Longanimidade: a paciência de Deus

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Assim como Jesus, que exortava em amor sem perder sua longanimidade, o cristão deve buscar o Fruto do Espírito é colocá-lo em prática, a fim de consolidar o caráter semelhante ao do Filho de Deus.

Seguindo a sequência da série sobre o Fruto do Espírito (Gl 5:22), chegamos ao quarto “gomo” desse fruto, a longanimidade, palavra difícil de escrever, dizer e, mais ainda, praticar. De acordo com o dicionário, longanimidade significa “firmeza de ânimo”. Biblicamente, o sentido é parecido e pode ser interpretado como “paciência” ou “longo ânimo”.

E como descrito em Gálatas, a longanimidade verdadeira é um Fruto do Espírito, ou seja, não nasce com a pessoa nem pode ser aprendida em caminhos distantes do Senhor.

O pastor da Primeira Igreja Batista de Cachoeiro de Itapemirim, João Luiz Melo, explica que esta é uma palavra tipicamente cristã, que depois migrou para a cultura grega. Segundo ele, sua essência traz duas vertentes. “A longanimidade para com Deus é nunca desistir da fé, muitas vezes sendo traduzida como paciência, como no livro de Hebreus (6:15), referindo-se a Abraão. Para com o próximo, o termo representa a característica necessária para o amor”, explica o pastor João Luiz. Ele complementa com uma citação que diz: “Longânimo é a pessoa que poderia se vingar de outrem, mas não o faz”.

A longanimidade, ou a paciência que vem do Senhor, é a capacidade de enfrentar com paz aqueles que causam sofrimento injusto. “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam longânimos, suportando uns aos outros com amor” (Efésios 4:2). O maior exemplo deste fruto foi o próprio Jesus, que tratava seus semelhantes com humildade e paciência, exortando-os sempre em amor.

Ser longânimo sem parecer fraco

Assim como Jesus, que exortava em amor sem perder sua longanimidade, o cristão deve fazer o mesmo. Buscar o Fruto do Espírito é colocá-lo em prática, a fim de consolidar o caráter semelhante ao do Filho de Deus. Entretanto, ser paciente não significa ser fraco ou passivo.

O pastor João Luiz explica que tem sido comum o cristão “engolir sapos” para não perder a linha e dar bom testemunho, mas que esse comportamento não é saudável para ninguém nem reflete o exemplo deixado por Jesus. “Precisamos pedir a Deus para nos dar o equilíbrio entre a firmeza e o amor, para entendermos que quem guerreia por nós é o Senhor, mas que não podemos deixar as coisas correrem frouxas. Precisamos amar com disciplina e ter disciplina com amor”, alerta o pastor João Luiz.

Ser longânimo seguindo o exemplo de Cristo é, na opinião do pastor da Igreja Batista em Morada de Camburi, Erasmo Vieira, o alvo a ser perseguido por aqueles que se entregam ao Senhor, mostrando que essa virtude vem de Deus. “Há uma grande diferença entre a pessoa que se passa por paciente, mas é passiva e uma pessoa que é, de fato, paciente. O indivíduo passivo é aquele que age em função do medo que sente do outro, que se acovarda para não desagradar. O paciente é aquele que dá respostas de teor amoroso, mas firmes e seguras e que refletem a vontade do pai”, afirma o pastor Erasmo.

Longanimidade, a paciência gerada pelo Fruto do Espírito, mantém o cristão firme em sua fé e unido ao corpo de Cristo, trazendo maturidade, cordialidade, honra e paciência. “É a forma de perseguirmos o viver cristão relevante”, diz o pastor Erasmo.

“Irai-vos e não pequeis”

No livro de Efésios, o apóstolo Paulo adverte: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” (Ef 4:26,27). O trecho demonstra que a ira é natural do ser humano, um sentimento que faz parte de todos nós, mas que não é prudente alimentar. É por isso que o apóstolo adverte que, se acontecer de um cristão se irar, ele deve estar atento às suas atitudes.

“É normal do ser humano se irar. Essa é a nossa natureza, pecaminosa, inclinada ao mal, ao egoísmo e à crueldade”, avalia o pastor João Luiz. No entanto, assim como o apóstolo, o pastor João Luiz chama atenção para a atitude a ser tomada pelo cristão. “Não é normal ao ser humano redimido por Jesus viver em uma vida irascível. O texto de Efésios não é uma ordem para que nos iremos como hábito, mas sim uma condicionante para que, quando a ira ocorrer, não nos leve ao pecado”, adverte o pastor João Luiz.

Na avaliação do pastor Erasmo Vieira, a ira é um sentimento que faz parte das defesas humanas, mas que deve ser utilizado da forma como Deus ensina na Bíblia. “A raiva existe, mas deve ser expressa apropriadamente. Como uma defesa que garante nossa autoestima, mas que não seja violenta ao próximo. A raiva não é traduzida simplesmente pelas palavras, mas por como essas palavras são proferidas. É aí que entra a marca registrada do cristão”, pontua o pastor da Igreja Batista em Morada de Camburi.

Ser longânimo está intimamente ligado ao princípio cristão de amor ao próximo. Quem se ira facilmente, destinando aos outros suas reações intempestivas, baseadas nos sentimentos de raiva e vingança, quebra esse princípio e acaba semeando a discórdia e a divisão no corpo de Cristo.

O pastor João Luiz explica que a legítima paciência não é algo natural, mas sim sobrenatural, sendo possível apenas pelo Espírito Santo, por meio de seu Fruto. Dessa forma, a longanimidade se torna um sinal claro da conversão verdadeira. “Cristãos são aqueles em quem habita o Espírito de Deus, produzindo o Seu Fruto. Se a longanimidade não existir em um cristão, cristão de fato ele não é, pois não evidenciará o amor e os demais aspectos do Fruto do Espírito”, destaca o pastor João Luiz.

A falta de longanimidade na vida do cristão pode esfriá-lo em sua caminhada de fé, além de prejudicar seu amor ao próximo e a comunhão no Corpo de Cristo, enquanto o cultivo desse gomo do Fruto do Espírito traz o caráter de Jesus e aproxima o indivíduo do Senhor.

Na próxima parte da série, você vai aprender sobre a Benignidade, ou Amabilidade, quinta parte do Fruto do Espírito descrito no livro de Gálatas. Descubra como essa virtude pode transformar sua vida.

A MATÉRIA ACIMA É UMA REPUBLICAÇÃO DA REVISTA COMUNHÃO. FATOS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES CONTIDOS NO TEXTO SE REFEREM À ÉPOCA EM QUE A MATÉRIA FOI ESCRITA.


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