Nina Targino e os 20 anos de oração das Deboras

“Quando uma mãe ora por um filho, nós cremos que em primeiro lugar isso agrada ao coração de Deus, creio mesmo que O comove”

Criado como uma mobilização interdenominacional para incentivar mães a orarem por jovens que estavam envolvidos em trabalhos missionários em 1995, o Desperta Débora ultrapassou seu objetivo inicial e completa 20 anos com mais de 100 mil mulheres cadastradas para interceder pelo menos por 15 minutos diários pelos seus filhos. Nesta entrevista, a coordenadora nacional do movimento, Maria Luiza (Nina) Targino, conta tudo sobre as comemorações e os detalhes do seu livro “Mães me Joelho, Filhos de Pé”, recém-lançado pela editora Mundo Cristão.

O Desperta Débora está completando 20 anos. Como serão as comemorações?
É realmente um tempo de muita celebração e que está acontecendo por todo o país desde janeiro. Tivemos o ápice dessas comemorações com o congresso alusivo aos 20 anos, realizado em outubro na cidade de João Pessoa, na Paraíba, onde mais de duas mil Déboras de todos os estados do Brasil e também do exterior atenderam ao convite e se uniram para agradecer a Deus as bênçãos recebidas.

Quais os momentos marcantes do projeto durante esse período?
São 20 anos de intensa luta em oração pelos filhos e pela nossa juventude. Ao longo desse tempo, tivemos a alegria de ver respostas do Senhor suprindo necessidades, cuidando do nosso coração, orientando-nos o caminho a seguir. Por exemplo, a morte de Ana Maria Pereira, nossa coordenadora nacional, nos levou a pensar que seria o fim do movimento. Mas Deus estava no controle e levantou o pastor Marcelo Gualberto, fundador do grupo, juntamente com o pastor Jeremias Pereira e com Ana, para levar as Déboras adiante. Como momento marcante, também cito a criação do “Escola da Vida”, realizado pela Mocidade para Cristo do Brasil (MPC), um projeto de alcance às unidades de ensino e que tem sido um divisor de águas na vida de alguns dos mais de 4 mil jovens impactados por todo o Brasil

Quais as mudanças que a senhora percebeu no Desperta Débora nessas duas décadas?
O Desperta Débora como movimento interdenominacional cresceu bastante ao longo desses 20 anos. Hoje está presente nos 26 estados da federação, no Distrito Federal e em mais de 48 países. O movimento, pelo apelo que tem de oração pelos filhos, não começou pequenininho; já iniciou levantando centenas de mães, e hoje são mais de 100 mil cadastradas. Esse aumento significativo na adesão ao compromisso de orar pelos filhos é maravilhoso, e recebemos os frutos com muita alegria. Além desse número expressivo de mães orando, percebemos no Desperta Débora, ao longo desses anos, mudanças na vida dos filhos por quem as mulheres oram; muitos testemunhos se acumulam. Também mudanças nos filhos espirituais que são adotados pelas Déboras, transformação de vida, rendição a Jesus, vidas colocadas a serviço do Reino; isso não tem preço.

Temos visto muitas notícias de assassinatos de pais contra filhos e de filhos contra pais, casos que chocam, impactantes. Nos textos bíblicos em Mateus, Marcos e Lucas, Jesus disse que esse tempo chegaria. Como o Desperta Débora tem tratado este momento?
É uma triste realidade com a qual nos deparamos nestes dias tão difíceis para quem deseja viver como verdadeiro seguidor de Jesus e levar outros a sê-lo. Nós temos incentivado as Déboras a investir em seus momentos devocionais de leitura da Palavra, a valorizar muito a sua intimidade com Jesus, a priorizar os momentos devocionais com a família e o ensino bíblico aos filhos em relação aos caminhos por onde eles devem andar. Sabemos que a família é a base de tudo; então deve ser a prioridade para qualquer mulher ou homem de Deus. Acabando a família como instituída por Deus, estamos perdidos.

Quando uma mulher costuma procurar o Desperta Débora? Apenas quando há um problema com o filho ou porque quer evitar esses problemas?
Muitas vezes a mãe busca um grupo de Déboras porque está com problemas com um filho, ou na família. Mas um grupo expressivo também procura para evitar que cheguem os problemas. Por um filho, a mãe procura se unir a outras mães porque a linguagem é a mesma; elas se entendem e ficam à vontade. É a linguagem do coração, e assim tudo se torna mais fácil de ser vivido e compartilhado.

O que acontece quando uma mãe ora por seu filho? Como a Eternidade se movimenta?
Costumamos dizer entre as Déboras que a sua oração fará diferença aqui e na eternidade do filho. Quando uma mãe ora por um filho, nós cremos que em primeiro lugar isso agrada ao coração de Deus, creio mesmo que O comove. Não há ninguém a quem uma mãe entregue um filho e descanse, só a Deus, e essa oração de entrega agrada ao Seu coração e O move ao nosso favor. É como se Deus tomasse a causa para Si e escrevesse uma nova história segunda a Sua vontade. Por que podemos pensar assim? Porque a Bíblia diz que filhos são herança do Senhor; Ele é o maior interessado na salvação dos nossos filhos, por isso a nossa oração repercute na eternidade deles.

Qual o motivo de usar a personagem Débora para o nome? Qual a ligação dessa figura bíblica com as mães?
Débora foi uma juíza que julgou Israel num tempo muito difícil. A nação estava sendo atacada por um forte exército, e todos fugiam desanimados como se não houvesse solução. A Bíblia fala, em Juízes 5:7: “Já tinham desistido os camponeses de Israel, já tinham desistido, até que eu, Débora, me levantei; levantou-se uma mãe em Israel”. A vida dessa mulher, a única a julgar Israel no tempo dos juízes, se liga com a nossa hoje pelo fato de que os tempos estão muito difíceis e, assim como Débora, não podemos desistir, precisamos nos levantar com ousadia, coragem, fé e dizer: Despertem, “Déboras, Marias, Anas, Franciscas, Fátimas! Desperte, mãe!”

Há testemunhos fortes de mães que conseguiram reerguer seus filhos a partir do envolvimento delas no Desperta Débora. Pode contar alguns que tenham sido importantes e que marcaram as participantes do movimento?
Sim, temos inúmeros. Pela misericórdia de Deus vamos contando as bênçãos, uma a uma, porque queremos que todos por quem oramos voltem da terra do inimigo. Uma mãe Débora compadeceu-se da filha de uma pessoa amiga, e no meio de uma luta terrível daquela mãe com a filha, levou a jovem para viver um tempo na sua casa, trabalhar, estudar e livrar-se das drogas. Foi muita ousadia e certeza da vontade de Deus fazer isso. Muita responsabilidade, mas como ela mesma conta, sabia de quem era a voz que a estava orientando, do Senhor. Passado um tempo, um tempo que não foi nada fácil, a jovem foi liberta das drogas, rendeu-se a Jesus, continua estudando, trabalhando e voltou a viver com a mãe. Glorificamos a Deus a cada jovem reerguido, mas também glorificamos ao Senhor pelo suporte e pela força que dá àquelas mães que ainda estão na sala de espera crendo que a vitória chegará.

Como uma mãe pode conseguir conciliar essa rotina de oração com todos os seus afazeres diários? O Desperta Débora fornece também orientações para organização do tempo ou indica às mães o melhor horário a ser reservado à oração em favor dos filhos?
Nós temos no tempo um aliado e ao mesmo tempo um inimigo se não soubermos administrá-lo. Com essa vida tão corrida, em que o tempo encolhe diante de tantas ocupações a que nos propomos, a orientação que compartilhamos com as Déboras é que priorizem o seu momento devocional diário. É como o alimento que comemos, não pode faltar. O ideal é que, se possível, esse tempo devocional seja pela manhã, quando estamos mais descansadas, mesmo que não se tenha um tempo grande disponível, e geralmente não temos. Quando deixamos para mais tarde, à noite, por exemplo, a correria do dia nos desanima e desfalece nosso corpo. Sendo assim, a manhã, para a maioria das pessoas, é o melhor horário. Mas cada uma fica à vontade para decidir diante da sua realidade de vida. Só não pode deixar de ter esse tempo de oração pelos filhos incluído na sua rotina diária.

O seu livro foi definido de que forma? Qual foi seu objetivo quando decidiu enveredar na construção de “Mães de Joelho, Filhos de Pé”? É uma obra apenas para mães?
O livro “Mães de Joelho, Filhos de Pé – O que acontece quando você ora” foi definido a partir do sentimento de amor que uma mãe tem por um filho, desse encontro de emoções que são as preocupações, as alegrias, a ansiedade, as tristezas, toda essa mistura que enche o coração de uma mãe. Eu aceitei o desafio de escrever o livro, por entender que somos milhares de mães orando pelos filhos, mas que podemos ser muito mais, que existem mães por aí que não têm esperança, porque não sabem que a última palavra na vida dos nossos filhos é de Deus e que só Ele pode escrever uma nova história. Precisava compartilhar sobre isso. Precisava dizer que há uma esperança, compartilhar histórias que vivi com milhares de mães que encontraram em Jesus a verdadeira esperança. Havia toda uma necessidade de animar muitos corações como um dia o meu foi animado. Como uma mãe cristã, sei que devemos orar pelos filhos, mas que também devemos levar outras mães a orar pelos seus. E não é uma obra só para as mamães; muitos pais têm me dado a oportunidade e a honra de conversar com eles através do livro e por causa do livro.

Quais são as maiores ameaças para a vida dos filhos?
Nossos filhos não vivem numa redoma, isolados do mundo. Eles vão à escola, à universidade, ao trabalho, saem com os amigos, enfim, vivem. No entanto, precisamos estar como pais vigilantes, atentos, e não importa se são crianças, adolescentes, jovens ou adultos. O dia a dia é uma constante luta, seja na vida dita secular, seja na espiritual. As ameaças vêm sob as mais diversas formas, sutis, travestidas de beleza e de convites aparentemente irrecusáveis. É a porta mais fácil e por onde a maioria deseja passar. São ameaças das drogas, do sexo fácil, da bebida, da mentira, do pecado. E se são cristãos, aumenta o perigo, a concentração das forças do inimigo sobre eles é tremenda. São bombardeados por todos os lados para que se afastem dos caminhos do Senhor ou para que nem mesmo venham a se render a Ele. O apóstolo Paulo escreveu: “Estejam alertas e vigiem”. E isso devem tomar para si os pais sobre a vida dos filhos.

Como criar filhos neste mundo de insegurança?
Seguindo as orientações da Palavra de Deus; não tem outro método ou caminho. E para que ensinem, os pais precisam conhecer esse caminho, entender que, por mais que amem os filhos, não vão poder estar com eles 24 horas por dia, não estarão onde eles forem todo o tempo. Mas Deus pode, os Seus ensinamentos podem e vão levá-los seguros pela vida afora.

Como é a sua rotina em favor da sua família, já que tem três filhos e seis netos?
Tenho duas filhas e um filho, todos já casados e com filhos. Tenho também mais três filhos fruto desses casamentos: dois genros e uma nora. São seis netos, cinco meninas e um menino. Não os tenho mais ao meu lado no dia a dia, cada um tem os seus deveres e afazeres, mas posso orar por cada um e apresentá-los ao Senhor, e é o que faço de mais importante por eles. Sempre que posso, saio com os meus netos e ajudo meus filhos a levá-los ao conhecimento de quem é o Senhor da nossa vida. Compartilhamos meus filhos e eu, sobre o que ouvimos e vemos dos pequenos. Alguns não tão pequenos assim, porque tenho uma neta de 20 anos, mas eles nos ajudam a perceber erros e a celebrar os acertos louvando ao Senhor por todo apoio. Não é fácil, mas seguimos tentando e com o auxílio de Jesus conseguiremos.

E no caso daqueles que são órfãos, quem pode interceder por eles?
As Déboras também são mães espirituais. O interessante é que existe no movimento Desperta Débora mulheres que não casaram ou que casaram e não tiveram filhos. São mães espirituais e adotam órfãos também para estar intercedendo ao Senhor por essas vidinhas e, muitas vezes, dando assistência em várias áreas que eles precisam.

Como o Desperta Débora insere os pais (homens) nessa rotina de oração pelos filhos?
Há pouco mais de dois anos, foi fundada, dentro da Mocidade para Cristo, a missão à qual o Desperta Débora está ligado: o movimento Homens de Coragem. Isso facilitou muito esse caminhar de oração das mães com os pais. Apesar de ser um movimento próprio, caminham juntos na certeza de que só o Senhor pode ajudar e proteger os filhos.

A perseguição religiosa contra os cristãos tem se espalhado cada vez mais pelo planeta. O Desperta Débora também tem um trabalho voltado para os perseguidos, não é?
Sim, as Déboras oram pelos perseguidos em nome de Cristo, e muitas estão engajadas nos departamentos de missões nas suas igrejas locais. Nós oramos para que Deus levante uma geração compromisso, jovens que se entreguem ao Senhor da obra para que Ele os use onde quer que os enviar. Temos vários testemunhos de jovens que estão nos campos missionários, perto e distantes do Brasil, que são cobertos pelas orações e pela ajuda das Déboras.

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