Oração: Tempo de intimidade com Deus

Poderosa, a oração é a forma que o homem reconhece a soberania do Criador e sua submissão perante a Ele. É um ato  que faz parte do plano divino para desenvolver a comunhão.

Mais eficaz do que qualquer arma, a oração é o meio pelo qual a criatura reconhece a soberania do Criador Deus e Sua autoridade. Ela faz parte do plano de Deus para desenvolver a nossa comunhão.

Orar é abrir o coração para o Pai, conversando com Ele  diariamente em adoração a fim de conhecê-los. Em Mateus 6,  Jesus ensinou Seus discípulos a estabelecer um diálogo com o Senhor. Ele nos ouve e nos responde quando oramos em Seu  nome e de acordo com Sua vontade (Jo 16.23; 1 Jo 5.14).

A Bíblia registra em todos os livros o quão determinante é a  oração para a ação de Deus sobre a vida do ser humano. O salmista ressalta: “Clamam os justos e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas tribulações” (Salmos 34.17). Tiago ilustrou o poder da oração por Elias, que orou pela fome e depois pela chuva (5:17-18). Deus respondeu à sua oração,  não somente por causa da fé de Elias, mas porque era Sua vontade.

O ato de orar também mostra o quanto os homens são submissos à vontade dEle. Deus “sabe de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (Mateus 6:8), e assim como os pais terrenos não atendem a todos os pedidos, nosso Pai celestial nos dá o que  necessitamos (Mateus 7:8-11).

Para Hiram Rafael Kalbermatter, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia nas regiões central e norte do Espírito Santo, ao orar,  as pessoas dão liberdade para a  condução divina. “Ao reconhecermos nossa situação, bem como a de que Ele, como criador, mantenedor e redentor, pode atuar para que o melhor ocorra em nossas vidas e nas de quem está ao nosso redor, nos ajoelhamos em oração, permitindo e convidando o Senhor do universo que ‘invada’ o espaço que por Seu amor nos dá, e possa realizar a Sua vontade”, disse,  lembrando que Jesus Cristo ensinou na oração modelo que as preces devem ser realizadas diretamente ao Pai.

Um privilégio que requer compromisso. O pastor e mestre em Teologia Usiel Carneiro completa que Jesus, que é a expressão máxima da revelação de Deus (Hb 1.1-4), nos ensina com a oração do  Pai Nosso a ter comprometimento.

O pastor-presidente da Assembleia de Deus em Maruípe, Natanael Ferreira Nunes, fala que a conexão com o Criador é o termômetro do crente. “A oração não é uma opção no ensino de Cristo, mas um dever na vida de cada cristão. Por meio dela, os crentes reivindicam as bênçãos do Pai Celestial. A oração é um meio de acessarmos a Graça Divina, portanto negligenciá-la é um erro gravíssimo. Quem não ora  não recebe as bênçãos que estão armazenadas ‘na despensa celestial’.

Deus tem muitas bênçãos para conceder ao Seu povo, mas elas só serão recebidas por meio da oração. Além disso, a oração é o termômetro da fé e de nossa comunhão com Deus”.  Natanael vai mais longe, afirmando que a Bíblia é um livro de oração. “A melhor definição de oração encontra-se na Bíblia. A oração é, segundo as Escrituras, uma via de mão dupla através da qual o crente, com seu clamor, chega à presença de Deus, e Este vem ao seu encontro, com as respostas (Jr 33:3 – “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”).

A oração é fruto espontâneo da consciência de um relacionamento pessoal com  Todo-Poderoso, onde não há espaço para o monólogo, pois quem ora não apenas fala, mas também precisa estar disposto a ouvir.  É um diálogo onde o crente aprofunda sua comunhão com Deus, e ambos conversam numa linguagem que tem como intérprete o Espírito Santo (Rm 8:26-27: ‘Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus  é que ele intercede pelos santos’). Somente cultivamos uma vida de oração, através de meditação diária da Palavra de Deus, no livro de oração que é a Bíblia”, ressalta.

História
Ao longo dos tempos, essas interferências de Deus na história da humanidade em resposta às suas orações são comprovadas.  De acordo com o pastor Natanael, um dos exemplos está na passagem dos três jovens hebreus. Eles estavam cativos nas mãos do imperador babilônico Nabucodonosor, que havia construído uma estátua de ouro em sua própria reverência e esperava que toda a corte se ajoelhasse perante sua própria imagem, homenageando-o como um deus.

Mas os jovens se recusaram a executar suas ordens. A Bíblia cita em Daniel 3:15-17 a resposta imediata a Nabucodonosor ao pedido de intervenção divina dos hebreus. Diante do questionamento do rei (“E que Deus poderá livrá-los das minhas mãos?”), Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam  “Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti.  Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das suas mãos, ó rei”. O pastor Hiram cita outro exemplo, que está no livro de Êxodo,  no capítulo 3. “Ali, Deus faz um chamado a Moisés para ser o libertador dos Hebreus, oprimido nas mãos de Faraó, em resposta à oração desse povo dizendo: ‘Pois agora o clamor dos israelitas chegou  a mim, e tenho visto como os egípcios os oprimem’”, explicou.

Pesquisas
Tantos êxitos por conta das orações instigaram cientistas, fazendo com que eles realizassem, ao longo dos anos, estudos para averiguar seu poder. Um dos mais representativos trabalhos sobre o assunto  foi desenvolvido pelo cardiologista cristão Randy Byrd.  Ele selecionou 393 pacientes com problemas cardíacos e os dividiu em dois grupos, sendo que um recebia oração e o outro não.  Com isso, o médico  pretendia verificar se aqueles pacientes que eram alvos das preces mostrariam restabelecimento mais rapidamente.  A experiência demorou um ano para ser concluída e, quando  chegou ao fim, Byrd confirmou que havia uma diferença significativa na qualidade da recuperação dos que receberam as orações.  Quase 85% do grupo que ganharam esse pedido intercessor  alcançaram “bom” no sistema de classificação utilizado pelos hospitais para medir a resposta ao tratamento. Eles estavam menos propensos a sofrer um ataque cardíaco, precisar de antibióticos ou  necessitar de intervenções como ventilação ou intubação.

No Brasil, um dos mais respeitados cientistas do Departamento de Imunologia Celular da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Eduardo Tosta, realizou em 2006 uma pesquisa sobre o poder da prece e, ao final, constatou que entre os pacientes analisados, um grupo se destacava.  De acordo com o estudioso, quem recebeu oração manteve seu sistema imunológico equilibrado, evitando assim contrair outras doenças. O mesmo não ocorreu com a turma que não recebeu oração, tendo apresentado o corpo enfraquecido. Mesmo sem ter como explicar que havia ocorrido com os pacientes, o cientista não teve dúvida de que a melhora na saúde estava intimamente ligada às orações.  O estudo demorou três anos para ser finalizado e reforçou o que há milhares de anos os cristãos já sabiam: há poder na oração!

Projetos
A Igreja Evangélica Quadrangular em Itacibá é uma das denominações que possuem projetos relacionados à oração. Trata-se da Central de Oração, Orientação e Aconselhamento, uma espécie de telemarketing que disponibiliza dois pastores para atender ao  público tanto pelo telefone quanto pessoalmente. “Sob minha orientação, os pastores Juarez do Nascimento e Leonardo dos Santos Ribeiro escutam o que cada um tem a dizer, marcam e recebem as pessoas no templo para aconselhá-las e orar por elas, ou, ainda,  vão aonde o público quiser, seja em empresas, casas, entre outros locais”, informou o pastor, lembrando que a Central de Oração  funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h, no templo da IEQ  em Itacibá ou em domicílio. Para falar com a Central, basta ligar para os telefones (27) 3226-7749 (27) 3090-7748.

Outro trabalho nessa área é o projeto “10 Dias de Oração e Jejum”, que foi realizado em oito países da América do Sul pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e reuniu mais de 25 mil pessoas no Espírito Santo.  O programa propõe 10 dias de oração, num horário específico do dia. Líder do Grupo de Oração Atalaias, Carmem Gonçalves,  67 anos, aposentada, comanda o grupo de 15 participantes,  que se reúne todas as terças-feiras, às 5h30. “Fazemos orações por aqueles que nos pedem e por quem acreditamos que precisam de ajuda. Muitos têm alcançado seus objetivos. Eu mesma, por exemplo, estava com um tumor no braço, fui ao médico e ele marcou para furá-lo, já que não havia chances de romper sozinho. Orei muito, clamei a Deus, pois estava com medo. Dois dias antes de ir ao hospital, o abscesso rompeu sozinho, sem nenhuma intervenção médica, só mesmo a divina”.

Vale lembrar que quando ora, o ser humano reconhece suas falhas, bem como sua completa dependência de Deus.  “Por meio de nossa intimidade com o Senhor, abrimos espaço para que Ele possa transformar nosso coração mediante Sua vontade.  A Bíblia diz: ‘Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis’ (Ezequiel 36:26-27). Em nossas orações, podemos abrir nosso coração ao Senhor, intercedendo por nós mesmos ou por aqueles que estão ao nosso redor, confiando de que Ele está atento e escutando o nosso clamor”, finaliza o pastor Hiram.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita

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