Exclusivo: Cláudio Duarte fala sobre casamentos, filhos, postura cristã

Claudio Duarte

“A intolerância, a incapacidade de conviver com alguém que pense diferente de você. Esse é o grande conflito das pessoas, não apenas das famílias”

Explicar mensagens da Bíblia com humor já rendeu muita polêmica em torno do nome de Cláudio Duarte. Mas o que ninguém discute é que o fato de pregar o Evangelho de forma descontraída e bem-humorada faz com que o pastor se torne cada vez mais conhecido e respeitado.

Seus livros, DVDs e vídeos no YouTube hoje são vistos por dezenas de milhares de pessoas. E acredite, esse público não é formado somente por evangélicos. Muitas dessas pessoas são de outras religiões, e o que as une nessa admiração são a leveza e a proximidade com que esse mestre da oratória trata questões muito sérias relacionadas ao Evangelho.

Apesar da bibliografia com temas bastante variados, ele tem sido constantemente apontado como uma das maiores referências para falar da relação entre casais e também dos pais com os filhos.

As dificuldades e provações vividas durante a infância e a juventude em Minas Gerais, como ele mesmo conta, foram vencidas por meio da fé.
E a conversão veio em 1992, na Igreja Batista Nacional, da qual hoje é pastor.

Recentemente em Vitória, no Espírito Santo, Cláudio Duarte recebeu a equipe de Comunhão. Confira:

O senhor faz um trabalho diferenciado usando a internet para propagar o Evangelho. Qual dica daria para pastores que pretendem usar essa ferramenta para alcançar pessoas para Cristo?

A grande dinâmica é uma inovação na comunicação que mudou, pois saiu daquela formalidade, e tem que haver uma proximidade maior entre aquele que fala e aquele que ouve. Se tivesse que dar uma dica eu diria: “reveja a sua linha de comunicação”. É preciso observar o seu público, pois é muito variado. Temos de ter uma comunicação que seja acessível, porque para entrar na internet é preciso ser atraente, ser ouvido. E para isso é necessário ser ouvido, por isso é preciso rever a linha de comunicação. Digo porque às vezes, para fazer isso, o pastor terá que romper com paradigmas, acabar com aquela formalidade da religiosidade. Se ele conseguir essa mudança, e tiver alguém habilitado em seu ministério para fazer toda essa dinâmica acontecer, terá sucesso.

No meio evangélico, há diferença de roteiro na forma de tratar?

Eu tenho que fazer a leitura. Vejo como as pessoas estão recebendo para saber se eu posso ir para o próximo estágio. Se eu notar que alguém ficou escandalizado com aquela informação, sempre pego daquele nível para baixo. Mas, se receberam bem, então posso ir para o próximo nível. Há diferenças entre falar para casais, jovens, família e até para empresários.

Como seria Jesus se pudesse usar a internet para propagar o Evangelho?

Acho que Ele seria muito bem-sucedido. Jesus sempre usava a comunicação na linguagem correta para aquele determinado público. Exemplo: se Ele estava em meio a pescadores, dizia que o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar; se estava no meio de agricultores,  dizia que um semeador saía para semear. Ele certamente saberia aproveitar muito bem essa ferramenta.

“Jesus sempre usava a comunicação em uma linguagem correta para aquele determinado público. Ele certamente saberia aproveitar muito bem a ferramenta da internet”

 

Polemizar alguns temas é um caminho?

Muitos vídeos viralizam na internet porque alguém utilizou uma frase de efeito ou fez algum posicionamento, ainda que não tenha a ver com o conteúdo, mas que chamou a atenção do público. Ou seja, a frase foi tão impactante que acabou atraindo quem está em busca de informação na internet.

Poderia citar um exemplo de tema que aborda e agrade a todos; e outro que as pessoas se mostrem incomodadas com mais facilidade ou sintam dificuldade de aceitar?

Quando eu falo de relacionamento em nível de comunicação, de como a pessoa pode evitar discussões entre o casal, de esperar o momento certo para falar sobre aquele determinado assunto, todo mundo se sente à vontade, porque identifica com aquilo. Mas todas as vezes que eu falo de relacionamento sexual, de uma forma mais intensa, as pessoas ainda se sentem extremamente desconfortáveis. Porque é assunto que ainda é um tabu, não apenas no meio evangélico, mas também em todos os segmentos.

Por que em 2018 sexo ainda é um tabu tão grande entre as famílias?

Porque todas as vezes que você fala de sexo, o indivído que te ouve faz a ideia de você fazendo sexo com a sua esposa ou seu cônjuge. E isso é muito desconfortável. Quando eu falo alguma coisa sobre sexo, inevitavelmente tenho que conviver com as pessoas pensando: será que ele faz isso com a esposa dele? Como seria? Então é desconfortável para quem fala deixar com que as pessoas idealizem o que estamos falando no momento de sua intimidade. Se você não estiver preparado para falar do assunto, ficará  desconfortável, terá timidez e não terá firmeza no que fala. E ainda pode ser visto como alguém que está falando ou promovendo pornografia, coisas chulas. E esse não é o propósito.

O senhor mantém seu foco no ministério das famílias.
Qual o maior problema das famílias hoje?

A intolerância, a incapacidade de conviver com alguém que pense diferente de você. Esse é o grande conflito das pessoas, não apenas das famílias. O convívio com a mulher que é diferente de mim e de outras pessoas. Às vezes, o temperamento dela é diferente do meu. Por exemplo, eu sou aglutinador; minha esposa, dispersiva. Se não tivéssemos aprendido a conviver com as diferenças, não estaríamos há 26 anos casados. As pessoas têm muita dificuldade de lidar com maturidade com as diferenças.

Essa dificuldade vem da falta do diálogo ou se agrava com a falta dele?

Ela se agrava com a falta de diálogo. Porque às vezes o indivíduo consegue manter um diálogo muito bom no ambiente em que ele foi treinado, mas tem dificuldade de dialogar com alguém que foi treinado no ambiente diferente do dele.

Quando os casais deixam de conversar sobre o que gostam ou não gostam no sexo, na família, isso é muito prejudicial para o relacionamento?

Se você não tratar dos problemas, eles se potencializam. O grande conflito hoje é que as pessoas vivem o problema, sabem que tem, mas como elas não sabem resolver, fingem que ele não existe. Ao longo do tempo, isso só vai se intensificando. Se a gente notasse o problema no início e tivesse coragem de mexer no assunto, poderia solucioná-lo. Mas, como não sei, prefiro fingir que o problema não existe. E aí, quando estoura, não tem mais como resolver.

As igrejas têm sido capazes de lidar com as crises dos relacionamentos, têm conseguido conversar a respeito do aumento do divórcios e ainda têm jogado muito a reponsabilidade nas costas da mulher?

O grande desafio hoje é que estamos vivendo o divórcio da liderança, porque ele inevitavelmente mina a autoridade do líder. É aquela história, você fere o pastor, e as ovelhas se dispersam. A Igreja hoje tem material acessível como nunca teve, mas tem pouca mão de obra qualificada para fazer uso desse material. Isso é um problema.

Os pais têm jogado grande parte da responsabilidade da educação para a escola?

Para a escola e para a igreja. Os pais estão tão ocupados, fazendo tanta coisa, que a escola e a igreja têm que corrigir o filho. Hoje os pais estão tão ausentes do convívio com os filhos que normalmente só conseguem manter isso no fim de semana. Porém, eles se sentem desconfortáveis mentalmente de proibir e de estabelecer limites com o filho. E não conseguem fazer a leitura de que é seu papel no fim de semana tirar um pouco da sujeira das informações inadequadas. A criança, quando vai à escola, suja não apenas o uniforme, mas também suas emoções, recebendo valores equivocados.
Os pais gostariam que o professor e o pastor resolvessem, mas que não fossem muito duros. Eles não têm mais autoridade e, para ter isso com uma criança que perdeu a noção do que é autoridade, você tem que ser mais incisivo. Por exemplo: hoje, se o filho reclamar da professora, a mãe vai até o colégio bater na professora.

“Pensem mais no próximo. O problema da sociedade é falta de amor. As pessoas estão em busca de sua própria satisfação. Se pensar um pouquinho mais no outro, a gente vai conseguir ser feliz”

O fato de as crianças estarem passando tempo demais na internet e jogando em computadores tem criado um individualismo prejudicial para a sociedade?

Tem impedido as crianças de aprender como se resolvem problemas. E eles são resolvidos com exemplos anteriores. Nós tínhamos muita coisa para resolver. Hoje o que eu tenho é só uma coisa: o desejo de passar de nível. Antigamente todos os exemplos e dificuldades que eu tinha se tornavam como base para solucionar os problemas lá atrás. Atualmente as crianças não têm mais o que comparar e ficam frustadas. Antigamente não tínhamos problemas com bullying, porque nossa capacidade de gerenciar emoções era maior, tínhamos mais habilidades nesse sentido.

Que mensagem deixaria aos leitores, internautas e ouvintes de Comunhão?

Eu diria: “Amadureçam”. Uma frase que sempre uso na minha palestra: “Envelhecer é obrigatório, e amadurecer é opcional”. Aprenda a amadurecer, pois isso vai te fazer bem, te tornar mais forte diante das intempéries e dificuldades da vida. Se não fizer isso, você vai sucumbir no caminho, não vai conseguir manter relacionamentos longos e salutares.

O número de evangélicos cresce em todo o país, mas a violência não diminui. Por que essa religiosidade não está impactando a paz social como deveria?

O Evangelho cresceu muito, mas ele se fragmentou, o que trouxe o enfraquecimento. O Evangelho se tornou para muitos um discurso, e não um estilo de vida. É muito confuso para o filho, por exemplo, ouvir o pai dizer “não fume” com um cigarro na mão. Grande parte dos presos tem nomes bíblicos. Muitos deles já foram evangélicos. As pessoas caminharam próximas de um Evangelho que não conheceram, ou conheceram o Evangelho, mas não conheceram o Deus do Evangelho. Nós vivemos esse desnível social, é algo que ainda depende da Igreja, mas que tem ajudado bastante. O crescimento e a emancipação da mulher. O homem ficou assustado com o desenvolvimento delas.

Partindo do princípio de que a família é a base da sociedade, e que a sociedade vai mal, o que dizer aos políticos em geral e à sociedade?

Pensem mais no próximo. O problema é que a maioria dos políticos e pessoas em geral tem mais dinheiro do que precisa para ser feliz.
Se as pessoas conseguissem dividir um pouco mais aquilo que têm, ficaria mais fácil. Mas o problema da sociedade é falta de amor. As pessoas estão em busca de sua própria satisfação. Se pensar um pouquinho mais no outro, a gente vai conseguir ser feliz.


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