A Igreja e a Educação Sexual dos filhos

O casal Pastor David Riker e Brena Riker coordenam o Projeto Ser, Sexualidade e Restauração desde 2005. Foto: Divulgação

O assunto será debatido na Conferência Sexualidade e Família nos próximos dias 18 e 19 de agosto, em Vitória (ES).

Realizado pelo Ministério Luz na noite, a Conferência pretende propor estratégias de enfrentamento no que diz respeito a Sexualidade. O evento terá como preletores principais o casal Pr. David Riker e a missionária Brena Riker. Eles exercem o pastoreio na Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (MG). Juntos coordenam o projeto SER – Sexualidade e Restauração desde 2005.

Em entrevista à Comunhão, Brena Riker falou mais detalhadamente sobre o assunto. E destacou sobretudo, o papel da igreja para reduzir os números de abuso sexual em crianças. Confira.

Como as famílias podem trabalhar uma educação sexual eficaz com seus filhos?

A Educação Sexual na família deve começar a partir da constatação de que a sexualidade é uma força vital inerente a todo e qualquer ser humano. Tal como qualquer estrutura inata, faz-se necessário desenvolvimento. Pais, mães e cuidadores precisam compreender que suas crianças atentarão em larga medida à esta área. Ou seja, elas vão querer saber sobre algumas de maneira mais assertiva, outras de modo mais velado, mas certamente o farão. De maneira intencional, a família primeiro precisa verificar qual a sua cosmovisão da sexualidade/sexo (crenças, valores, tabus,etc.). Neste aspecto, cada família possui, digamos assim, um código de ética para a sexualidade, e este deve ser cuidadosamente analisado antes de se começar qualquer ensino ou transmissão de informações, sempre deixando claro que sexo e sexualidade, ainda que complementares, possuem conceitos e operações distintos. Em segundo lugar, é imprescindível que se conheça a criança que temos em casa. Refiro-me a um conhecer com profundidade: desenhos da personalidade, medos, temperamento, etc. Após isto, sugiro um olhar a literatura especializada na área de Educação Sexual, principalmente aquelas que “costuram”aspectos da sexualidade com as particularidades de cada faixa etária. E por fim, afirmo que compreender o que a Bíblia ensina sobre sexo e sexualidade traz um norte magnífico para as discussões no tema. Por isso, dedique-se a conhecer e a viver por meio das Escrituras. Isto é definidor.

Quais cuidados você julga importante que a família adote na prevenção ao abuso sexual dos filhos?

Eu poderia elencar vários, mas penso que o cuidado mais relevante de todos está em sermos cuidadores escutáveis e ensináveis. Falo de um ensino que oferecemos aos nossos pequenos, que vai para mais além do trivial, que considera os sentimentos, emoções e particularidades de cada um. Esse é um importante recurso de prevenção. Ensino atencioso, escuta verdadeira e consideração para o que a criança diz ou sente, são as bases do que chamo alfabetização emocional. Tal instrução coopera para a promoção do senso de confiança e aceitação por parte da criança, de sua condição, de sua aparência, de seu corpo. Esses elementos se não forem bem cimentados no caráter dos pequenos, são facilmente manipulados e articulados por aqueles que cometem violência sexual e outras.

Como a igreja pode contribuir para reduzir os números da exploração sexual infantil?

Essencialmente com a promoção de eventos e atividades que tragam esclarecimentos precisos que dissolvam os tabus que ainda perduram no meio social e igualmente na comunidade eclesiástica. Além disto, creio que o investimento nos ministérios infantis, com o financiamento de capacitações aos professores, cuidadores de crianças é também um bom dispositivo de prevenção.

Como missionária e co-líder de um ministério de apoio na área da sexualidade, o que você sugere em termos de ajuda para vítimas de abuso sexual?

Creio que um elemento indispensável para esta relação de ajuda é a busca por empatia com os que passam ou passaram por questões envolvendo violência sexual (e outras). Seria tentar compreender sentimentos e emoções, procurando ter afinidades e se identificar de forma objetiva e racional com o que sente o outro indivíduo. De certa forma, seria nutrir o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus com a própria ajuda Dele em nosso interior, por meio de seu Espírito. Também é crucial que busquemos ler sobre o tema, buscando consultoria de conselheiros experientes ante a condução de algum caso em que nos dispusemos ajudar, além do trabalho de voltar-se para dentro de nós mesmos para identificar nossos próprios limites no auxílio ao violado (a).

Quais são as sequelas que o abuso sexual pode provocar na vida do ser humano, especialmente na sexualidade?

Muitas roturas, em graus distintos, podem compor as sequelas de alguém que passa ou passou por violência sexual. Diane Langberg no seu livro ‘No limiar da esperança: abrindo as portas para a cura de vítimas de abuso sexual’ explica que o abuso possui força suficiente para machucar corpo, sentimentos, emoções e espírito. Em especial na sexualidade, tenho observado que sobreviventes costumam sentir-se inapropriados ante a seu corpo, considerando-o uma espécie de  “inimigo” indigno de ser valorizado, amado, cuidado. Por esta razão, tal corpo pode ser subjugado aos usos e desusos mais desumanos  ou mesmo como um elemento obscuro, que merece ser escondido e desconsiderado. Obviamente existem outras questões pertinentes,mas destaco esta.


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