Doação de sangue: Mais que um gesto de cidadania, um ato de amor Cristão!

Pastores e líderes cristãos se envolvem e defendem que participar das ações também faz parte da missão do povo de Deus

O banco de sangue do Estado ainda está em déficit, com número de doadores beirando a metade do ideal. E o que a Igreja tem a ver com isso? Na opinião do pastor Joylson Nogueira Pereira, tudo. Líder dos jovens da Igreja Batista Missionária, localizada na Ilha de Santa Maria, em Vitória, Joylson adotou como compromisso fazer a congregação relevante para a comunidade e influenciar seu rebanho jovem no mesmo caminho. Ele já conseguiu juntar um grupo de 15 jovens e o levou para doar sangue. “Venho trabalhando na igreja a questão da missão integral. Uma igreja de Deus serve à comunidade. A igreja precisa ser relevante na comunidade e se envolver nessas questões.

Em dezembro (2012) levamos 15 pessoas para doar sangue. Em abril levamos mais oito. Quando chegamos lá para doar, os profissionais até ficaram surpresos, porque é muito difícil chegar grupos de igrejas para doarem sangue voluntariamente”, disse o pastor. A ideia de juntar os jovens para a ação de voluntariado surgiu durante uma conversa na escola bíblica.

“Perguntei o que eles achavam que poderíamos fazer para servir à sociedade e eles deram a ideia de doar sangue, pois os hospitais sempre estão precisando”, a afirmou.

E a justificativa dos jovens reflete a realidade. De acordo com o diretor-geral do Hemoes, Antônio Peçanha, há um déficit na captação de doadores. “Temos baixos estoques no Espírito Santo. Para se ter uma ideia, no Hemocentro Coordenador, em Maruípe, temos convivido com um déficit aproximado de 50 a 60 doadores por dia. Nós temos uma média de 70 doadores diários, sendo que o ideal seria termos 130”, disse Peçanha. Para ele, as razões para a falta de interesse em doar sangue são consequência da falta de conhecimento sobre o assunto. “Se eu não tenho ideia da importância da doação e se não tenho certeza de que é seguro, eu não vou doar. Infelizmente a doação de sangue ainda envolve tabus, algumas pessoas têm medo de adquirir doenças infecciosas, acreditam que a doação pode engrossar ou a afinar o sangue, ou que carão presas em um compromisso de terem que doar sempre. São muitos tabus que precisam ser quebrados”, disse o diretor.

“Por isso que fizemos essa campanha, usando termos comuns como Facebook, novela, passeios, para mostrar para as pessoas que doar sangue também pode fazer parte do dia a dia, do cotidiano de cada um. Queremos conscientizar a população sobre a importância da doação voluntária de sangue, causar uma reflexão para incluir a doação em nossa rotina”, disse Peçanha, que acredita angariar bons resultados com a campanha.

Ele também enfatiza que é possível pré-agendar a doação e até fazer coleta externa. “Se funcionários de uma empresa ou membros de uma igreja juntarem um grupo e marcarem com a gente com antecedência, há possibilidade de irmos até o local para fazer a coleta de sangue. Se cada um de nós doarmos sangue uma vez ao ano nunca faltaria sangue no estoque”, disse Peçanha, que visa a aumentar a parceria com igrejas.

Quem também inclui a doação entre as atividades da igreja é a Missão Praia da Costa, em Vila Velha. “Não temos um projeto específico para doação de sangue, mas sempre que ficamos sabendo que uma pessoa precisa de doação, colocamos em nosso site e no Facebook da igreja. Muita gente olha e se voluntaria para doar”, disse Carla Paiva, membro e secretária da Missão.

Já a presidente da Associação Luterana de Assistência Social (Alas), Rosani Muniz Marlow, pretende voltar com a parceria com o Hemoes. “Tínhamos parceria e sempre envolvíamos escolas, igrejas e comunidades para a doação de sangue. Porém, só podíamos fazer coletas aos sábados e só havia uma unidade móvel para captação. Então paramos. Mas creio que será possível retomarmos a parceria agora”, disse Rosani, que citou ainda que muitos membros das Igreja Luterana se tornaram doadores anuais fiéis.

“Quando fazíamos campanhas nas escolas, entre os alunos com idade para doar, eles sentiam o maior orgulho de poderem doar sangue pela primeira vez. Trabalhávamos com eles a conscientização de doar e divulgávamos a campanha na
comunidade”, enfatizou Rosani.

Para o pastor Joylson, é mais do que importante que a Igreja participe de ações como essa. “O fato de muitas vezes a Igreja não se envolver é reflexo da sociedade que vivemos. Não temos mais olhado a causa dos órfãos e das viúvas e até a Igreja tem refletido isso. Temos de trabalhar para mudar essa situação, a Igreja precisa ser mais relevante do que apenas falar que Jesus salva”, afirmou o pastor.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita