Nos braços do diabo

Terminamos mais um “mês da família”. Tenho certeza de que todas as igrejas, de alguma forma, trataram desse assunto, até porque família é um dos pilares de toda a nossa fé.

Faz parte do compromisso dos pais querer sempre o melhor para os filhos. É por isso que os “obrigamos” a comerem verduras, a irem à escola, a terem horário para dormir e para acordar, a escovarem os dentes e pentearem o cabelo, e a fazerem (do ponto de vista dos filhos) tantas outras coisas “absurdas”. Os pais fazem isso porque querem o melhor para os filhos.

Entretanto, mesmo fazendo todas essas coisas, muitos pais crentes, quando se refere a ensinar seus filhos a terem um relacionamento com Deus, simplesmente ignoram essa responsabilidade, transferindo-a aos próprios filhos: “Não quero influenciá-los. Quando crescer, eles poderão escolher o que querem”. O que me preocupa é que pais crentes procuram dar a melhor escola, roupa, passeios, mas quando o assunto é igreja, eles acham que os filhos adolescentes devem ter liberdade de escolher. De que adianta ter filhos saudáveis e inteligentes, mas que estão indo para o inferno?

Pais, não se intimidem em usar sua autoridade para ensinar aos filhos onde está a fonte de vida eterna. Isso não é pecado nem causará traumas irreversíveis, pois é a única forma de provar que ama seu filho ou sua filha. O diabo tem conseguido iludir muitos pais dizendo que Igreja ou a religião é uma escolha que fazemos no futuro. Essa é a melhor maneira de jogar seus filhos nos braços dele.

QUEM DISSE “TUDO POSSO”?

Um dos versículos bíblicos mais conhecidos de boa parte da liderança ligada ao evangelho da prosperidade é: tudo posso naquele que me fortalece (Fl4:13). Esse texto tornou-se a senha para que o cristão fique liberado para fazer qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo. De quem é a culpa: dos cristãos ou da liderança? Da liderança. E para se justificar, ela avança com avidez sobre textos (fora do contexto), como “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”, ou mesmo, “em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores” (Rm8:28a; 37), para sinalizar que nós, cristãos (evangélicos), podemos fazer tudo.

Sinto vergonha quando percebo que uma liderança não comprometida com uma exegese correta e, usando indevidamente a Palavra de Deus, decide pregar aquilo que o povo quer ouvir e não aquilo que o povo precisa ouvir. Não estou preocupado com um sermão de “autoajuda”, mas com a adulteração, o menosprezo com a boa exegese, a fidelidade do texto sagrado. Nossa obrigação, como pastores do rebanho de Deus, é levar esse povo para “pastos verdejantes junto a águas tranquilas”, pois pior do que comer mau é comer alimento estragado.

Quem disse que “tudo te darei” foi o diabo para Jesus. Cabe a nós ficarmos revestidos contra todas as ciladas do inimigo, inclusive quando ele se traveste com pele de cordeiro para atacar o rebanho de Cristo, fazendo comércio de nós com palavras fictícias.

FACHIN, CERTO OU ERRADO?

Nossa presidente, Dilma Rousseff, indicou um novo ministro para a nossa Corte máxima. Diz a lei que, para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é necessário, além de notável saber jurídico, ter reputação ilibada. Não é isso que se percebe no advogado Luiz Edson Fachin. Em seu depoimento no Senado, ele fez questão de minimizar todas as suas declarações e ideias absurdas defendidas ao longo da vida, como, por exemplo, o direito a pensão para amantes; o tratamento da poligamia com uma questão de consciência pessoal; o apoio à desapropriação de terras produtivas, à abolição da propriedade privada e produtiva; e sua posição favorável ao Paraguai contra o Brasil no caso de Itaipu, a sua simpatia às propostas no PLS 470/2013, que institui o “Estatuto da Família”, que entre outras aberrações, defende as relações extraconjugais e permite aos homossexuais frequentarem banheiros femininos nas escolas.

Na sua argumentação sobre por que continuou exercendo advocacia privada quando ocupava um cargo público, no mínimo, faltou coerência.Por que será que o ser humano não evolui? Porque tudo tem que acontecer como há 3.000 anos, quando o profeta Isaías afirma que “ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce,por amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” Nunca antes na história deste país está difícil saber o que é certo.

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