Mulheres de fé

Intercessoras, companheiras, auxiliadoras da família, as mulheres do século XXI têm muitas das características de grandes personagens femininas registradas na Bíblia, onde é possível encontrar as respostas para ser uma força de Deus na igreja e na orientação dos filhos.

No princípio de tudo disse Deus: “Não é bom que a o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). E da costela de Adão nasce Eva, a companheira que o Pai decide criar para ser parte da história da humanidade. Foi retirada do lado do homem, para do seu lado permanecer como parceira em obediência àquilo que o Criador orienta.

Essa foi a prova de que o objetivo divino era fazer com que a mulher estivesse ligada ao homem em uma só carne e seu papel fosse fundamental para a vida da igreja e também para o cotidiano familiar, na orientação dos filhos e no cuidado com o marido.

São várias as grandes personagens que estão descritas na Bíblia, mas hoje, em pleno século XXI, existem mulheres buscando a face do Criador para direcionar a família e com atuação importante na Igreja, liderando, orando, orientando e discipulando, assim como fizeram as figuras femininas no passado.

Em todas essas “heroínas” da fé, a oração é a arma mais poderosa para vencer os gigantes que cercam seu dia a dia. Bianca Toledo, missionária, conferencista, cantora e autora de best-sellers, membro da Igreja Batista Central da Barra, no Rio de Janeiro, é casada com o pastor Felipe Heiderich e mãe de José Vittorio. Ela sofreu com uma grave doença que quase a levou à morte e ficou longe do filho, então recém-nascido, durante o período em que esteve no hospital.

Bianca leva pelo mundo seu testemunho de fé e acredita que as mulheres de hoje não conseguiriam suportar sua rotina se não fosse a ligação com Deus. “Eu creio que nosso relacionamento com Deus é a base que sustenta todas as áreas de nossas vidas. Muitas vezes a mulher se perde na realização de suas tarefas porque se doa mais aos outros do que a si mesma no exercício de sua espiritualidade. A vida de oração e comunhão com Deus dá força, amor e sabedoria renovados para vencer os desafios! Somos vencedoras quando nosso coração está em Deus”, ressalta.

Para ela, um exemplo clássico da contemporaneidade das mulheres bíblicas está na figura de Débora, juíza que foi levada a libertar o povo judeu contra os cananeus quando Baraque pede que o acompanhe na batalha.

“Creio que a personalidade de Débora fala muito sobre a ousadia de ocupar um lugar de êxito na execução de seu chamado sem perder a função familiar amorosa e dedicada à edificação de sua casa. Somos heroínas como ela quando enfrentamos com coragem as batalhas que se aproximam crendo que nosso Pai nos entregará todas as estratégias para alcançar as promessas que Ele nos fez, em todas as áreas das nossas vidas”, detalha Bianca.

A psicóloga Zenaide Monteiro, membro da Igreja Evangélica Batista de Vitória (IEBV), foi um grande executiva em São Paulo, mas a morte trágica do marido, assassinado na loja de joias da família em plena Avenida Paulista, um dia antes do aniversário de um ano da filha mais nova das três que o casal teve, rendeu a ela ódio do criminoso a ponto de procurá-lo diariamente para se vingar. Nascida em lar evangélico, depois da tragédia, ela desacreditou de Deus e não aceitava qualquer convite para ir a uma igreja.

Até que foi a uma reunião da Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (Adhonep) a convite de uma amiga e teve uma experiência grandiosa que mudou completamente sua vida. “Depois de tudo que passei, ficar com minhas três filhas e sem meu marido, que era um grande companheiro, disse: ‘Deus, sacagem Sua. Depois de tudo que passei, fui boa filha, trabalhadora, boa mãe, e tenho que enfrentar isso? Ficar sem meu marido’. Eu não aceitava. Minha amiga me chamou para um chá na Adhonep e aceitei.

Quando cheguei, o preletor começou a falar que Deus cura e salva. Uma pessoa que nunca tinha me visto, não sabia da minha história, se levantou no meio do chá e me perguntou se eu tinha perdoado quem matou meu marido. Eu disse: ‘Como assim, perdoar? Sai um filho do inferno, mata meu marido, faz minhas filhas sofrerem, rouba meus bens e eu tenho que perdoar?’ Ela disse que tinha um palavra de Deus para mim, foi falando, e eu sentia um cansaço, parece que o mundo estava nos meus ombros.

E eu comecei então a falar com Deus: ‘Se você existe, eu estou cansada, pega minha vida e muda o rumo dela, faz tudo diferente’. Fui curada naquele dia, os irmãos oraram, e eu comecei a entender que Deus tinha um propósito muito maior na minha vida. Passei a confiar tanto no Deus que eu sirvo que consigo entrar diante dEle, na minha oração, com ousadia, e Ele tem me atendido”, relembra.

Hoje, as filhas dela, Amanda, Monique e Vivian, já estão adultas. São profissionais realizadas em suas carreiras e cristãs. A neta, Beatriz, que nasceu prematura, com poucas chances de vida, também foi alvo de sua fé, sempre confiando de que sobreviveria e seria uma criança saudável.  Zenaide comemora o restauro que recebeu em sua vida palestrando no Brasil e até mundialmente para mulheres. Para ela, as personagens femininas da Bíblia são verdadeira inspiração para as mulheres de hoje. “Falar que mulher não tinha valor naquela época é bobeira, elas são contemporâneas, fortes e buscavam a Deus com fé. Para mim, mulheres da Bíblia são inspiração, porque elas não ficavam quietas apenas orando. Elas oravam, confiavam e agiam para que tudo acontecesse. A mulher de Provérbios 31 é a mulher sábia que edificava o lar, trabalhava, administrava os bens, tinha servas, não ficava só em fogão na cozinha. Não que isso não tenha valor, no entanto, não existe razão para dizer que as mulheres que buscam um lugar no mercado de trabalho estão fora dos padrões bíblicos, muito pelo contrário. As personagens do passado sabiam colocar Deus em primeiro lugar, pedindo que fortalecesse seu braço para cuidar da família, do marido, dos afazeres da casa e do seu trabalho”, destaca.

Submissão em parceria
A psicanalista Claudia Bahiense, membro da Primeira Igreja Batista de Laranjeiras, na Serra, é outra que palestra e atende mulheres com todos os problemas cotidianos, inclusive cristãs, e ressalta a submissão da mulher descrita por Paulo na carta aos Efésios 5:22, de ser submissa ao marido não significa ser explorada ou concordar com tudo o que é dito. “A mulher foi feita para estar ao lado do homem, conversar, entrar em acordo.

Caso essa concordância não venha, é ajoelhar e orar ao Pai, pedindo que mostre a ela e ao parceiro a melhor saída para resolver a situação. Isso é a tradução da mulher sábia, que sabe se impor quando necessário, mas sabe abrir mão da sua opinião quando convém. Recebo muitos casais no consultório nessa situação, que ficam na queda de braço, mulheres que querem mandar na casa e homens que não sabem se colocar como o cabeça da família. Precisa haver parceria para que as coisas fluam bem e oração para que Deus possa estar à frente”, argumenta.
Claudia fala ainda sobre a beleza das mulheres, que algumas vezes, sendo cristãs, acham que precisam ignorar o cuidado com a aparência, outro ponto que atrapalha no relacionamento com o marido.

“Podemos ver em diversas passagens da Bíblia que as mulheres eram belas, se cuidavam, tinham servas que faziam seus banhos, se preparavam para receber seus maridos cheirosas, com especiarias, se vestiam de linho. Ester se vestiu lindamente para chegar até o rei Assuero e pedir liberdade do seu povo. Temos Rute, que foi ao encontro de Boaz e, a pedido da sogra, Noemi, banhou-se, ungiu-se com óleo e vestiu o melhor vestido, conseguindo assim conquistar seu coração.

Temos o exemplo da Bate-Seba, mulher de Urias, que chamou a atenção de Davi enquanto se banhava por sua beleza. Foi uma mulher sofrida, sofreu com a sedução do rei e foi mãe em desespero pelo filho do adultério que carregava em seu ventre, mas era cuidada. Nada há de errado na mulher que quer se cuidar, se embelezar e se enfeitar para seu marido”, acrescenta.

Coordenadora nacional do Desperta Débora, Maria Luiza Targino acredita que não existe mulher de fé que não ora, que não leva a Bíblia como única regra de fé e prática. Responsável por uma instituição de 100 mil mães intercessoras, biológicas, adotivas ou espirituais que oram diariamente por no mínimo 15 minutos, ela tem visto os resultados da oração dessas servas de forma evidente.

“É na Bíblia que a mulher de fé vai buscar e encontrar forças e orientação para todas as situações. E ela conseguirá levar os filhos ao Senhor, apenas através da oração. Orar pelos filhos é a atitude mais importante de uma mãe, pois, por meio da oração, é que ela recebe orientações do Senhor sobre como deve agir com os filhos, como deve direcionar os filhos. A mãe, por si, não consegue transformar o coração do filho, apenas Deus é capaz disso. Resta a todas as mães dobrar os joelhos e orar pela vida deles, a mãe é incumbida dessa missão”, orienta.

Por fim, vale lembrar que a mulher foi designada por Deus. Sua existência é primordial para dar continuidade à criação e a todo o projeto do Criador na terra. A ela também foi dado, nestes momentos que antecedem a volta de Jesus, o mesmo dever de buscar realizar a obra do Espírito Santo de forma atuante, como uma verdadeira mulher de fé, com garra e amor, conforme disse Bianca Toledo. “Uma mulher de fé governa suas atitudes com a obediência à Palavra de Deus. Renovada pela certeza dos planos bondosos de Deus, ela deixa que o Espírito Santo comande o seu coração”.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.