Jovens: o novo retrato da igreja

“Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno” (I Jo 2:14c). Registrada há quase dois mil anos, a afirmação do apóstolo João a respeito da juventude pode ser considerada atemporal. É inegável que, não só naquela época, mas hoje, ela sirva como uma luva para descrever tal extrato da sociedade.

O vigor, a disposição e a força da juventude podem ser vistos, claramente, em movimentos estudantis, mobilizações sociais, campanhas políticas, atividades voluntárias e também em trabalhos religiosos.

Quem conheceu a igreja evangélica brasileira de 50 anos atrás sabe que ela mudou. Está mais despojada, mais dinâmica, mais… jovem! A juventude está no Departamento de Artes, no Ministério de Louvor, no evangelismo, nas frentes missionárias e também nos púlpitos – e não apenas nos tradicionais cultos da juventude aos sábados, mas nos principais, aos domingos. E forma, senão a maior, uma boa e fundamental parcela da membresia.

No entanto, há pouco investimento, por parte da igreja, para manter, preservar, edificar e nutrir essa parte tão importante do Corpo de Cristo. Pelo menos, essa é a visão de alguns líderes e teólogos.

“De um lado temos uma afluência de jovens nas igrejas evangélicas, mas por outro, vemos que a igreja, além da regulação da conduta sexual, pouco tem oferecido no que diz respeito às reais demandas da juventude.Muitos líderes se empolgam com este crescimento numérico, e não percebem que isso, na verdade, pode vir a ser uma ‘bolha’ artificial, pois quando estes jovens recebem apenas entretenimento e alienação na igreja, eles têm a tendência de usá-la somente como um espaço de socialização”, disse Fabiano Martins Antunes, formado em Ministérios Cristãos pela University of the Nations – uma universidade cristã no Havaí – e estudante de Ciências Sociais da Universidade Metodista de São Paulo.

Fabiano viaja o país dando palestras sobre protagonismo jovem e lamenta a situação de muitas igrejas. “Estamos desperdiçando uma excelente oportunidade de discipularmos toda uma geração que vem sedenta em busca de identidade, direcionamento e sentido para a vida”, afirmou.

Os jovens da Bíblia

Não foi somente na epístola de João que os jovens receberam proeminência. Quem não se lembra da história do jovem pastor que se tornou um dos mais brilhantes reis de Israel? E de Josias, que começou a reinar muito novo, mas mesmo com pouca idade promoveu uma verdadeira revoluçãoao descobrir o Livro da Lei? Em outras histórias, em escritos de outros apóstolos, profetas, patriarcas e na vida do próprio Jesus, a juventude teve um papel de destaque.

Muitos dos milagres do Filho de Deus e dos seus principais ensinamentos ocorreram na vida de jovens. A ressurreição de uma menina de 12 anos, única filha de um dos chefes da sinagoga (Lc 8:41-56); a parábola do filho pródigo (Lc 15:11-31); o jovem rico e sua escolha (Mt 19:16-23); o menino endemoninhado (Mc 9:14-29); e o jovem morto que voltou à vida, filho de uma viúva (Lc 7:11-17) são apenas alguns dos muitos feitos de Jesus entre essa população, uma pequena amostra de que o próprio Cristo acreditava, se importava e dava voz aos jovens de sua época.

Estudiosos da Bíblia acreditam que, com exceção de Pedro, os próprios discípulos de Jesus tinham menos de 21 anos. Há quem afirme que o apóstolo João não tivesse mais do que 14 anos quando passou a seguir Jesus. Mesmo sem uma definição exata de suas idades, é certo que Deus escolheu confiar em pessoas bem jovens para levar a sua Palavra e seu Reino pelo mundo todo, assim que Jesus subisse aos céus.