“Os líderes vêem suas ovelhas saindo pelas portas sem rumo”

Pastor Albari Fogaça com a família na Angola. Foto: Arquivo pessoal

A declaração é do Pr. Albari Fogaça, que faz um trabalho missionário na Angola desde 2012. Segundo ele, apesar das igrejas fechadas pelo governo, o povo tem fé.

Cerca de duas mil igrejas foram fechadas na Angola, Costa Ocidental da África. A situação acontece após o governo do país aprovar uma leia que regulariza a atividade religiosa. As igrejas evangélicas estão sob ameaça.

Muitos pastores relatam medo e represálias com a situação. Apesar de toda situação, cristãos ainda tem fé. O pastor Albari Fogaça está com a família desde 2012 no país, desenvolvendo um trabalho missionário pela ONG “Missões até os confins da terra”.

Hoje, ele mora com a família em Luanda, capital do país. Lugar onde várias igrejas foram fechadas pelo governo. Por telefone, ele conversou com a equipe de Comunhão e disse que os pastores estão tristes por verem “suas ovelhas saindo pelas portas sem rumo”. Ele contou um pouco como está a situação. Confira!

Poderia relatar como está a situação no país atualmente por conta das igrejas que foram fechadas pelo governo?

A situação de Angola atualmente com relação as igrejas que estão sendo fechadas, parte de uma lei que está normalizando as igrejas ilegais. Essas igrejas se formaram debaixo de tiros, granadas, tanques na mata, nas comunas, vilas, ou nas cidades. Após a guerra, Deus as levantou muito forte. Isso tudo foi graças à fé do povo que busca e clama ao Senhor pelas suas almas e por um país melhor, sem corrupção, gasosa, sem fome e miséria. O governo estabeleceu o limite para as igrejas se regularizarem, só que o prazo expirou. E a partir disso, começou a fechar as igrejas. E por isso, 1.220 confissões religiosas não reconhecidas oficialmente no país terminou em 03 de novembro, sendo que 81 estão legalizadas apenas. Mais de 50% das igrejas implantadas no país são estrangeiras, provenientes da República Democrática do Congo, Brasil, Nigéria e Senegal. Os requisitos para abrir uma confissão religiosa passam pelo registro de cem mil assinaturas reconhecidas presencialmente no notário, em pelo menos 12 províncias, por fiéis maiores de idade e uma declaração de bens dos líderes religiosos. Falam até que foram fechadas entre pequenas, médio e de grande portes a duas mil igrejas fechadas.

Os cristãos os pastores estão com medo? O que os líderes orientam para seus membros?

Quem quer servir a Deus e vê sua fé abalada está sofrendo as dores por tal coação ao ter suas igrejas fechadas, e colocado na porta uma escrita (cancelada em tal data) e seus pastores recuados, pois são seus líderes, mentores de sua fé em Jesus. Ficam sem rumo procurando onde devem agora servir a Deus. Os líderes, sem ação diante de tal cumprimento da lei do, “vencer da moratória”, estabelecida para ser obedecida até o prazo determinado e vendo-se incapacitados de recolher todas as assinaturas necessárias em tão curto tempo, veem suas esperanças indo por água abaixo. E vêem suas ovelhas saindo pelas portas sem rumo, tendo que orientá-las a tomarem outro rumo ou se unirem as que podem ser mais coerente com sua regra de fé e base.

Está havendo algum tipo de ameaça para pastores, quais?

Diante do que foi tratado junto das instituições competentes saiu a ordem para cumprimento da lei estabelecida e o exército age, o exército vai, pede os documentos da igreja, que não tem identificação e por isso manda fechar com base na lei, e escreve “cancelado e a data”. O não cumprimento da lei surge efeitos negativos aos pastores que por perderem seus cargos, tendo que se legalizar ou procurar outras igrejas. Serve para malandros que também usam a fé para ganhar suas vidas sem qualquer compromisso com Deus e a salvação das almas aos pés de Jesus.

Nas igrejas que já foram fechadas, como os membros estão se reunindo?

Os membros tem se reunido em suas casas ou procuram outras formas para adorar a Deus, o que causa alguns conflitos de ideias, costumes, doutrinas, ensinamentos, culturas, tradições, dialetos. Há cultos que se encontram mais de um dialeto até mesmo línguas, sendo a língua portuguesa a que predomina. Muitas vezes é necessário ter o tradutor ao lado para que seja compreendido. Ou se fala no dialeto e o tradutor traduz para o português. Como forma de protestar, cristãos vão realizar uma marcha pacífica em Luanda, capital do país, no dia 1º de dezembro. Pela liberdade de culto e em solidariedade com as igrejas encerradas, todos unidos por um só propósito.


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