A mais nova cultura brasileira

Foto: Arquivo Comunhão

Evangélicos são pessoas estudadas, formadas, pós-graduadas e experientes, não só em Bíblia.

O governo Bolsonaro trouxe para o centro das atenções uma nova fatia da cultura brasileira: a dos evangélicos. Você logo dirá que todo mundo já conhece os evangélicos. Errado. Os não evangélicos “pensam” que, através dos estereótipos de crente, conhecem e explicam os cristãos. Ledo engano. Exemplificando: ao assistir pela TV a um debate político entre doutores de uma universidade, em dado momento um deles disse que os evangélicos eram 25% da população. Uma das debatedoras se espantou e questionou tamanha existência desse grupo no Brasil. Um mês depois, ela constatou que os evangélicos elegeram Bolsonaro.

Não é somente essa doutora que desconhece os evangélicos. As pessoas, em geral, não têm ciência, por exemplo, do mundo musical dos evangélicos, que possui um mercado tão grande a ponto de já despertado até executivos das grandes gravadoras. Aliás, é bom lembrar que isso não é fato novo. Nos anos 1960, gravadoras seculares tinham em seus quadros também artistas cristãos. Mas, infelizmente, os historiadores da música brasileira parecem “desatentos” à existência desses nomes. Todos deveriam figurar nas enciclopédias de música brasileira, afinal, foram e são artistas conhecidos do público brasileiro. Alguns, inclusive, com carreira internacional.

Na literatura, o mesmo fenômeno ocorre: pouquíssimos evangélicos são mencionados como escritores de expressão. No mundo evangélico, há recordistas de vendagem que superam nomes consagrados e nem sequer são mencionados entre os escritores nacionais. Alguém diria que a omissão se deve aos temas que escrevem. Sendo assim, por que não boicotam também os escritores cujas obras são recheadas de catolicismo, de umbandismo e até de princípios de religiões minoritárias? O problema sempre foi com os evangélicos mesmo.

Em alguns momentos da campanha de Bolsonaro e depois de sua eleição, os comentaristas continuam achando estranha a atitude do presidente de orar e citar versículos bíblicos. Se ele tivesse acendido velas, recebido passes, feito oferendas a Iemanjá ou realizado romaria para pagar promessa, por certo, até exaltariam a sua fé, mas como foram orações e citações bíblicas… Definitivamente, no geral, os jornalistas brasileiros não conhecem os costumes cristãos. Nem vou taxar de cristofobia. Vou classificar apenas como desrespeito à cultura evangélica.

Evangélicos têm seus hábitos, seu vocabulário, suas músicas, seus escritores, seus palestrantes, enfim, tudo que possui qualquer outra religião que normalmente é respeitada pelos veículos de comunicação. O que de tão estranho há em fazer orações ou seguir os preceitos bíblicos? É cultura e deve ser respeitada. Cultura, aliás, que não poderia ser melhor. Evangélicos pregam a paz, o amor, a liberdade de expressão, o respeito a todos, incentivam o estudo, ajudam as pessoas a se livrar dos vícios, enfim, só fazem o bem. Não entendo essa marcação. Das três, uma. Ou marcam porque desconhecem a cultura, ou marcam porque têm interesse em ver o país em anarquia, o principal combustível do comunismo, ou marcam porque são pessoas de mau caráter com interesses por trás. Quero crer que seja apenas desconhecimento. Por isso, deixo o meu recado aos que querem opinar sobre religião: antes, aprofundem-se no tema cultura evangélica.

Depois de entenderem o paradoxo Marta e Maria; de explicarem a diferença entre cântico, corinho e hino; de saberem o que são EBD e EBF; de diferenciarem os diversos batismos; de compreenderam o porquê dos usos e costumes; de distinguirem pentecostais de tradicionais e de renovados; de explicarem arrebatamento e milenismo, nem que seja por alto; de contarem as histórias de Israel e da Igreja; de imaginarem o que seja fazer um devocional diário; de citarem cinco provérbios, de recitarem um salmo, e de, pelo menos, listarem os títulos da teologia sistemática… venham falar com a gente.

Pode parecer arrogante, mas toda vez que alguém vem falar comigo sobre Bíblia, a primeira coisa que pergunto a essa pessoa é se ela já leu as Escrituras. Se a resposta é negativa, não há como continuar a conversa. Imagine eu, que sou jornalista, tentar debater com um médico, sem nunca ter lido sequer um livro de medicina. Vou passar vergonha. E é isso que os jornalistas opinadores de plantão têm passado no Brasil, nos últimos tempos: vergonha.

Portanto, aprendam sobre os evangélicos, seus princípios e sua história, antes de entrevistá-los armados de um enorme preconceito e fome de destruí-los. Evangélicos são pessoas estudadas, formadas, pós-graduadas e experientes, não só em Bíblia. Evangélicos conhecem sobre o Brasil e o mundo não cristão e as outras religiões – em muitos casos, até melhor do que os que nunca leram a Bíblia. Há tempos que os evangélicos deixaram de ser minoria em nosso país.

Avise isso ao jornalista mais próximo da sua casa, por favor. Até um dia desses, eu respeitava certos jornalistas. Agora que muitos se tornaram militantes gratuitos contra os evangélicos, confesso que não estou mais disposto a saber o que estão achando disso ou daquilo. Parece que o vírus do “Dilmismo” os contaminou, e as palavras estão saindo descoordenadas.


 Atilano Muradas é jornalista, escritor e compositor – atilanomuradasneto@gmail.com

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