatíveis com o que ele vinha alegando à polícia. As lesões apresentadas pelo investigado também eram incompatíveis com o laudo da perícia apresentado. Esses fatores passaram a sugerir que era um incêndio criminoso. Por isso, a policia viu como necessária uma força-tarefa entre a polícia de Linhares para chegarmos ao real motivo do incêndio”, disse o delegado.

Investigação

De acordo com as investigações, as crianças foram abusadas sexualmente pelo acusado. Com proposito de ocultar a cena, George praticou violência, espancando as crianças. O sangue encontrado no box do banheiro era de Joaquim. Após a agressão, o pastou colocou-as desacordadas na cama. Usou um líquido inflamável e ateou fogo no quarto, fazendo com que as crianças fossem mortas por causa das chamas e não por causa da fumaça.

Segundo o perito criminal da Polícia Civil, Fabricio Pelição, foi confirmado, por meio das análises laboratoriais, que foi utilizado combustível para acelerar o processo do alastramento do fogo no local. Sobre o envolvimento da esposa do acusado, Juliana Salles, o delegado André Jaretta disse que não há indícios de que houve participação ou conveniência dela. Mas ela não tem conhecimento do caso e nem foi ouvida.

“É uma pessoa com distanciamento emocional e com ausência de vínculo afetivo com a família, mas o investigado se sobressai a esse perfil. A crueldade dos atos em si faz-se perceber a continuação do distanciamento emocional, usando da frieza. Ele usava da fé para se esconder desse perfil”, ressaltou a delegada de Crimes contra Crianças e Adolescentes, Suzana Garcia.

Caso George seja condenado, pode pegar pena de 126 anos pelos crimes de duplo homicídio qualificado e duplo estupro de vulnerável.

Caso

Os irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauã Sales Burkovsky, de 6 anos, morreram no dia 21 de abril. Os corpos das crianças foram encontrados carbonizados, dentro de um quarto da residência onde moravam, em Linhares.

Georgeval Alves Gonçalves, 36 anos, mais conhecido como George, era o único que estava em casa com os irmãos. Ele alegou que acordou com o choro pela babá eletrônica e percebeu que o quarto dos meninos estava em chamas. Ele foi preso no dia 28 de abril e não foi ouvido mais depois disso.

Posicionamento da Igreja

No início das investigações, várias igrejas se manifestaram com orações para a família. Mas o que não se esperava era o fato de um líder ministerial ser apontado pela polícia como responsável pela morte das crianças. “Ao receber uma notícia dessa ficamos atordoados, pensando a que ponto chegou a maldade do ser humano e vindo de um pastor nos deixa ainda mais chateados”, declarou o pastor Jeferson Pereira, da Igreja Presbiteriana Central de Presidente Prudente, São Paulo.

O pastor Ebenezer Ferreira Silva, que lidera há 25 anos a Igreja Batista Novo Horizonte em Linhares, desconhecia George e tão pouco a instituição que ele pastoreava.

“Nós estamos perplexos com a situação, isso nos deixa estarrecidos. Um pastor escandalizar o evangelho por cometer um pecado já é algo lamentável. Um pastor cometer crimes hediondos é algo inimaginável para qualquer cristão que busque seguir os passos de Jesus. Especialmente, quando olhamos para a Bíblia e vemos que o pastor deve ser um exemplo para os fiéis. Espero que a justiça seja feita e que ele pague a sua pena”, declarou.


Leia mais

Caso Linhares – Protestos marcam um mês da tragédia
Enterro dos irmãos mortos em Linhares (ES)
Tragédia em Linhares: membros da Igreja acreditam na inocência de pastor

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!