Nos braços do diabo

Quando eu era criança, cada refeição em nossa casa era um suplício. Não era por causa da comida, pois o simples fato de minha mãe ser baiana era garantia de ser boa cozinheira.

Mas o problema é que ela sempre nos obrigava a comer muita verdura. Em uma casa com seis filhos, a opção preferida sempre foram doces e picolés (ainda acho que picolé de chocolate é o melhor alimento que existe).

Mas, por que será que ela nos obrigava a comer verdura, se achávamos que picolé era muito melhor? Porque ela sabia que não poderíamos sobreviver só com picolé. Faz parte do compromisso dos pais quererem sempre o melhor para os filhos. É por isso que somos “obrigados” a comer verduras, a ir à escola, a ter horário para dormir e para acordar, a ter que escovar dentes e pentear o cabelo, e fazer (do ponto de vista dos filhos) tantas outras coisas “absurdas”. Os pais fazem isso porque querem o melhor para os filhos.

Entretanto, mesmo fazendo todas essas coisas, muitos pais crentes, quando se trata de ensinar seus filhos a ter um relacionamento com Deus, simplesmente ignoram essa responsabilidade, transferindo-a aos próprios filhos: “Não quero influenciar meus filhos. Quando crescerem, eles poderão escolher o que querem”.

O que me preocupa é que pais crentes procuram dar a melhor escola, roupa e passeios para os filhos, mas quando o assunto é igreja, eles acham que os filhos adolescentes devem ter liberdade de escolher. Conheço alguns pais crentes que permitem que seus filhos frequentem uma boate, com a desculpa de que eles precisam experimentar tudo para poder fazer uma boa escolha. De que adianta ter filhos saudáveis e inteligentes, mas que estão indo para o inferno?

Minha esposa me contou uma história de uma amiga que tinha muita dificuldade para levar seu filho à igreja nos domingos. Um dia, seu filho rebelde lhe disse: “Mãe, vi um desenho animado em que um homem obrigou seu burro a subir uma alta montanha até chegar a uma linda fonte. Ao chegar lá, o burro lhe disse: você pode me obrigar a vir até aqui, mas você não pode me obrigar a beber dessa água”. A mãe entendeu a metáfora e respondeu: “Você tem razão meu filho. Minha tarefa é ensinar o caminho para a fonte. Quem sabe um dia você tenha sede? Mas você nunca poderá dizer que foi para o inferno porque ninguém insistiu em lhe ensinar onde estava a verdadeira fonte da água pura”.

Pais, não se intimidem de usar sua autoridade para ensinar aos filhos onde está a fonte de vida eterna. Isso não é pecado, nem causará traumas irreversíveis, pois é a única forma de provar que ama seu filho ou filha. Esse é o verdadeiro amor. Tudo mais na vida é mero complemento. Insistimos que Deus não nos deu filhos para a perdição, por isso não adianta nos matarmos de trabalhar para darmos o melhor que existe para quem vai para o inferno. Não podemos nos sacrificar pelos nossos filhos apenas para que o diabo seja o grande beneficiário. Ou acordamos para essa realidade ou estaremos nos autoenganando.

O diabo tem conseguido iludir muitos pais com sua astúcia, dizendo que, se amamos nossos filhos, devemos dar-lhes tudo e deixar que façam o que querem. Essa é a melhor maneira de jogar seus filhos nos braços do diabo.

Pr. José Ernesto Conti

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita

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