A lista de Janot

Andei observando o burburinho num bairro próximo à minha residência, e me deparei muita poluição sonora, visual, bastante lixo nas calçadas, e pessoas como que hipnotizadas pela satisfação de suas necessidades, num frenesi, e me lembrei do que Jesus falava sobre os Tempos do Fim, sobre a questão das distrações. Fico imaginando como será o futuro, se o curso da vida for este mesmo, se não houver uma justa transformação social!

Hoje, brasileiros debatem o anúncio da segunda lista de Janot[1], produzida como resultado das delações premiadas ajustadas com os ex-executivos da Odebrecht denunciados pelos investigadores da Operação Lava Jato.

Na Epístola de Judas encontramos uma espécie de “Lista de Janot”, uma lista suja em que constam nomes de pessoas que agiram com mau testemunho, que transformaram negativamente as sociedades nas quais estavam inseridos. O texto fala do “caminho de Caim”, do “erro de Balaão” e sobre a “revolta de Corá”. Eram pessoas que, no seu tempo, tinham a condição de influenciar positivamente o desenvolvimento social em suas gerações, mas não o fizeram.

De forma distinta, a Epístola aos Hebreus cita, o que muitos têm chamado de “A Galeria dos Heróis da Fé”; eram homens e mulheres cujos feitos foram tão notórios que se tornaram em legados relevantes para as futuras gerações. Houvesse sido escrito ao longo dos séculos, continuaria citando pessoas que têm se esforçado na promoção de movimentos transformadores. Não falamos de salas de oração, de atos proféticos, que são ações de extrema importância. Se quisermos ganhar o mundo físico, essa conquista deve começar no mundo espiritual, nas sendas da oração. Mas não só por aí.

A revista Time, publica anualmente a lista das “100 Pessoas Mais Influentes no Mundo”. O juiz Sérgio Moro aparece como o 13º nesse rol pelo inegável valor do trabalho realizado no julgamento dos casos levantados pelo MPF sobre atos de corrupção. Ficamos orgulhosos por seu nome constar dentre as mais destacadas personalidades do cenário internacional. Mas não só por aí.

Quando pensamos em José do Egito, como construiu o seu testemunho ao longo da vida, até chegar ao topo do poder numa terra estranha, também pensamos o quanto falta para que nós procedamos, também  transformação da nossa comunidade, com a inserção dos valores certos, tais os que ele herdou de seus pais, não se deixando vencer pelas injustiças nem se entregando aos sentimentos e nem de prestando a como um “coitadinho”.

Quanto a nós, vivemos numa região metropolitana em que o cristianismo se destaca como modelo de fé, mas não consegue se estabelecer como modelo de governo, ou como ícone de moda, de cultura etc.

Por que quanto mais convertida a nossa sociedade, tanto mais desviada ela se manifesta? Esta é uma pergunta que deveria nos inquietar e unir lideranças e pensadores cristãos no sentido da construção de uma proposta transformadora, em suplemento às sendas da oração.

Vocês se lembram da forma como Natan confrontou o rei Davi? Ele disse: “Este homem que deve morrer é você”? Ele foi um profeta que não se intimidou com a função de autoridade exercida por Davi, e lhe denunciou o pecado. Não há como continuar aceitando passivamente a forma como nossas comunidades caminham, e há um chamado de Deus a que nós nos determinemos na construção de testemunhos que levem nossos nomes à lista das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo”, por causa da transformação realizada em nosso meio social, por causa da aplicação prática da fé, e da maneira peculiar como cumprimos o propósito do chamado do Senhor.

Quando não direcionamos nosso testemunho para a lista dos “100 Mais”, ou quando nos perdemos e entramos numa “Lista da Janot”, a isso chamamos de ‘vidas ocupadas em fazer apenas uma parte’ daquilo que o Senhor entregou em nossas mãos.

Nisso pensai!

¹Rodrigo Janot Monteiro de Barros, Belo Horizonte, 15 de setembro de 1956, é um jurista brasileiro e membro do Ministério Público Federal. Atualmente é o procurador-geral da República do Brasil.

João Carlos Marins é pastor e especialista no tema responsabilidade social