Ouça o mundo de cabeça pra baixo!

O que me tira do sério… É ver a liderança evangélica se digladiando com suas doutrinas quando nosso inimigo está livre, leve e solto para nos destruir.

Confesso que há algum tempo que tenho a impressão que o aumento das “tragédias” no mundo era muito mais resultado da facilidade em se comunicar do que realmente em ocorrência dos fatos.

Há 30 anos, saber de algo que aconteceu na Ásia ou África era humanamente impossível. Os órgãos de imprensa, limitavam-se a noticiar fatos e coisas que aconteciam nos EUA ou Europa … e raramente em outras partes do mundo. Hoje, qualquer ventinho que passa na Cochinchina vemos “ao vivo e em cores” na TV e 5 minutos depois no Zap-zap. Mas estou mudando de opinião. Por exemplo, um fato que até pouco tempo atrás era impossível de se imaginar como “todo olho o verá” (Ap 1:7), hoje qualquer criança sabe que é perfeitamente possível.

É verdade que existe a superexposição nas mídias chamadas de sociais, mas tenho que concordar que o mundo está virando de cabeça pra baixo. Mas não é isso que me assusta, até porque esperar outra coisa do mundo seria muita inocência nossa, afinal o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5:19). Por isso toda essa degradação moral de nossa sociedade é perfeitamente normal e previsível. O que não é normal é a quantidade e a profundidade dessas tragédias em todos os níveis.

Que o mundo defina como arte o que se viu no “queer museu”, que a performance La bête, do “artista” Wagner Schwartz, seja louvada por Globo, Veja, Folha, Caetano, artistas, etc., como algo mais normal e natural do mundo, que o artigo do Guzzo na Veja, chamando os evangélicos de “Gente Incômoda”, (deveria nos deixar orgulhosos em lugar de indignados), seja algo normal e natural vindo de um ateu … Mas, o que me assusta e me tira do sério, não é nada disso.

O que me tira do sério e me deixa tremendamente amargurado é a espantosa velocidade da degradação ética e moral da humanidade. As autoridades norte-americanas estão há uma semana tentando, de todas as formas, encontrar uma razão para o massacre em Las Vegas, onde 58 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas, sem qualquer sucesso. As autoridades brasileiras já nem estão mais tentando encontrar uma razão para que o Damião colocasse fogo na creche em Janaúba. A loucura do Damião é igual a loucura de tantos outros que massacram, fuzilam, destroem em nossas cidades … e até dos políticos brasileiros que, de tão ávidos por roubar, não conseguem discernir qual é sua mão direita ou esquerda. Loucos que roubaram e continuam roubando o país e se acham os homens mais honestos do mundo. Isso preocupa!

O que me tira do sério é ver a igreja neste “bolo”, se humilhando sobre a poderosa mão do diabo e resistindo firme na fé ao Espírito Santo de Deus. É ver a igreja indignada por ter sido chamada de incômoda, e continuar medrosa e escondida achando que “crente não se mete com essas coisas”, ignorando tudo o que está acontecendo em sua volta e preocupada apenas em arrecadar mais dizimo e pregar mais heresia. É ver a liderança evangélica se digladiando com suas doutrinas quando nosso inimigo está livre, leve e solto para nos destruir.

Para aqueles que veem nisso o fim dos tempos, fica o alerta de Jesus: isso é o princípio das dores (Mt 24:8). A humanidade entrou no caminho que nos levará ao surgimento da “besta”, relatado em Ap 13. A igreja precisa se preparar, se fortalecer, sem o qual não resistirá a este período de terríveis lutas. Ainda dá tempo, ainda podemos nos preparar, ainda resta um tempo para que acordemos do sono. Não podemos desperdiçá-lo ficando assustados com a deterioração do mundo mostrado pela Globo, Veja ou Folha, ou exposições feitas por homossexuais, somente pra chocar os “crentes”.

Temos que gastar esse tempo, nos preparando para “mesmo em face da morte, não amar a própria vida” (Ap 12:11), Não é tempo de ficar discutindo quem, depois de 500 anos de Reforma, tem a melhor e mais pura doutrina e sim quem está disposto a: “pela prática do bem, emudecer a ignorância dos insensatos” (1 Pe 3:15).

Que a liderança evangélica desça do púlpito do orgulho e deixe o Espírito Santo dirigir a igreja. Sei que isso é pedir muito para nossos grandes líderes, mas … quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Pr José Ernesto Conti é presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas do Espírito Santo