O Teste da tentação

Há um bom tempo ouço falar do “teste do marshmallow”, criado há mais de 50 anos pelo psicólogo Walter Mischel. E recentemente vi na vitrine o livro sobren o tema, agora publicado em português. O objetivo do estudo é muito simples. Ele colocou uma criança de até 5 anos em uma sala e deixou lá um marshmallow sobre a mesa dizendo que, se ela não comesse, ganharia dois quando voltasse. O especialista verificou que aqueles que resistiram tornaram-se pessoas diferenciadas na sociedade, e os que não venceram a tentação do momento geralmente resultaram em indivíduos fracos e com dificuldades no futuro. Talvez pelo fato de ser pastor, meu desejo foi aplicar esse teste nos membros da minha igreja para ver se conseguiriam superar uma “tentaçãozinha” em troca de uma bênção. Fiquei imaginando colocar um crente em uma sala junto a uma tentação e dissesse para ele que, se resistisse, na sua volta, poderia escolher duas bênçãos celestiais.

Fico pensando nos resultados. O escritor de Hebreus nos afirma que na luta contra o pecado nossa resistência é pequena (Hb 12:4). Já Paulo nos diz que não podemos deixar que o pecado reine em nosso corpo, de maneira que obedeçamos às suas paixões (Romanos 6:12). O problema é que o pecado desperta em nós toda a sorte de paixões (Romanos 7:8), mas se resistirmos, Ele é fiel e justo, não só para nos perdoar, como para nos presentear com toda a sorte de bênçãos espirituais, não apenas aqui, mas também por toda a eternidade. Quer um pecado agora ou uma bênção eterna?

Os direitos da Fátima
Vi estampado em praticamente todos os jornais e revistas a notícia de que a Fátima Pelaes (PMDB do Amapá) seria a nova secretária de Políticas para as Mulheres. Essa nomeação passaria despercebida se não fosse por dois fatos marcantes. Primeiro, o estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro, que até aos 12 anos frequentava a Igreja Batista, mas que escolheu “subir o morro” e ir a bailes funk. Não era a primeira vez que isso acontecia com ela, e talvez não seria a última, porém a divulgação pela internet de um vídeo e de fotos desse ato revoltou a sociedade.

O segundo foi a posição da Fátima sobre o aborto. Em entrevista à Casa Publicadora das Assembleias de Deus, há três anos, ela afirmou que até 2002 defendia a descriminalização do aborto e não via a família como um projeto de Deus. Depois disso, porém, “conheceu Jesus” e passou a dizer que “o direito de viver tem que ser dado para todos”. Contou que foi gerada a partir de um “abuso” sofrido pela mãe enquanto estava presa “por crime passional”. Sobre sua mudança de posicionamento, afirmou ter sido “curada”. Foi o suficiente para que toda a mídia caísse de pau sobre ela.

Não conheço a Fátima, mas essa situação não é isolada. Prepare-se, meu irmão, pois está chegando o momento em que “por amor de ti somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro (Romanos 8:36)… Quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Mateus 5:11). Você está preparado para, mesmo em face da própria morte, não amar a própria vida? (Apocalipse 12:11c).

Incomodamos ou Acomodamos
Li no jornal outro dia que uma igreja estava sendo denunciada por incomodar os vizinhos. É verdade que nesse caso a reclamação foi por causa do som muito alto. Mas fiquei pensando se nós, como Igreja, estamos incomodando as pessoas à nossa volta ou então vivemos acomodados com nossa fé. O grande desafio que temos diante de nós é fazer parte daqueles que “transtornaram o mundo chegar até aqui”. Que adianta ser cristão e não incomodar o mundo? Ser cristão e se conformar com o mundo? Ser cristão e não fazer diferença no meio em que vivemos?

Percebe que não há meio-termo? Ou incomodamos ou acomodamos. O jogo é duro, mas nosso “time” não pode recuar. Há muitos crentes e até igrejas que estão todos uniformizados, porém, não entram em campo. Estão perto, na periferia, mas não no campo. Domingo após domingo eles têm se preparado para jogar, cantam, pulam, dançam, batem muitas palmas, gritam aleluias e glórias… Mas não possuem coragem para entrar em campo. Fazem muita firula, mas não marcam gol no adversário. Muitos até acham que não precisam ganhar o jogo… o bom é só o divertir! Desistem muito rápido. Jogamos a toalha na primeira luta. Recuamos na primeira batalha. O problema é que quem veste a camisa de crente precisa jogar como crente. Quem pega no arado não olha para trás; quem é amigo de Deus é inimigo do mundo. Quem vive e conhece a verdade tem que incomodar o mundo.