O efeito devastador da pornografia

De todos os sites acessados no mundo, 14% são de conteúdo pornográfico.
Por causa disso, milhares de pessoas têm destruído suas vidas nesse pecado que corrompe valores criados por Deus

A internet é conhecida por ser a terra de ninguém e ao mesmo tempo de todos. Qualquer conteúdo pode ser acessado e publicado, inclusive o mais promíscuo e libertino: a pornografia. Sites sugestivos com imagens e textos que instigam o prazer sexual e outros tipos de veiculação com esse apelo estão cada vez mais perto e fáceis de serem vistos.
Até mesmo a publicidade tem utilizado o recurso da nudez e da sexualidade, principalmente das mulheres, para vender seus produtos. E os indicadores desse segmento são surpreendentes. A indústria pornográfica fatura mais do que  Microsoft, Google, Apple e Amazon juntas.

Cerca de 40 milhões de adultos visitam páginas especializadas diariamente, baixando conteúdo mesmo no ambiente de trabalho. Isso não é restrito à população masculina: só em setembro de 2003, 9,4 milhões de mulheres acessaram sites pornográficos. Um estudo recente revelou que nove entre dez crianças com idades entre 8 e 16 anos já viram pornografia on-line, a maioria sem intenção de assistir, quando usavam a internet para fazer a lição de casa.

Portais obscenos se tornam um vício para pessoas de todas as idades. “A pornografia é a antissala do adultério, da prostituição, da homossexualidade e da bissexualidade. Não conheço uma pessoa que cometa pecados graves na área sexual que primeiro não esteve envolvida com a pornografia. Ela introduz o indivíduo em um mundo de perversidade”, afirma o pastor Lúcio Barreto, o Lucinho, do Ministério Loucos Por Jesus.

Na visão dele, esse mal é o primeiro passo em uma escorregadia ladeira de iniquidade e imoralidade (Romanos 6:19). Assim como um usuário de drogas é levado a consumir quantidades maiores e mais poderosas da substância, a pornografia arrasta o ser humano levando-o a pesados vícios sexuais e desejos ímpios.

A Bíblia mostra que as três categorias principais de pecado são: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I João 2:16). A indecência causa a luxúria (iniquidade) da carne, e isso inegavelmente é a luxúria dos olhos.  Observando a Palavra de Deus, a pornografia não se qualifica como uma das coisas nas quais se deva pensar: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8).

Várias referências bíblicas mostram o erro dessa prática. A pornografia é viciante (I Coríntios 6:12; II Pedro 2:19), destrutiva (Provérbios 6:25-28; Ezequiel 20:30; Efésios 4:19), e leva à iniquidade sempre crescente (Romanos 6:19). Desejar outras pessoas em nossa mente (a essência da pornografia) é ofensivo a Deus (Mateus 5:28). Quando a habitual devoção à pornografia caracteriza a existência, isso demonstra que essa pessoa não é salva (I Coríntios 6:9).

Crentes voyeurs

O número de evangélicos viciados em pornografia é preocupante. No país, não há estatísticas sobre o tema, mas nos Estados Unidos  isso atinge mais de 10% dos evangélicos. Se considerar que no Brasil a facilidade de se obter material pornográfico é a mesma – ou até maior – que nos EUA, acrescentando a falta de posição aberta e ativa das igrejas evangélicas nacionais contra a pornografia, como acontece em território americano, não é exagerado dizer que provavelmente mais que 10% dos evangélicos no Brasil são consumidores de imoralidade na internet.

“Talvez esse número seja ainda conservador diante do fato conhecido que os evangélicos no Brasil assistem a mais horas de televisão por dia do que cristãos de muitos países de primeiro mundo, enchendo suas mentes com programas que promovem a violência e o erotismo, e assim abrindo brechas por onde a pornografia penetre e se enraíze”, afirmou o terapeuta familiar e pastor Josué Gonçalves, do Ministério Família Debaixo da Graça – Assembleias de Deus em Bragança Paulista, São Paulo.

Mais preocupante ainda é a probabilidade de que grande parte desse percentual é de evangélicos adolescentes. Uma pesquisa feita por Josh McDowell em 22 mil igrejas americanas revelou que 10% dos jovens haviam aprendido o que sabiam sobre sexo em revistas pornográficas. E 42% deles disseram que nunca aprenderam qualquer coisa sobre o assunto da parte de seus pais.

Outros 10% confessaram ter assistido a um filme de sexo explícito nos últimos seis meses. Uma extrapolação, ainda que conservadora, para a realidade das igrejas brasileiras é de deixar pastores e pais em estado de alerta.

“A pornografia é uma das piores doenças morais que temos no mundo. Ela corrompe e degrada as pessoas ao enfatizar exageradamente o sexo, colocando-o como um fim em si mesmo, barateando a experiência e deixando de fora o aspecto do amor.

Na maioria das vezes, todo material pornográfico e produzido com base na mentira”, alerta o pastor Josué Gonçalves.  De acordo com o pastor e escritor americano Jerry Kirk, que tem um ministério voltado para ajudar pessoas a se libertar dessa compulsão, pesquisas feitas entre homens que assistiam regularmente a pornografia identificaram quatro etapas nas reações de indivíduos a esse estímulo. “Na primeira, ela leva a um vício. As primeiras fases conduzem a envolvimento repetido e deliberado com o material pornográfico a fim de obter excitação sexual. Depois há uma fase de escalada na qual o homem deseja material mais grosseiro e excitante a fim de atingir o nível anterior de excitação sexual. A próxima fase é a insensibilização, na qual a pornografia fica entediante. O homem não é repelido pelo que vê e não sente compaixão pelas pessoas envolvidas. A fase final é a propensão para colocar em ação tudo o que viu. O que ele viu torna-se, na realidade, parte de seu repertório de comportamento sexual”, afirmou Kirk.

Igrejas atentas

Patrick Means, em seu livro “Men’s Secret Wars” (As guerras secretas dos homens), destaca um fato preocupante. Numa pesquisa oficial com pastores evangélicos e líderes leigos de varias igrejas evangélicas, 64% dos entrevistados informam que têm problemas com vício sexual, inclusive pornografia e outras atividades libidinosas secretas. Especificamente, 25% confessaram ter cometido adultério depois de casados e de se tornarem cristãos.

Aqui no Brasil alguns cursos ministrados por instituições como a Universidade da Família abordam o problema de forma tímida.  O curso “Homem ao Máximo” é um exemplo. Nele, os participantes aprendem acerca de cinco pecados que os impede de atingir a maturidade. São eles: cobiça, idolatria, imoralidade, pôr Deus à prova, e murmuração. “Aprendemos sobre sugestão e ordem; aceito ou rejeito; obedeço ou desobedeço. Está em minhas mãos”, afirmou Frederico Jesus, que participou do curso há cerca de um ano.

A sustentação de tabus no meio evangélico sobre temas ligados ao sexo, segundo o pastor e conferencista Cláudio Duarte, é fruto de uma cultura de presunção impensada: “O que acontece é que se um pastor diz ‘é permitido ir a motel’, o que os fiéis vão entender? Que ele vai a motel. Então, mesmo se ele for a favor, prefere não dizer. Se ele achar que um homem deveria ir a um sex shop para comprar um óleo de massagem ou um lubrificante por causa de um problema hormonal de sua esposa, o pastor não fala porque tem medo do que as pessoas vão pensar dele. Eu entendo isso.  Não critico. Se você não tem maturidade, liberdade ou jeito para tratar do assunto, é melhor não falar. Eles não fazem por maldade ou para manter o povo mal informado. É por que não têm habilidade para falar. Deus dá capacidade para outros falarem”, resumiu Duarte.

O pastor, que tem ampla experiência em aconselhamento conjugal, afirma que filmes pornográficos serão sempre pecado: “Casado ou não, a resposta é não. Tudo o que falo estou usando a Bíblia como parâmetro, e ela diz que a única nudez a que eu posso ter acesso é a do meu cônjuge no que diz respeito à sexualidade. A mim não é permitido ter acesso a outra nudez com intuitos sexuais. Então não pode ver filmes pornôs. A Bíblia me orienta que quando eu me uno com alguém ou quando tenho alguma expectativa sexual com outra pessoa que não seja meu cônjuge, estou cometendo adultério. Qual o meu intuito de ter acesso à nudez alheia? O que eu estou querendo?  A Bíblia alerta que se eu olhar para outra mulher e cobiçá-la já cometi adultério. Imagine vasculhar a nudez dessa pessoa?”, afirmou.

O Ministério Bálsamo de Gileade, da Igreja Monte Sião, em Linhares, oferece curso específico sobre compulsão sexual para pastores, leigos, lideranças religiosas, psicólogos, assistentes sociais, agentes de pastoral, educadores, pessoas envolvidas em ONGs com enfoque na prática do cuidado, professores de teologia e demais profissionais da área.
De acordo com os organizadores do curso, o objetivo é fornecer aos alunos conhecimentos e descobertas relacionados ao tema por meio de estudos, relatos vivenciais e prática clínica e de aconselhamento dos professores, pautado no conhecimento teológico e psicológico.
Dentre os assuntos abordados, há conhecimento sobre conceituação e caracterização do vício sexual; padrões de vícios e sua construção; padrão de Deus sobre sexualidade; visão da psicologia sobre as disfunções sexuais e as síndromes relacionadas a sexualidade; raízes do vício sexual e prevenção; relacionamento, diálogo e educação sexual; cura das feridas do vício sexual e estratégias de enfrentamento; abuso x vício sexual.

O crente deve ter autocontrole e abster-se de toda e qualquer prática sexual que vá contra os propósitos divinos. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.