O poder da língua

A língua realmente inflama o corpo? Afastar-se da mentira, da maledicência, da inveja, da calúnia, da fofoca, é ordem dada pelo Senhor


Ouvimos constantemente comentários sobre as consequências de palavras lançadas ao vento sem que haja preocupação com o que de fato essa ação pode gerar. Na Bíblia, Deus nos orienta sobre ouvir mais e falar menos e instrui que a língua é um órgão pequeno que inflama todo o corpo. Mas, por que as pessoas continuam em desobediência, proferindo palavras que atuam como armas e causam grandes estragos?

O pastor Hernandes Dias Lopes, bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas (SP), doutor em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos, conferencista e escritor, ao falar sobre a maledicência, um dos danos causados pelo mau uso da língua, explica que “para quem fala, o prejuízo é que a pessoa se torna agente do mal e o protagonista do assassinato de reputações, cometendo o pecado que mais Deus abomina, que é jogar um irmão contra o outro. A vítima dessa maledicência sofre um dano irreparável porque a maledicência espalha inverdade, um fato distorcido, uma mentira e é impossível ir atrás de todas as pessoas que foram atingidas, para reparar esse erro”.

Hernandes ressalta que a Bíblia recomenda para o caso de a pessoa ter algo contra outra, ao invés de espalhar boataria, deve procurá-la e resolver (Mateus 18), e que os problemas pessoais se resolvem assim. “Esse assunto é muito disseminado nas igrejas, o que é uma lástima, porque a Igreja deve ser comunidade do perdão, da cura, e não da maledicência. A Bíblia diz em Efésios 4:25 que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo porque somos membros uns dos outros” endossa.

No livro Benção e Maldição, o pastor Jorge Linhares narra, entre outros fatos, a história de um casal que vivia a primeira noite de lua de mel, e a esposa, provavelmente sem pensar nas consequências, proferiu palavras que colocavam em cheque a masculinidade do esposo e a partir daí o casamento ruiu por não mais haver da parte dele a atração e o encanto com relação à esposa. Esse é apenas um exemplo de quão grave é professar palavras sem antes avaliar o que elas podem causar.

O que parecia um comentário não malicioso e sem a pretensão de causar qualquer problema ocasionou a ruptura de uma aliança formada diante de Deus, e o próprio Deus nos deixou a orientação necessária sobre como agir de forma a não desencadear crises, sendo que algumas delas têm resultados irreversíveis. No livro de Tiago, no capítulo 01, versículo 19, Ele diz: “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. No entanto, a desobediência e o não aceite do direcionamento deixado pelo pai têm gerado consequências gravíssimas.

Ao comparar a situação do casal com a forma e se portar à luz da Bíblia, o pastor Jorge Linhares cita Tiago 3, e aponta a situação que descreve que uma fagulha é capaz de colocar em brasas uma grande selva: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todos os seus corpos. Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim” – Tiago 3:1-10.

Fonte: Redação Comunhão

Nos Capítulos 9 e 10, o Senhor nos orienta que da boca pode proceder benção ou maldição, essa é uma decisão de cada um. Nesse texto, fica clara a necessidade de pensar antes de proferir qualquer palavra, seja tecer um comentário que parece inofensivo, ou opinar sobre qualquer situação. O que é mais fácil: apagar um incêndio ou não causá-lo? A resposta é óbvia: não provocar o problema. Mas, como podemos fazer isso? Temos pelo menos tentado? Nossos esforços para não usar a língua como uma arma, tem sido proporcionais à postura que adotamos quando vamos opinar sobre a vida dos nossos irmãos e semelhantes? A sua boca tem sido canal de benção ou tem inflamado seu corpo e seus relacionamentos?

Desobediência

Desde o jardim do Éden, a postura desobediente do homem marca a história da humanidade e abre o precedente para o pecado. Essa desobediência fere diretamente o que é narrado em Tiago 3:3: “Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todos os seus corpos. Se a postura do homem fosse de obedecer a Deus, colocaríamos “freios” em nossos próprios lábios, ponderando o que falamos e controlando nossas emoções, nosso ímpeto. Entretanto, não é o que ocorre, e aí, abrimos espaço para a desobediência e os “estragos” que ela causa.

“Assim como vocês, que antes eram desobedientes a Deus, mas agora receberam misericórdia, graças à desobediência deles, assim também agora eles se tornaram desobedientes, a fim de que também recebam agora misericórdia, graças à misericórdia de Deus para com vocês. Pois Deus sujeitou todos à desobediência, para exercer misericórdia para com todos.” – Romanos 11:30-32.

Na condição de desobedientes, Deus nos concede sua misericórdia a cada segundo, a cada suspiro, o que nos permite prosseguir, mas, ainda assim, e com exemplos diários sobre as grandes oportunidades que são perdidas de ficar calado, o homem insiste em externar tudo o que sente e pensa sem avaliar, por exemplo, que Deus é justiça, e sendo Ele misericordioso e justo, peleja as nossas causas sem que precisemos adotar uma postura defensiva, falando de forma agressiva, arrogante, ou, ainda que sem pensar, falando verdades carregadas de ira que, na maioria das vezes, causam feridas incuráveis e “incêndios” de grande proporção.

“O amor não espalha fraqueza do próximo, mas o protege. O amigo é aquele que confronta em particular e defende em público. Com a disseminação das redes sociais e o problema de fake news, temos de ser cautelosos, para não espalharmos notícias falsas irresponsavelmente” Pr. Hernandes Dias Lopes – bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas (SP)

A partir daí, concluímos que a língua realmente inflama todo o corpo, conforme apontado pela palavra de Deus. Mas, se já está provado que isso ocorre, porque insistimos em desobedecer? Devemos nos conformar com a ideia disso fazer parte da natureza humana?
A resposta é não. Mais uma vez, nosso livro de prática de fé é ordem, a Bíblia, traz as resposta a essas perguntas, e nos auxilia na decisão sobre qual postura adotar. No livro de Deuteronômio, capítulo 05, versículo 29, Deus nos diz: “Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-me e para obedecer a todos os meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre!”

Afastar-se da mentira, da maledicência, da inveja, da calúnia, da fofoca, é ordem dada pelo Senhor, e a língua é um “canal” para que todos esses males, essas ações que desagradam o coração de Deus, sejam propagadas. Na Bíblia, a orientação para não proferir palavras que geram destruição é explicitada inúmeras vezes nas mais diversas situações. Em Provérbios está escrito: Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.24). Ter lábios impuros é inerente à natureza humana. Porém, cabe a nós travarmos uma batalha diária contra esse mal, e contra o que gera isso.

O pastor Hernandes pontua que ainda que uma informação seja verdadeira, pode não ser oportuna e não trazer edificação, afinal, nem tudo o que é verdadeiro é oportuno ou deve/pode ser divulgado. “Se alguém que passa por um problema moral, não é por que aconteceu que eu irei espalhar para todos”, afirma ele.

Nossa luta não é contra a carne, mas sim contra principados e potestades, como podemos ler em Efésios 6:11,12: Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

Entretanto, a língua apenas profere o que se pensa. Logo, a mente é quem maquina o mal. Devemos “cortar o mal pela raiz”, mas, como fazer isso? Vigiar nossos pensamentos e filtrar o que guardamos em nosso coração são caminhos para ajudar a resolver os danos causados pela língua, e a Bíblia ensina como proceder: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco” – Filipenses 4:8,9.

Fonte: Redação Comunhão

Assim, concluímos que os problemas pelos quais passamos não consistem no fato de a língua ser um órgão amaldiçoado por Deus, muito pelo contrário. Está no fato de o homem possuir a desobediência em sua natureza humana e não lutar contra ela. Afinal, a língua é “canal de benção”, ao fazermos uso dela para falar do amor de Jesus, para levar a palavra de salvação, para por meio das palavras acalmar o coração dos aflitos e cumprir as ordenanças de Jesus.

Tempo de Falar

A palavra de Deus também nos orienta que há tempo de falar. Em Eclesiastes 3:7, lemos: “Tempo para rasgar e tempo para costurar; Tempo para ficar calado e tempo para falar”. Se de forma oportuna nos valermos das palavras para transmitir mensagens de bem, sobre o Reino dos céus, e os mandamentos deixados por Jesus, incorremos no cumprimento de suas ordenanças, inclusive contribuindo para salvar vidas das garras de satanás. Assim, o problema está em obedecer.

Em I Samuel 15:22, está escrito: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”.

Decidir pela obediência é ter a certeza de que Deus peleja as nossas causas, de que não precisamos advogar a nosso favor, que Deus é Senhor de toda providência, e, que não precisamos falar sem pensar em nossa defesa ou julgando a situação de nossos semelhantes. “A obediência é a chave do sucesso e gera benção”, e no livro de Deuteronômio, capítulo 28, versículos 1 e 2, encontramos a promessa do Senhor aos obedientes: “Se vocês obedecerem fielmente ao SENHOR, o seu Deus, e seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje lhes dou, o SENHOR, o seu Deus, os colocará muito acima de todas as nações da terra. Todas estas bênçãos virão sobre vocês e os acompanharão, se vocês obedecerem ao SENHOR, o seu Deus.”

 

Encontramos também, nos capítulos 15 a 19, explanação sobre o que acontece aos que optam por não obedecer: “Entretanto, se vocês não obedecerem ao SENHOR, o seu Deus, e não seguirem cuidadosamente todos os seus mandamentos e decretos que hoje lhes dou, todas estas maldições cairão sobre vocês e os atingirão. Vocês serão amaldiçoados na cidade e serão amaldiçoados no campo. A sua cesta e a sua amassadeira serão amaldiçoadas. Os filhos do seu ventre serão amaldiçoados, como também as colheitas da sua terra, e os bezerros e os cordeiros dos seus rebanhos. Vocês serão amaldiçoados em tudo o que fizerem.” “Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.24)

O Perdão

Após conquistar a cidade de Jericó, Acã, um israelita desobediente, se apossou de resquícios do período da guerra que havia ordenado que fossem destruídos, e como consequência de sua postura, todo o povo de Israel caiu em desgraça. Posteriormente, ainda que a culpa de Acã houvesse sido revelada, Josué o orientou: “Filho meu, dá glória ao Senhor, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não o oculte de mim” (Js 7.19). Acã confessou seu pecado, respondendo: “Verdadeiramente, pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e fiz assim e assim” (v.20).

Todavia, esse era o tempo da lei, e mesmo diante da confissão, ele teve de morrer para se cumprir o que era proposto para a época. Atualmente, não há condenação de morte para os mentirosos, caluniadores, difamadores, os que exageram ou minimizam os fatos, mas, há consequências em vida, uma vez que a graça do Senhor Jesus sobrepõe a lei, e suas misericórdias se renovam sobre nós. Contudo, o perdão para o pecado só acontece após a confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 Jo 1.9).

“O amor não espalha fraqueza do próximo mas o protege. O amigo é aquele que confronta em particular e defende em público. Com a disseminação das redes sociais e o problema de fake news temos de ser cautelosos para não espalharmos notícias falsas irresponsavelmente. Nem tudo o que é colocado nas redes é verídico. E isso é muito problemático hoje. É preciso ter cautela e responsabilidade”, destaca o pastor Hernandes Dias Lopes.

Dicas de leitura

 

O poder da palavra

Florence Scovel Shinn
Editora Isis

 

 

 

30 Dias para domar sua língua

Deborah Smith Pegues
Editora Atos

 

 

 

Benção e Maldição

Jorge Linhares
Editora Getsêmani

 

 

 

Cuide bem da sua língua

Leroy Koopman
Editora Betânia

 

 

 

Eu e minha boca grande

Joyce Meyer
Editora Bello Publicações

 

 

 

Domando a língua

Josadak Lima
Editora AD Santos

 

 

 

O poder da língua

Gary Hagnes
Editora Atos

 

 


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