Os desafios de Rodolfo Abrantes

“Basta falar sobre a verdade e deixar que ela conquiste quem busca a palavra. Jesus é o tema, ontem, hoje e amanhã”

Com mais de 20 anos de carreira, tendo se destacado como vocalista de uma das maiores bandas do rock secular nacional (o Raimundos), Rodolfo Abrantes se deparou diante de situações que o levaram a refletir sobre sua existência. No inicio do ano 2000, ele se converteu a Cristo e hoje afirma ser uma criatura que vive para glorificar ao Senhor. Nas apresen­tações, em vez palavrões, há gritos de “aleluia”, “glória a Deus” e “amém”. De passagem por Vitória para uma participação no Dunamis Movement, o artista concedeu entrevista à Comunhão a respeito de assuntos como fé, mudanças a partir de uma nova vida, pregação e desafios para a juventude cristã.

Ouça aqui a entrevista com Rodolfo Abrantes.

Em que momento percebeu que era preciso mudar seu estilo de vida e se converter?
Acredito que tudo foi um processo. Nada foi de uma hora para outra. Foram diversas experiências, vários encontros, que serviram para despertar e depois consolidar algo que apon­tava para Jesus, e eu não tinha para onde correr. E isso foi minha salvação. Eu vivia em uma bola de neve que só foi cres­cendo. No mundo não havia limites para nada. A ilusão da fama, das apresentações, do dinheiro e das drogas. Estava vivendo um estilo de vida totalmente destrutivo. Minha esposa acordou primeiro e disse que precisava de Deus. E começou a buscar ajuda, que veio através das irmãs da igreja, que passaram a orar por ela. Um dia, o grupo veio fazer uma oração na minha casa. Lembro que ainda fui resistente, na época não gostava de crente. Quando ela disse que seria uma campanha de sete segundas­-feiras, eu ainda fugi dos três primeiros encontros. Mas acabei esquecendo e, quando elas chegaram ao quarto, acabei ficando e ouvi o que diziam. Naquele dia me libertei das drogas e de tudo aquilo que me fazia tão mal.

Eu cresci ouvindo frases do tipo “Menino, não faça isso ou Deus irá castiga-lo”. E você acaba criando a imagem de que Ele é ruim. Mas, quando experimentei o amor de Deus, mesmo eu sendo um cara que fazia tudo errado, pude ver a verdade e fiquei completa­mente apaixonado. O amor precisa ser recíproco. E se o jeito de Jesus me amar foi dando a vida por mim, eu também lhe entreguei a minha. Deus é real e o que Ele começou a fazer na minha vida a partir daquele dia segue fazendo até hoje. Quando Ele entrou em minha vida, comecei a ser transformado.

Agora um tema polêmico: você já criticou lideranças evangélicas durante uma entrevista, quando afirmou que “tem pilantra se passando por pastor”. O que o fez dar uma declaração como essa?
Acredito que todas as áreas podem ter boas e más pessoas. Infelizmente, a entrevista em que falei isso acabou repercutindo algo que na verdade não é importante para mim. O meu foco não está no que é errado, mas sim nas pessoas que estão fazendo as coisas certas, ou que pelo menos desejam fazê-las. Para nossa feli­cidade, existem muitos homens e mulheres de Deus fazendo as coisas certas. E são essas pessoas que merecem a nossa atenção e o nosso reconhecimento.

Em suas pregações, você comenta sempre sobre a gratidão pela oportunidade de uma nova vida que recebeu de Deus. O que mais o marcou após a conversão?
A realidade é que Ele fez tudo, né? A gente só aceita e tenta inte­ragir com aquilo que o Senhor nos oferece, que é, claro, o melhor para todos. Então, não tem como não ser grato pelas coisas maravilhosas que o Pai proporciona. Não há como não sentir gratidão pelas provações que Jesus passou. Eu não morri na cruz, não venci o inimigo no deserto, não andei sobre as águas. Foi tudo Ele. Nós só desfrutamos e buscamos mostrar que somos muito honrados por tudo o que Ele fez. Então, essa consciência é o que realmente marca a gente, creio que somos mais que vence­dores. Ele nos fez assim.

Quando sentiu que deveria continuar sendo não apenas um cantor, mas também um pregador, levando a Palavra de Deus pelo país?
Jesus comissionou a Igreja a levar o Evangelho. E isso pode ser feito de formas diferentes: pregando, cantando e por meio de exem­plos que edificam. O importante é seguir levando as boas-novas do Reino de Deus e os testemunhos de tantas vidas transfor­madas pela crença no Pai. Eu não escolho a maneira para isso, apenas sou um instrumento. Ele nos inspira, e tudo acontece naturalmente, seja por meio das músicas, seja por uma pregação. Tudo aconteceu no tempo dEle. É um privilégio, uma bênção, e só agradeço por poder fazer isso.

O público jovem sempre se mostra muito identificado com o seu ministério. Como é falar para essa juventude?
Isso é engraçado, mas ao contrário do que pode parecer, não faço qualquer diferenciação ao falar para criança, adolescente, adulto ou idoso. Eu acredito que todo mundo que está vivo neste tempo faz parte de uma geração. A mensagem do Evangelho é a mesma, não muda, e serve para todos, embora possa significar uma coisa nos corações dos jovens, outra nos corações das crianças ou para os anciãos. Deus tem um plano para cada um de nós. O meu foco não é uma determinada faixa etária, mas sim a missão de levar os ensinamentos do Senhor. Eu transmito a mensagem, e Ele opera e transforma os corações de cada um dos ouvintes. Não há um assunto específico para um público. Acho que Deus é a verdade e por isso basta falar sobre a verdade e deixar que ela conquiste quem busca a Palavra. Jesus é o tema, ontem, hoje e amanhã.

Quais os grandes desafios para o jovem cristão de hoje?
É se manter focado. Sabemos que é um tempo de muita distração, muitas coisas que o mundo oferece para tirar a atenção da juventude. Quase tudo parece passar de forma mais rápida hoje, tudo é imediato. Mas existe um Deus cuja Palavra não muda. E o que Ele tem para Seus filhos não é algo monótono e cheio de privações, mas sim algo vivo, pleno de feli­cidade e que nos torna melhores. Se o jovem tiver isso em mente, não se desviará do bom caminho.

E o que pode falar sobre o desafio de vencer as drogas?
Antes de ser transformado, infelizmente conheci muita coisa que não é legal. A droga que mais gostava era maconha, que muitos dizem que não vicia ou faz mal. A partir dela, comecei a usar um monte de coisa. Você sempre pensa que aquilo não pode matá-lo. Até o dia em que mata. O que posso dizer é que nunca aproveitei tanto a vida e fui tão feliz quanto a partir do momento em que fiquei limpo.

Você fez tatuagens antes e depois de sua conversão. O que pensa da prática para cristãos?
Creio que é uma escolha pessoal. Eu não faço mais. Não julgo quem se sente bem fazendo, mas também não incentivo. Cada um deve refletir se isso atrapalha ou não a sua comunhão com Cristo. Hoje vejo que é muito melhor me focar no que Deus quer que eu faça, do que ficar pensando no que eu quero fazer e só depois vou refletir se é o que Ele também deseja. Respeito a decisão de quem quiser fazer, só não faz parte mais das minhas vontades ou dos meus pensamentos.

A respeito de sua pregação no evento da Dunamis Movement, que assunto costuma abordar para o público?
Falar sobre vida eterna, no sentido de ser um estilo de vida. Não como algo que não termina, enfadonho, mas um presente que vale a pena ser desfrutado para sempre. Deus quer o melhor para Seus filhos. Fomos comprados por um alto preço. Os planos de Deus são sempre os melhores, Seus ensinamentos e bênçãos são os melhores. Não precisamos buscar a feli­cidade eterna em qualquer outro lugar que não nos braços do nosso Pai.

Como surgiu o convite para fazer parte da turnê do Dunamis pelo Brasil?
Conheço o Teo Hayashi (líder e fundador do movi­mento) já tem alguns anos. Logo comecei a participar de alguns eventos do Dunamis e, com a nossa amizade, esse convite surgiu de forma natural. A gente crê no que Deus e s t á fazendo neste tempo. É uma satisfação grande fazer parte desse movimento, que alcança tanta gente. É um pessoal que está vivendo um Evangelho muito sadio e me alegra muito estar aqui.

Como é a sua rotina atualmente?
Eu sou um evangelista. Viajo por este país e prego a Palavra de Deus. Minha rotina se adapta à minha agenda de compro­missos e viagens. Moro em Santa Catarina, mas passo muito tempo indo de um lugar para outro. É uma missão que me alegra muito. Ter contato com as pessoas, ouvir suas histórias e poder falar um pouco da minha é algo gratificante.

Quais os seus planos profissionais para o segundo semestre de 2017?
Após a gravação do DVD “Fornalha”, da turnê com o Dumamis, na qual estarei com Zoe Lilly, Laura Souguellis e Raquel Kerr Borin, devo começar alguns outros projetos. Em novembro volto para continuar a turnê, que deverá passar por mais algumas cidades, e depois estarei envolvido com um novo trabalho. Tenho muita coisa na cabeça. Não posso adiantar neste momento, mas até 2018 acredito que teremos novidades. Vou trabalhar e esperar em Deus. No tempo dEle, tudo acontecerá.

O que é para você ter hoje uma vida em e para Cristo?
Ele é a vida, o ar que respiro. Não posso viver sem ar e não posso viver sem Deus. Aquele que leva o Senhor no coração não governa sobre outros, e sim em favor de outros. A vida em Cristo é uma vida leve, com toda a mágoa e rancor do mundo sendo lavados e ficando apenas uma existência plena. Não precisamos fazer nada para nos desenvolver na fé, Ele nos aperfeiçoa quando chega a hora. A gente só se entrega. Através da minha busca, mesmo cheio de falhas como sou, percebi que nunca estive sozinho. Era algo muito mais real do que poderia imaginar, mas ao mesmo tempo sentia temor, já que Ele esteve me observando mesmo enquanto eu estava fazendo as coisas no mundo. Mas o nosso Pai é amor e perdão. E fui me trans­formando à medida que sentia a Sua presença. Fiz uma caminhada, guiado por Ele. E aqui estou.

OUÇA A ENTREVISTA COM RODOLFO ABRANTES


Matéria originalmente publicada em agosto de 2017

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