O imensurável amor ágape

Amor agape

O amor ágape é amor divino, perfeito, com sentido bíblico, mas que pode ser praticado por cristãos nos relacionamentos do cotidiano

Amar é a mais importante característica da vida cristã. Tudo o que fazemos, segundo a orientação de Paulo, em 1 Coríntios 16:14, deve ser feito com amor. E essa foi a fonte de inspiração de Comunhão para criar a série “As Formas de Amar”.

No grego coinê (comum), em que foi escrito o Novo Testamento, aparecem palavras que identificam os quatro tipos de amor. A cada edição, mostraremos como expressar de maneira profunda um sentimento geralmente tratado de forma tão rasa. Nas quatro etapas, apresentaremos um por um, até que nosso jeito de amar seja descoberto e bem comunicado.

Entrevistas e o livro de C. S. Lewis “Os Quatro Amores” formam a base das reflexões desta série. Nossos entrevistados e o autor da obra concordam que existem quatro formas de se comunicar o amor. Segundo o pastor Gilson Bifano, diretor do Ministério Oikos, escritor e coach de relacionamento, na lingua grega, “amor” aparece das seguintes formas: eros (associado ao romantismo); philos (à amizade); storgé (à afeição) e ágape, que abordaremos nesta edição.

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Gilson Bifano explica que, quando os escritores bíblicos, inspirados pelo Espírito Santo, referiam-se ao amor de Deus, sempre usaram a palavra “agápe” ou “agapaõ”, que têm a mesma raiz. “O ágape é, no sentido bíblico, o amor sacrificial, altruísta, que se dá sem interesse próprio. Paulo em suas cartas usa 75 vezes a palavra ‘agápe’, além de 34 vezes ‘agapaõ’ (demonstrar amor), 27 vezes ‘agapetos’ (que está ligado a alguém que é amado). Considerando todas as suas variações, a palavra aparece cerca de 158 vezes. O pastor Ozias Ribeiro, da Primeira Igreja Batista de Laranjeiras, na Serra, acrescenta que “esse é o amor perfeito descrito por Paulo em 1° Coríntios 13 e classificado por ele como a mais importante das virtudes cristãs. É pleno, profundo e absoluto e se manifesta por meio de nosso amor para com os outros. É marcado pela graça, pelo altruísmo e pela compaixão, buscando sempre o bem do outro”.

O ágape foi explanado por muitos escritores cristãos. Thomas Jay Oord definiu como “uma resposta intencional para promover o bem-estar em resposta a quem gerou um mal-estar.”

Ágape não tem expressão humana

Ágape não é de origem humana. Esse amor pode ser encontrado em Romanos 5:10: “Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho”. Morrer por um inimigo não é o que os humanos fazem. Isso é coisa de Deus. É o amor no seu melhor. É o mais abnegado que existe.
É o que foi exibido na cruz por Jesus Cristo (João 3:16). Ele nos amou primeiro.
Ele tomou a iniciativa.

Depois da ressurreição de Jesus, Ele veio para os discípulos e perguntou: “Pedro, você me ama?”. A palavra que Jesus usou sobre se Pedro o amava era “ágape”, mas o discípulo deve ter sido pego de surpresa e disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Em João 21:15, a palavra que Pedro utilizou foi o grego “phileo”, que é o amor fraternal. Pedro não entendeu. Jesus estava usando o mais forte de todos os tipos de amor, ágape.

Apesar disso, ele também pode ser praticado por humanos, mas em grau inferior. É o amor isento de conotações sexuais, segundas intenções, malícias e interesses pessoais.

“Nos relacionamentos humanos, o amor deve ser a motivação das nossas atitudes. Se na base da motivação das nossas atitudes o ‘agápe’ (sem interesse, desprovido de segundas intenções) não estiver presente, será apenas uma ação humana simplesmente, sem o toque divino”, avisa o pastor Gilson Bifano.

Foi nesse sentido que Paulo escreveu 1 Coríntios 13. Diz logo no primeiro versículo: “Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino”.

“Vamos colocar em termos práticos. Um marido deve demonstrar amor para com a esposa de forma contínua e sincera, sem interesse sexual, por exemplo. Uma esposa deve demonstrar amor, sem interesse, por exemplo, financeiro. Filhos devem demonstrar o mesmo, não esperando benefícios como aumento da mesada. Pais devem amar os filhos mesmo eles não sendo obedientes. O ágape ou agapaõ que deve dar o tom”, afirma Bifano.

Ozias-Ribeiro
“É o amor profundo, pleno e absoluto, que manifesta o amor de Deus por meio de nosso amor para com os outros” – Ozias Ribeiro, pastor

O próprio Paulo nos lembra que o amor ágape é sacrificial (sofredor), sempre bom (benigno), se alegra com a alegria do outro (não é invejoso), cuida do outro (não trata com leviandade), é humilde (não se ensorbebece), é meigo (não grosseiro), é desprovido de segundas intenções (não busca seu próprio interesse), é tardio em irar-se (não se irrita), é puro (não suspeita mal). “Imagine esse amor dominando as relações humanas, especialmente na família e na igreja”, sugere Bifano.

 

Em “Os Quatro Amores”, um de seus livros mais influentes, Lewis contempla a essência desse sentimento e avalia como cada tipo se ajusta aos demais.
Ele desafia definições clássicas do amor de uma forma que continua atual e relevante.
Em suas páginas, lembra que foi por amor que Deus fez existir criaturas inteiramente supérfluas, somente a fim de poder amá-las e aperfeiçoá-las.

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