Linhares – Igreja de “Georges” terá novo pastor

Foto: Reprodução Web

Igreja era liderada pelo “Georges” e a esposa, Juliana Salles. Conselho de Igrejas Evangélicas do Espírito Santo demonstraram repúdio a situação.

A Igreja Batista Vida e Paz realizou o primeiro culto desde a prisão de seu líder, pastor “Georges” Alves. A instituição religiosa ficou fechada por cerca de 20 dias. E chegou a ser atacada por pessoas ainda desconhecidas. A celebração foi neste domingo (27). Cerca de 80 pessoas participaram do culto.

O culto foi conduzido pelo pastor Wallace Souza, de Governador Valadares, Minas Gerais, que é da mesma denominação. Georges está preso desde o dia 28 de abril acusado de matar o filho Joaquim, 3 e o enteado, Kauã, 6. A igreja terá um novo pastor.

“Vim pregar e devo ficar em Linhares mais alguns dias. A igreja vai definir um novo pastor. Nossa igreja chegou a ser vandalizada, um membro chegou a ser agredido, mas a gente entende que os cultos não podem parar. Vamos continuar”, declarou.

Desde que ficou fechada, os cultos estavam acontecendo nas casas dos membros, em forma de rodízio. Muitos ficaram revoltados. Uma das integrantes da igreja aceitou falar com Comunhão sem ser identificada e desabafou. “Se o crime chocou quem nem conhecia esse monstro, imagine a nós que, sem sabermos, escolhemos ele como nosso pastor. Orem por nossa igreja, estamos muito tristes com essa tragédia”, disse a serva, mãe de duas crianças.

Repúdio

“Esse caso impactou a igreja. Fizemos campanha de oração e chegamos a clamar a Deus para que a vida do casal fosse guardada pelo Senhor”, declarou o pastor Jeferson Pereira, da Igreja Presbiteriana Central de Presidente Prudente, São Paulo.

O que ninguém esperava era se deparar com a informação de que um líder ministerial seria responsável pela morte de crianças. “Ao receber uma notícia dessa, ficamos atordoados, pensando a que ponto chegou a maldade do ser humano, e vindo de um pastor nos deixa ainda mais perplexos”, completou.

O pastor Ebenezer Ferreira Silva, líder há 25 anos da Igreja Batista Novo Horizonte, em Linhares, desconhecia Georges e a instituição que ele pastoreava, pois esta não integra a Convenção Batista Brasileira (CBB). “Estamos perplexos com a situação, isso nos deixa estarrecidos. Um pastor escandalizar o Evangelho por cometer um pecado já é algo lamentável. Um pastor cometer crimes hediondos é algo inimaginável para qualquer cristão que busque seguir os passos de Jesus. Espero que a justiça seja feita e que ele pague a pena”, declarou.

Conselho das Igrejas Evangélicas ES

Georges foi apontado pela polícia após conclusão do inquérito, como o principal suspeito pela morte das crianças. Ele foi ouvido na CPI dos maus tratos na última sexta-feira (25) pelo presidente, senador Magno Malta. Mas na ocasião ele negou envolvimento na morte do filho e do enteado.

A tragédia chamou atenção de todo o Brasil. Muitos se repudiaram com a situação ainda que pelas redes sociais. O Conselho Estadual de Igrejas Evangélicas do Estado do Espírito Santo (CEIGEVES) representa 10 mil pastores dos 78 municípios capixabas.

No sábado (26) a entidade emitiu nota em apoio a investigação policial. E pediu respeito à instituição religiosa, no que tange a dissociação do nome “Georges” ao exercício do Ministério Pastoral.

“Exigimos respeito dos meios de comunicação aos ministros de culto que exercem com responsabilidade, amor e caridade o oficio pastoral no Estado do Espírito Santo. E pedimos imediata dissociação nas coberturas jornalísticas entre a conduta do agente George Alves e o ofício sacerdotal, afim de cessar violação a honra, a imagem e humilhação alheia ao honroso ofício sacerdotal”, diz a nota.

E acrescentou: “George Alves, pai biológico e afetivo das duas crianças, não cometeu o crime porque era pastor, nem tão pouco na função de pastor. Não existe conexão entre crime e função pastoral, fatos definitivamente sem ligação e que nunca teve qualquer relação”.

Mãe das crianças vai depor em Brasília

A pastora Juliana Sales, mulher do pastor George Alves e mãe dos irmãos Joaquim e Kauã, mortos no incêndio em Linhares, vai ser convocada a participar de uma sessão da CPI dos Maus Tratos do Senado Federal, em Brasília.

Juliana foi convidada a participar da sessão de sexta-feira(25), mas não seria obrigada a participar. Porém, na próxima CPI ela será convocada. De acordo com o delegado Lorenzo Pazolini, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, a próxima CPI será um encontro entre Juliana e George.


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