Nelson Junior e o Eu Escolhi Esperar

Em entrevista à Comunhão, o pastor fala sobre diversos aspectos de seu projeto como estrutura familiar, casamento, divórcio e relações de intimidade

Formado em Teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (IBAD), Nelson Junior é o idealizador e coordenador do movimento Eu escolhi Esperar (EEE). Pastor desde 1998, ele trabalha com a juventude há mais de 20 anos.

Atuando em todo Brasil, tendo impactado mais de 350 mil pessoas, Nelson é casado com Ângela Cristina, com quem divide a coordenação do EEE. Com seis anos de ministério, Nelson explica que seu campo de atuação envolve não somente os jovens, mas também os adultos, já que o movimento é voltado para a preservação sexual e integridade emocional.

Em entrevista à Comunhão, ele fala sobre diversos aspectos de seu projeto como estrutura familiar, casamento, divórcio e relações de intimidade.

Confira a entrevista!

Por que a criação do movimento Eu Escolhi Esperar?
Surgiu de uma necessidade: tratar a questão da sexualidade cristã, principalmente entre adolescentes e jovens. Uma estatística divulgada em 2011 pela Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (BEPEC) revelou que os solteiros evangélicos têm o mesmo comportamento sexual que os não cristãos e que os jovens e adolescentes frequentadores das igrejas vivem uma vida sexualmente ativa sem nenhum temor. E que muitos sequer foram instruídos sobre o propósito bíblico do sexo. E sabe onde toda essa omissão se reflete? Dentro dos casamentos. Para nós, grande parte desta desordem familiar que vemos nos casamentos de hoje está justamente na falta de ensino antes do casamento.

Quais os questionamentos mais frequentes que recebe dos jovens?
Devido à falta de uma instrução correta, as dúvidas são variadas. Difícil pontuar uma especificamente. Em 2014, realizamos seminários em todos os estados brasileiros e permitimos aos jovens enviar sua dúvida por escrito. Recebemos aproximadamente 22 mil perguntas ao longo do ano. E através delas conseguimos filtrar as mais frequentes, desde perguntas como ‘eu como pastor julgava óbvio, como por exemplo, se casar com quem não é crente’ até aquelas que existem divergências e opiniões entre os teólogos como sexo oral dentro casamento. Conseguimos produzir um material inédito no Brasil com as 50 dúvidas mais comuns que os jovens e adolescentes cristãos têm sobre namoro, espera e sexualidade.

Escolher esperar é direcionado apenas para a juventude?
O Escolhi Esperar é uma campanha de preservação sexual e integridade emocional. Sendo assim, serve para todas as idades, classes sociais, formações acadêmicas e até religiões diferentes. Não é apenas o cristianismo que ensina a importância de se guardar sexualmente até o casamento. Judaísmo e islamismo também. Temos registro de que até jovens que não praticam nenhuma religião fazem essa escolha como um valor e princípio de vida.

No caso de um adulto divorciado e que quer refazer a vida sentimental, como esperar?
Os que tentam, confessam encontrar muita dificuldade. Afinal vieram de uma vida sexual ativa e o adulto já veio de um contexto de intimidade sexual. Tenho confissões de pessoas que tentam, mas quando encontram um futuro pretendente, o outro não partilha do mesmo princípio. Por serem adultos, terem independência financeira, vida toda resolvida e alguns até já possuírem filhos, encaram grande dificuldades e desafios. Como esperar? Como preservar o corpo até o casamento? Acredito que por meio do diálogo, de uma conversa franca. Acredito muito no poder da comunicação e que conversando a gente se entende. Se uma pessoa expressar para a outra, antes de iniciarem o romance, que a preservação sexual é um valor importante para ela, e se o outro realmente está interessado e tem um sentimento de respeito pelo outro, acredito que é possível chegarem lá.

Qual é a forma ideal de esperar?
Não há um jeito ideal. Não existem fórmulas mágicas. As pessoas são diferentes, têm valores diferentes, hábitos diferentes, comportamentos diferentes e fazem escolhas diferentes. Para não cair na tentação sexual meu conselho é evitarem ao máximo possível intimidade física. Existem cuidados básicos como evitar ficarem sozinhos, deitarem juntos, beijos calorosos, carícias intimas, namorarem no escuro e coisas próximas a isso. São orientações para ajudar àqueles que verdadeiramente desejam se preservar em santidade ao Senhor. Porém, na prática, o que tenho visto é que os cristãos não querem esperar. Os namoros são em sua maioria lascivos e com intimidade sexual. Quem não está disposto a pagar o preço antes, tem que estar disposto a arcar com o preço alto depois, dentro do casamento.

Como ouvir a voz de Deus na vida sentimental?
Da mesma maneira que as pessoas deveriam ouvir a voz de Deus no dia a dia. Porém, a superficialidade da vida cristã é impressionante. As pessoas não ouvem a voz de Deus que já está explicita nas Escrituras Sagradas, imagina ouvir de outra forma? Se você não tem o hábito de ouvir ao Senhor diariamente em coisas pequenas, como você vai ouvir a voz de Deus em assuntos tão importantes como a vida sentimental? Fica difícil.

Como fugir do pecado da carne?
Nós nos convertemos, nossa carne não se converte nunca. Essa é uma batalha constante, para toda a vida até Jesus voltar. A grande questão é que queremos uma formula mágica e não queremos abrir mão daquilo que nos proporciona prazer. Por exemplo, as pessoas querem emagrecer, mas não querem fazer atividade física e nem mudar o hábito alimentar. As pessoas querem crescer profissionalmente, mas não querem investir em cursos de aperfeiçoamento. Assim é a espiritualidade, não é possível vencer a nossa carne sem fortalecermos o nosso espírito. Não há como vencer os desejos carnais sem uma vida diária de devoção na presença de Deus. Enquanto não entendermos que é um processo e não uma receita de bolo, vamos continuar escravos de nossos desejos e vontades.

Deve-se orar pelo namorado (a) que ainda não se tem?
Erro clássico para esse desastre amoroso que temos assistido nas igrejas evangélicas hoje. As pessoas começam a namorar primeiro, para saber se é a vontade de Deus depois. Isso quando oram né? Resultado: romances vulneráveis, relacionamentos descartáveis, pessoas feridas e namoros problemáticos. E quando se casam nesse contexto, casamentos falidos e o divórcio é quase certo. Sempre bato na mesma tecla: ore primeiro, só namore depois. Não se envolva com ninguém até que você tenha a convicção que este romance está alinhado com propósito de Deus para sua vida.

Como saber se o namoro (relacionamento) é da vontade de Deus?
Vamos para a Palavra. A Bíblia é clara sobre o romance: aquele que encontra o cônjuge ideal, recebeu uma bênção do Senhor (Pv 18:22). Então, o romance ideal vem de Deus e sua principal característica é que este relacionamento é uma bênção. Mas como saber se esse romance de fato é uma bênção? A própria Bíblia responde: a bênção do Senhor enriquece e não acrescenta dores (Pv 10:22). Se você está num romance que não te faz crescer, não te enriquece como pessoa, te causa dor, mágoa, entristece, faz mal ou é doentio, logo, ele não é uma bênção e fica evidente então que não vem do Senhor.

Como a pessoa deve agir se o pretendente é divorciado (a) e tem filhos?
Deve buscar acompanhamento, aconselhamento pastoral e discipulado.