Missões – A “Jovem mãe” da Cracolândia

Foto: Projeto Novos Sonhos

Uma missão que renova a esperança de crianças e adolescentes na Cracolândia de São Paulo

Filha de ex-viciados, tinha tudo para entrar no mundo das drogas num caminho sem volta. Estava numa família perdida e desacreditava. Mas um dia o Evangelho trouxe de volta a esperança de um dia melhor. Os pais se converteram, estudaram e viraram missionários.

Mais tarde Joana Machado, que é enfermeira, também cumpriu um chamado de Deus. E foi para a Cracolândia em SP pela Junta de Missões Nacionais. Aos 30 anos, ela se tornou uma espécie de “Jovem mãe” para mais de 300 crianças que vivem entorno na região. Desde 2010 ela coordena o projeto Novos Sonhos, que oferecem oficinas de graça para meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social. Confira a entrevista.

Você é filha de ex-viciados e hoje atua como missionária em uma região lotada por dependentes de drogas. Conte um pouco sobre sua vida, chegou a sofrer preconceito?

Tenho 30 anos, nascida no interior da Bahia, enfermeira e missionária da Junta de Missões Nacionais (pertencente a Igreja Batista), casada com o Lael Rodrigues(também coordenador), mãe da rebeca (1 ano de idade) e tenho a guarda da Jessica Vitória (aluna do Projeto Novos Sonhos que foi criada por um primo e devido dificuldades passei a criá-la) e também tenho cuidado na minha casa de dois alunos que moravam de frente com o prédio que desabou, e devido a fumaça e os riscos estão na minha casa. Quando era pequena as pessoas olhavam e diziam: ‘filha de usuário’. Sofria muito preconceito. Meus pais não tinham estudo, nossa família era pobre. Mas, hoje eles tem casa própria, tem ensino superior, meu pai em teologia e psicanalista , inclusive tem atuado como pastor e minha mãe baixarem em teologia, psicologa e pedagoga.
Como surgiu o desejo de trabalhar como missionária?
Estou em São Paulo desde 2010, quando minha mãe à pedido da JMN, veio sozinha para trabalhar com os usuários de drogas da Cracolandia e região, e eu que tinha outros sonhos vim para passar 30 dias e tentar convencer minha mãe, Soraya Machado, a retornar para nossa cidade com nossa família. Mas, ao trabalhar com ela durante esse tempo, me deparei com o caso de uma adolescente que havia sido torturada por traficantes da região e estava toda mutilada e através deste caso, entendi que deveria ficar em São Paulo e passei a trabalhar (e tenho trabalhado até hoje) com as crianças e adolescentes da Cracolandia e Comunidade do Moinho. Assim, confirmei meu chamado missionário e para o que realmente Deus me queria.
Você se tornou uma espécie de jovem mãe para crianças que vivem em torno da Cracolândia em SP. Como é isso?
Não me considero uma jovem mãe da Cracolandia, mas se amar, abraçar, cuidar e dar todo o carinho para essas famílias e crianças são marcas de uma mãe, então pode ser que possa me considerar, mas não faço esse trabalho sozinha… Deus realmente faz coisas grandiosas e nos colocamos a disposição todos os dias, eu e toda a equipe que trabalha comigo. Temos uma equipe de 7 missionários fixos e 50 voluntários semanalmente.

Como é desenvolvido o Projeto social “Novos Sonhos”, a qual você é coordenadora desde 2010? Quais atividades são oferecidas? Como funciona?

O Projeto Novos Sonhos foi criado com o objetivo de transformar toda a tristeza e todo o descaso social em arte, alegria e oportunidade de uma vida melhor para crianças e adolescentes que residem na região da Cracolândia. São seis funcionários fixos que recebem uma ajuda de custo em média de R$ 600 por mês. Os valores são pagos pelos patrocinadores que ajudam a custear os gastos com alimentos, aluguel, contas de água, luz e produtos de limpeza e higiene pessoal. Nós trabalhamos de terça a sábado, chegamos no projeto às 8h e encerramos nossas atividades às 21h. Oferecemos aulas gratuitas de ballet, jiu-jitsu e futebol. As roupas que as crianças vestem para essas aulas são doadas. Nós e os irmãos de outras igrejas que cozinhamos, limpamos, damos aulas.

Como é lidar com tantas histórias diferentes e tristes na Cracolândia?

A cada dia vemos muitas coisas ruins acontecendo, e a cada dia que passa mais coisas ruins acontecem nesta região, e nos perguntamos o que fazer? Mas sei que a solução é clamar a Deus, entregar nas mãos Dele e renovar as forças Nele!

Você poderia ter uma história trágica entre tantas que convive diariamente. Mas escolheu fazer diferente. Por que fez isso, o que te move? O que te leva a desenvolver esse trabalho social?

Sim, poderia ter uma história como a de muitas delas, mas, a recuperação dos meus pais e a fome que eles sempre tiveram por transformar vidas devido a bagagem que eles têm, me serviu de estímulo e me fez ter anseio em ser ponte para criar futuros diferentes, e isso também me faz acordar todos os dias juntamente com a minha equipe com fome em trabalhar no projeto com as crianças e suas famílias.

Após um tempo tenebroso nas drogas, seus pais se recuperaram do vício, se converteram ao Cristinianismo e viraram Missionários da Junta de Missões nacionais. Como foi essa mudança para você? Isso te deu inspiração para fazer o que faz hoje por outras pessoas que desejam mudar?

Se minha família não tivesse recebido ajuda no passado para se livrar das drogas talvez hoje estivesse me prostituindo, viciada. Jesus trouxe esperança e isso não é qualquer um que dá. Sei o quanto é importante abraçar, acolher, Quando nasci meus pais já haviam se convertido, mas toda a história deles sem dúvidas serviu e serve de inspiração para mim, mas acredito que Deus me deu durante toda a minha vida e tem dado experiências únicas que servem de foco para trabalhar por outros!


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