Os novos erros da Bíblia

Vemos permeadas em todo o Novo Testamento advertências tanto de Cristo quanto dos apóstolos de que a Igreja nunca viveria em paz. Na verdade, ela está inserida em um “meio ambiente” agressivo chamado de mundo, e esse mundo, sempre que puder, traria aflições para os crentes. Ao longo dos séculos a luta pela sobrevivência tem sido o alimento da Igreja, ou como já disseram, o sangue de seus mártires é o adubo que a fez crescer.

Acontece que, em nossos dias, parece que o “mundo” está se lixando para a Igreja e, talvez por isso, as perseguições, a própria intolerância aos evangélicos e as antigas lutas vêm diminuindo, e os evangélicos têm até se expandido bem mais que outros grupos religiosos. Como o mundo tem sido tão “bonzinho”, percebo um forte movimento no seio da Igreja para também ser “boazinha” com o mundo e assim tirar da Bíblia aquelas passagens que tanto desagradam ao mundo, afinal para que tanta repressão contra o sexo? Pra que dizer que tantas “coisas boas” são pecado? Por exemplo, o amor homossexual, afinal todas as formas de amor devem ser aceitas; e o aborto, até porque a mulher já foi tão desprezada na “Bíblia”, que ter direito ao seu corpo é uma questão de justiça…

Então imagino que logo, logo, teremos um movimento liderado pelos evangélicos para “consertar” esses principais erros da Bíblia e deixar o mundo mais feliz. Afinal, este mundo tão bonzinho não merece uma Bíblia tão ranzinza que proíbe tudo. Você não acha que estou certo?

As mulheres e a Bíblia
Outro dia, um pastor amigo me disse que todo ano, quando o mundo comemora o Dia Internacional da Mulher, ele se sentia como um peixe fora d’água. E a razão era o fato de acreditar que as mulheres possuíam todo o direito em conquistar um lugar ao sol, ou seja, terem a mesma prerrogativa assegurada aos homens, inclusive na igreja, de ser pastora, bispa, apóstola, matriarca, etc. De outro lado, ele não encontrava, honestamente, na Bíblia algum texto que servisse de base para sua doutrina, e isso o angustiava.

Para aplacar sua consciência, apelou para a argumentação sob a qual afirmava serem as questões cultural (boa parte da Bíblia foi escrita em uma cultura patriarcal), social (a Bíblia retrata uma sociedade quase pré-histórica) e moral (a Bíblia foi escrita em uma época em que a mulher não era respeitada) as grandes influenciadoras dos escritos bíblicos, de forma que com a evolução da história humana, essa deficiência foi sendo amenizada, e as mulheres foram conquistando seu espaço; mas a Bíblia (coitadinha!) permaneceu parada no tempo.

Disse-lhe apenas que, mesmo arriscando ser chamado de machista, intransigente, fundamentalista ou descontextualizado com a realidade atual, eu continuo medroso em tirar ou acrescentar algo que não tem na Bíblia, mesmo que seja para agradar à minha santa e maravilhosa esposa; e olhe que ela merece e trabalha muito na igreja e até prega melhor do que eu. Mas, enquanto não houver base na Palavra , minha mulher nunca poderá ser ordenada pastora, porque, mesmo ela, não quer desobedecer às Escrituras. Para que complicar algo tão simples?

Cara de crente
Certo dia ouvi um sermão em que foram analisadas as três negativas de Pedro.

O pregador foi feliz em avaliar cada “não” contextualizando-o com nossas vidas. As aplicações foram diretas, atingindo a todos que com suas vidas descompromissadas com a verdade do Evangelho continuam negando a Cristo, à semelhança de Pedro. Naquele instante comecei a pensar esse texto de forma diferente. Imaginei Pedro tentando de todas as formas possíveis dizer que não era discípulo de Cristo, que renegava todos os ensinos dEle, que odiava todos que andavam com Ele, e, quanto mais negava, mais as pessoas diziam: “Para com isso Pedro, está na cara que você é discípulo de Cristo… Você fala como Ele, você se veste como Ele… Percebe-se que você andava com Ele, que você O ama, que você daria sua vida por Ele”. Por mais que Pedro negasse, mais ficava evidente que realmente era seguidor de Jesus. Até o galo sabia disso. João afirma que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele (1 Jo 3:2). Ô bênção!!!

Será que sua cara é de discípulo de Cristo ou seus amigos têm dificuldades de descobrir quem é você?

 

Foto: Filipe Venâncio

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