Na ponta dos dedos

Objeto de desejo. Inseparável. Confere status. Quase um ídolo doméstico – algo que, se existisse, Raquel roubaria de seu pai, Labão, ao fugir de casa (Gn31:19) –, o smartphone é um dos aparelhos mais vendidos em nosso país.

Segundo especialistas, o Brasil será o quinto maior mercado neste segmento em 2013, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos, Reino Unido e Japão.

O smartphone é um telefone inteligente, com infinitas funcionalidades como acesso à internet, câmera filmadora e fotográfica, editores de texto, planilhas eletrônicas, GPS, player de música e, às vezes, até mesmo realizar ligações telefônicas. Por conta da capilaridade e facilidade de interconexão com outros usuários, a poderosa rede mobile beira possuir atributos divinos de onipresença, onipotência e onisciência; os teólogos que me perdoem. Mas, calma, ainda não é o anticristo.

O fato é que o smartphone tornou-se objeto de desejo porque traduz bem a ânsia desta geração pós-moderna, que cultiva o individualismo, o pertencimento, a independência e a conectividade. Mas o que potencializa a quase idolatria dos smartphones é a possibilidade de baixar aplicativos – ou apps –, que são softwares desenvolvidos para estes dispositivos com outra infinidade de funções. E o que este assunto tem a ver com o mundo espiritual?
No mundo digital, a atualização de um app é, muitas vezes, comemorada freneticamente, pois potencializa sua performance. E há tempos Deus atualiza seu app quando determina: Enchei-vos do Espírito (Ef 5:18).

Um pouco mais do meu Espírito hoje. Receba mais do meu Espírito hoje. Aperfeiçoe-se mais com meu Espírito hoje. Quero dar mais do meu Espírito hoje. O enchimento do Espírito Santo, então, é uma ação contínua que está disponível aos humildes que reconhecem trabalhar numa versão antiga, desatualizada.

A milenar sedução “sereis como Deus” também é expressa no mundo digital. É ou não é uma proposta divina ter o mundo na palma das mãos, e de forma mais requintada, tudo nas pontas dos dedos? É igualmente num clique que sofremos as antigas tentações e desejamos ardentemente pela velha autossuficiência. Deus, contudo, planejou a alto suficiência.  Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais, profetizou o poeta popular. O “sereis como Deus” é atualizado quando penso que depois de convertido e habitado pelo Espírito Santo, já sou o que sou e que minha graça me basta. Mas eu e você precisamos de atualizações constantes, é o pão nosso de cada dia.

O app de Deus tem atualizações diárias. Todo dia precisamos de uma nova versão que conserte nossos bugs. Que renove o vigor e conduza a uma maior produtividade. A instrução “Enchei-vos do Espírito Santo” nos lembra que a cada dia precisamos abrir mão das experiências bem-sucedidas e nos inclinar para a novidade de vida criativa de Deus, que faz novas todas as coisas. Com a atualização diária, somos encorajados a encarar o inédito, que assusta, mas que nos tornará crentes mais influentes nesta geração mobile, mas tão desconectada de Deus.

Fabio Hertel

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita