O Brasil está descobrindo a NVT

Foto Gabriel Chiarastelli

Em 2016, quando a Editora Mundo Cristão lançou sua nova tradução da Bíblia conhecida como a Nova Versão Transformadora (NVT), preparei-me para receber uma avalanche de críticas.

Isso porque já havia observado os lançamentos de outras Bíblias em anos anteriores, que eram recebidas com desconfiança e questionamentos pelos leitores mais conservadores. Tínhamos a impressão de que havia um segmento pequeno, mas influente, de evangélicos que não se agrada de alterações nas já conhecidas Escrituras.

Preparamo-nos para responder rapidamente quaisquer novas críticas, a fim de defender o trabalho dos tradutores. Mas, nos dias e nas semanas que se seguiram ao lançamento da NVT, fomos surpreendidos com a ausência de desaprovações ou de opiniões desfavoráveis na imprensa, em blogs e nas redes sociais. Hoje, dois anos após a publicação da NVT e com mais de 500.000 exemplares distribuídos pelo Brasil, foram pouquíssimas as restrições ou discordâncias que chegaram até nós.

Em contrapartida, recebemos centenas de expressões de gratidão de leitores que se diziam muito satisfeitos com a NVT, encontrando nela aquilo que havíamos proposto: “a verdade com clareza”.

Semanalmente recebemos comentários de leitores que estão redescobrindo o prazer da leitura e de pastores que estão adotando a NVT como texto-base na pregação. São comuns comentários como este, postado por uma leitora que adquiriu a NVT numa livraria virtual: “A NVT é uma Bíblia moderna, dinâmica e gostosa para a leitura do dia a dia. A Bíblia em si já é maravilhosa como obra literária, e essa tradução fez jus ao que a Bíblia é.”

A publicação recente da Bíblia de Estudo NVT reforça o fato de não se tratar de uma paráfrase, mas de uma tradução que, como as demais, pode ser usada para estudo sério da Palavra.

Embora cientes do rigor acadêmico e estilístico presente nesta tradução, não supúnhamos que a NVT viesse a ser conhecida como a “melhor” tradução da Bíblia, até porque não existe, categoricamente, uma “melhor”. Existem traduções mais sensíveis e bem articuladas em alguns trechos, outras mais adequadas para determinadas situações ou uso, e aquelas que se aproximam mais de alguns pressupostos doutrinários. Acredito que para atingir uma compreensão apurada das Escrituras seja preciso uma leitura ampla de diversas traduções e — sempre que possível — a consulta a documentos confiáveis nas línguas originais.

Creio que o que explica a popularidade da NVT seja a combinação de precisão com comunicação. Criamos não apenas uma comissão de tradução para verter um manuscrito a partir de textos da antiguidade, mas uma segunda comissão — a de revisão. Igualmente importante, ela trouxe para o processo decisório a relevância da compreensão pelo leitor leigo, fluente no português como falado hoje no Brasil e formado na rede de escolas públicas do país. Concluímos que o texto resultante deveria reproduzir a semântica presente no texto original mas, ao mesmo tempo, ser acessível e natural para o brasileiro do século 21.

A Bíblia é a Palavra de Deus, viva e relevante não apenas para o cristão mas para todos que desejam conhecer a natureza de Deus e sua vontade para a humanidade. Assim como as demais versões da Bíblia, a NVT procura reduzir barreiras e romper resistências entre a Palavra e o leitor.


Mark Carpenter é presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em Literatura pela Universidade de São Paulo (USP)

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