Mulheres – De auxiliadoras a provedoras do lar

Foto ilustrativa

A  mulher tem ocupado um espaço a cada dia mais notável dentro dos lares, igrejas e sociedade.

Marias, Joanas, Antônias… Elas são muitas! A mulher tem ocupado um espaço a cada dia mais notável dentro dos lares, igrejas e na sociedade e, de auxiliadoras, têm-se tornado as principais provedoras, seja por opção ou pelas circunstâncias da vida. Mas, até onde essas mudanças, tão palpáveis no século presente, contribuem para o cumprimento do propósito de Deus ao ter criado a mulher?

São 5 horas. O celular programado na noite anterior começa a tocar, rompendo o silêncio da madrugada. Segundos depois, os dois aparelhos de TV, o da sala e o do quarto, também despertam. “Se um falhar, o outro funciona!”, explica, bem-humorada, a professora Deuza Maria Rodrigues, 59 anos. O dia dela está começando.

Divorciada e responsável pelo sustento dos três filhos – Rafael, 24 anos; Luany, 22 e Lorena, 19 – , Deuza enfrenta jornada dupla de trabalho, cozinha de madrugada e dorme menos de cinco horas por noite. Como milhares de capixabas e brasileiras, Deuza é a única provedora do lar e da família.

“Não é fácil. Eu não recebo pensão do ex-marido e por isso tenho que trabalhar muito, pois pago o colégio das crianças e compro tudo o que elas precisam. E não é só a questão do dinheiro, também sou responsável pela educação e por sua formação cristã”, disse Deuza, que congrega na Igreja de Nova Vida, em Goiabeiras, Vitória.

Deuza, com outros milhares de mulheres, faz parte das estatísticas do novo retrato da família brasileira. Em 2007, segundo análise feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada pelo IBGE, o índice de lares onde a mulher é a principal figura de referência era de 33% do total de famílias.

Em concordância, uma outra pesquisa do Ipea, realizada em parceria com o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), constatou que o número de famílias formadas por casais com filhos, mas chefiadas por mulheres, aumentou mais de 10 vezes em 15 anos.

Em 1993, havia no Brasil pouco mais de 300 mil casos. Já em 2007, esse número foi para 3,6 milhões de famílias. Um salto de 3,4% para 18,3 % do total dos lares brasileiros em que a mulher é a figura de referência. Isso mostrou aos pesquisadores que o homem está deixando de ser o chefe da casa, dividindo ou até transferindo esse papel para a mulher, que tem se tornado a principal provedora.

Sexo frágil?

Seja por sua estrutura física ou pela sensibilidade emocional, a mulher é taxada como o sexo frágil. Não se sabe ao certo quando, como nem onde surgiu essa expressão, que já foi tema de músicas, seriados, filmes, artigos e estudos. Porém, as diversas circunstâncias têm provado o contrário.

“De maneira alguma a mulher é o sexo frágil. Ela é forte. E se ela usar de sabedoria, consegue tudo o que quer, domina a situação. A Bíblia já diz que a mulher sábia edifica a sua casa (Pv 14:1)”, disse o pastor Edson Luiz de Souza, 54 anos, da Igreja Batista Missionária em Rosa da Penha, Cariacica.

Casado há 41 anos e pai de três filhos, o pastor é enfático ao afirmar a força da mulher. “Podemos ver que o público forte nas igrejas é o feminino. Elas trabalham em todas as áreas. Se ela for cheia do Espírito Santo então, pode gerar muito no Reino de Deus e na sociedade”, disse.

Se há 100 anos as mulheres não tinham direito a voto, a freqüentar colégios de nível superior, a falar nas igrejas e a exercer determinados cargos e profissões, hoje a história é bem diferente. Elas passam mais tempo estudando, ocupam os mesmos cargos que os homens, estão à frente de ministérios e até chefiam nações. E a Bíblia está repleta de exemplos de mulheres notáveis.

Umas nem tão conhecidas, como Jeoseba, corajosa ao enfrentar a perversa rainha Atalia escondendo o menino Joás, da linhagem real, e o livrando da sentença de morte decretada pela rainha a todos os herdeiros do trono de Jerusalém. Graças a ela, o menino permaneceu escondido por seis anos, até a idade de poder reinar (2 Rs 11:1-4).

Outras já mais famosas, como a rainha Ester, que usou toda a sua sabedoria e a graça que tinha perante o rei para interceder pelo seu povo e livrá-lo da exterminação proposta por Hamã (Ester).

Algumas que foram simples donas-de-casa, porém mães de grandes profetas, como Ana (I Sm 1, 2), e outras que se tornaram líderes, como a juíza Débora (Jz 4, 5). Mulheres que foram surpreendidas por circunstâncias difíceis na vida, mas arregaçaram as mangas e foram à luta, e por isso venceram e foram honradas, como a viúva de um servo de Eliseu, que presenciou o milagre do azeite (2 Rs 4:1-7) e Rute, que não ficou desamparada (Rute 2:1-16).

Para a missionária Elizabete Carvalho, que é solteira, e que trabalhou durante sete anos em meio aos conflitos do Timor Leste, dizer que a mulher é frágil é acreditar num mito.
“Veja o exemplo da leoa. O rei é o leão, mas é a leoa que sai para a caça e captura o alimento para a prole. O homem é forte, é o protetor, mas isso não tira o mérito da mulher de ser provedora em muitos sentidos. Vejo que a mulher solteira é tão provedora quanto o homem”, disse Elizabete, que é missionária há nove anos.

“Já vi muitos casos, no campo missionário, de mulheres que, de tão protegidas pelos seus maridos, não desenvolveram todo o seu potencial. Nisso as solteiras levam vantagem, pois adquirem muito mais resistência em meio às pressões”, disse Elizabete.

Mãe – pai = ‘pãe’

Não é nada fácil a rotina das mulheres que precisam executar o papel de pai e mãe dentro de um lar. Sejam elas solteiras, divorciadas ou viúvas, todas convivem com o mesmo desafio de criar, educar e suprir as necessidades dos filhos sem a figura paterna ao lado. Se hoje guiar o filho num bom caminho já é um grande desafio para um casal, quanto mais para as mulheres que levam a carga sozinhas.

“Minha vida não é nada fácil. Para sustentar a casa tenho que ter dois empregos e para ter dois empregos, tenho que sacrificar muitas vezes o tempo que tenho com meus filhos. Já houve uma época em que eu passava dias sem conversar com eles. Saía para o trabalho e eles ainda estavam dormindo, chegava do trabalho e eles também já estavam dormindo. Mas, fazer o quê? É o jeito!”, conta Deuza.

Em situação parecida está a amiga dela e também membro da mesma igreja, Aracy Alves Ferreira. Mãe de Milena, de 10 anos, Aracy chega a trabalhar até 12 horas por dia como babá. “Quando a minha filha tinha quatro anos, o pai dela sumiu. Nunca mais deu notícia. É muito difícil educar uma filha sozinha. Se eu fosse casada, acho que seria mais fácil. Pelo menos, não teria que trabalhar tanto e me dedicaria mais a ela”, lamentou Aracy. Mesmo assim, Deuza e Aracy ainda arranjam tempo para o lazer com os filhos e as atividades na igreja.

No entanto, o pastor Edson alerta quanto às marcas que a ausência do pai pode deixar nas crianças. “O filho precisa de um referencial do pai e da mãe. A falta do pai dentro de casa deixa marcas nos filhos. Eu e meus três irmãos fomos criados somente pela minha mãe. Ela se desdobrou para nos criar, foi maravilhosa, mas eu vejo que ficaram marcas na minha vida e na vida dos meus irmãos. Faltou muita coisa profunda para nós”, relatou.

Mesmo sendo a melhor opção para os filhos ter os pais sempre presentes, ele admite que nem sempre há essa possibilidade. “Há casos em que a mulher fica viúva ou é solteira, enfim, ela precisa fazer um esforço dobrado, contar mesmo com a misericórdia de Deus”, disse o pastor.

Mulher Maravilha

Mulher, esposa, dona-de-casa, profissional, professora de escola dominical… Há quem diga que a mulher tem um dom ou uma habilidade de conseguir desenvolver várias atividades ao mesmo tempo. Há quem busque até na Ciência explicação para tal afirmação. E não é difícil encontrar exemplos que sustentem essa tese. Seja por opção ou necessidade, as ‘mulheres-maravilhas’ estão em toda parte e se multiplicam na mesma proporção em que multiplicam um dia em mil e uma atividades.

Verdadeiras heroínas, elas se destacam por sua força e coragem, porém, para muitas, o custo de disso é muito alto. Para dar conta de tudo o que precisam realizar no dia, elas comprometem a saúde física, emocional e espiritual. O pastor Gedimar de Araújo, 46, da Igreja Evangélica Ágape, de Santo Antônio, em Vitória, preocupa-se com o envolvimento da mulher em tantas e intermináveis tarefas.

“Eu fico olhando o estado da família moderna e me questiono: ‘Será que os frutos que estamos colhendo hoje, como sociedade, mostram que tomamos o caminho certo? A busca pela sobrevivência financeira tirou da mulher a energia que deveria ser concentrada no seu lar e a canalizou para o mercado de trabalho. Hoje, os filhos chegam em casa e já não tem ninguém ali, o lar está vazio”, disse o pastor, que também abordou o aspecto emocional.

“A mulher tinha o dom de curar. Curar as feridas da alma, os machucados do dia-a-dia. Ela era a enfermeira e médica do coração dos filhos e do marido. Mas, hoje, não é assim. Ela é mais uma paciente ferida, chegando num lar onde os outros ‘doentes’ estão reclamando da falta de cuidado”, enfatizou.

Ter prioridades certas numa escala de valores bem definidos é o principal desafio de muitas mulheres. Ainda que consigam desempenhar bem todos os papéis em que estão inseridas, se for à custa do que é mais importante, nada valerá a pena.

E Jesus deixou isso bem claro quando foi visitar a casa das irmãs Marta e Maria. Esta sabia que a sua prioridade era permanecer aos pés de Jesus, ouvindo a Sua palavra. Já Marta se preocupava com o trabalho, ainda que fosse para servir a Jesus. Ela estava desprezando a melhor parte (Lc 10: 38-42).

O pastor Edson também ressalta o papel da mulher e o propósito para o qual ela foi criada por Deus. Ele chama a atenção para que a igualdade entre homem e mulher seja alicerçada em princípios bíblicos, e não numa competição entre feminismo e machismo, movimentos que se chocam com os valores do Reino de Deus.

“A Bíblia é clara quando diz que a mulher seria auxiliadora, estaria ao lado do esposo para educar e ajudar a promover o bem-estar da família. Quando esses princípios são negligenciados, ocorrem problemas não só dentro da família, mas em toda a sociedade. O feminismo é a busca por total independência e tira a mulher de tudo o que Deus tem para ela”, acrescentou Edson.

E, da mesma forma que a mulher não consegue viver em total independência, o homem também não, segundo o pastor. “O homem não consegue viver sem a mulher, é algo inerente a ele. Imagino Deus olhando para Adão e o vendo ali, só, sentado no cantinho, agachado, com a mão no queixo… Deus viu isso e se importou. Então, ele criou a mulher, e foi fundamental para que o homem fosse completo, feliz. E não só por causa do homem, mas a mulher, em si, é uma bênção de Deus”, concluiu o pastor.

Você sabia?

A participação no mercado de trabalho não reduziu a jornada das mulheres com os afazeres domésticos. Entre os 25 e os 49 anos, cerca de 94% das mulheres que trabalham fora também trabalham duro dentro de casa.

Homens e mulheres desenvolvem tarefas domésticas; no entanto, a parcela de homens corresponde a apenas 34,6%. Os que mais contribuem com as tarefas do lar estão no sul do país, e no nordeste os que menos contribuem.

Os homens mais escolarizados são os que mais contribuem com os afazeres domésticos; já entre as mulheres ocorre o inverso.
Entre os homens que mais contribuem estão os aposentados, na faixa etária dos 60 anos. Eles gastam em média 13 horas semanais com as atividades domésticas. Já as mulheres da mesma idade gastam 31 horas.
A presença de um marido dentro de casa acrescenta às mulheres mais duas horas em sua jornada de trabalhos domésticos.
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE (2006)

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A MATÉRIA ACIMA É UMA REPUBLICAÇÃO DA REVISTA COMUNHÃO. FATOS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES CONTIDOS NO TEXTO SE REFEREM À ÉPOCA EM QUE A MATÉRIA FOI ESCRITA.


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