Igrejas mais preocupadas com casamentos e divórcios

 

Especialistas alertam para o posicionamento das igrejas, que deve ser para a manutenção do matrimônio conforme os preceitos bíblicos e não para o incentivo às separações

“E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Está em Mateus capítulo 19, nos versículos 5 e 6 a determinação de Deus para o casamento.

Como então justificar o número crescente de divórcios já demonstrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Espírito Santo, a unidade da federação mais evangélica do país, com 33,1% da sua população frequentando as igrejas? O Estado é o segundo no Brasil com mais casamentos realizados, mas já é o quarto em separações. O que fazer para manter o matrimônio conforme os preceitos bíblicos? Na Pesquisa Comunhão 2014, quando perguntados se as suas igrejas possuem algum programa ou projeto para os casados, 63,1% responderam que sim, e 36,9% disseram que não. Essas informações demonstram um fato contraditório, segundo o pastor líder dos Ministérios Oikos e Cristão de Apoio à Família, Gilson Bifano. “A Igreja tem feito vista grossa para assuntos como o casamento, e a Bíblia está acima de qualquer opinião pessoal. É preciso coragem por parte da Igreja em se posicionar diante desses assuntos, porque divórcio é uma coisa que desagrada ao coração de Deus, e Ele não mudou, a Palavra é eterna. No entanto, Ele ama o descasado. O que Deus condena é o pecado, por isso temos que incentivar cada vez mais a restauração do casamento e não a separação”, explica.

Para Bifano, antigamente tínhamos uma sociedade pró-família, que valorizava as instituições cristãs, que, a partir da década de 80, passou a ser antifamília e houve a desconstrução dessas instituições, o que fez com que fosse preciso também mudar a forma como o assunto é abordado nos púlpitos. “A Igreja passou a ficar mais atenta e atuante nessa área. Talvez isso justifique esse número demonstrado na Pesquisa Comunhão. No entanto, ainda temos que ser mais aplicados nas igrejas com o objetivo de evitar que os casamentos cheguem ao divórcio, porque existe uma batalha espiritual e temos que nos pautar pelo senhorio da verdade bíblica”, salienta. A Pesquisa Comunhão mostra que os entrevistados têm visto divórcios acontecendo em suas igrejas (24,6%); desses, 72,9% são por traição/infidelidade, 14,6% por desavenças, e 6,3% porque uma das pessoas não é convertida. Bifano explica que a Palavra é clara sobre quais os motivos são aceitos diante de Deus para a separação. Caso contrário, é preciso conseguir superar os problemas e manter o casamento.  “Em Mateus 19 Jesus aborda os assuntos do casamento. O divórcio só é autorizado em situações de fornicação, imoralidade sexual. A segunda autorização é no caso de não se conhecer a Cristo, que está expresso em 1 Coríntios 7. Em Cristo todas as coisas são perdoadas, o velho homem nasceu de novo. A partir desse novo nascimento ele tem compromisso com a esposa atual. O terceiro é o caso de o cônjuge não crente abandonar o que professa a fé, como também está dito em 1 Coríntios 7”, salientou.
Assim também pensa o pastor líder da Igreja Evangélica Batista de Cariacica (IEBC), Alexandre Lisbôa, que atua com trabalho de sustentação do casamento na sua igreja há 14 anos e há oito não tem divórcios por lá, realizando cursos, reuniões e cultos específicos sobre o assunto e com as famílias juntas (pai, mãe e filhos), casais (marido e mulher), homens e mulheres.

“Tínhamos uma igreja voltada para a família até os anos 80. Depois disso passamos a nos preocupar com o avivamento da música e deixamos esse assunto um pouco de lado, o que foi um erro. Ainda temos hoje muitas igrejas preocupadas em juntar os cacos do casamento depois que a bomba explodiu. Temos que estar voltados a apagar o pavio, evitar que os casamentos cheguem ao desgaste e ao divórcio”, explica. Na Pesquisa Comunhão, 49,2% não são a favor do divórcio/separação, mas dos 50,8% que concordam com essa possibilidade, 37,5% aceitam em caso de infidelidade, 5,5% em caso de incompatibilidade de gênio; por vícios com drogas e bebidas 2,5%; ciúmes (1,7%); descontrole financeiro (1,3%); necessidades emocionais (1,3%); fim dos sonhos em comum (0,6%) e rotina (0,4%). Esses dados, para o pastor Alexandre, demonstram que as igrejas precisam se preocupar mais em manter os casamentos sólidos, o que também é o desejo das ovelhas, mas o que tem acontecido é que até mesmo os pastores estão passando por situações de adultério e separações. “A degradação familiar está vindo do púlpito e não só dos bancos. Temos pastores adulterando e que se mantêm pregando. Isso também adoece as igrejas, porque Deus não opera quando o pecado vem do altar para o meio da igreja. Isso porque existe mais a pregação por prosperidade do que pela manutenção da família. Precisamos ser prósperos, mas sem família isso de nada adianta”, ressalta.

Ele aconselha que os ministérios estejam envolvidos em programas através de cursos como os oferecidos pela Universidade da Família, envolvendo líderes de casais. Além disso, fazendo períodos de oração com toda a igreja, específicos para a sustentação da família.  “E a visão dos cursos tem que ser o até que a morte os separe. Não tem que ficar incentivando divórcio por conta disso ou daquilo. Além disso, temos que acabar com esse negócio de pessoas com três divórcios e quatro casamentos nas costas indo para púlpito pregar ou cantar. O que essas pessoas têm a orientar? Vão incentivar que os fiéis se divorciem?”, reclama. Mas esses programas funcionam? Contribuem para a manutenção do casamento? Para Gabriella Vasconcelos, que atua como líder do Ministério Casados para Sempre, da Igreja Assembleia de Deus Fonte de Vida, com o marido, Gustavo Vasconcelos, funciona tanto que os próprios líderes têm sua relação abençoada a cada encontro realizado. “Somos falhos como todo ser humano, casados há 10 anos. Com a atuação no Casados, temos que orar e jejuar juntos, intercedendo pelos casais participantes, conversar sobre diversos assuntos que acabam nos dando mais intimidade”, explica. Gabriella conta que qualquer pessoa pode participar do programa, de qualquer denominação. O que importa é ter interesse em manter o casamento vivo, melhorando o que está bom e aparando as arestas do que está ruim.

“O curso acontece uma vez por semana, durante 13 semanas. Os casais recebem apostilas e em cada encontro vão se identificando as necessidades da sua relação e tentando encontrar o equilíbrio para que a união se fortaleça”, relaciona. A bancária Micheli Angelo do Carmo, casada com Rafael Carmo, membro da Igreja Cristã Maranata, está prestes a completar dois anos de união, mas já percebe que além de estar na presença do Senhor, para manter o casamento de pé é preciso existir diálogo, parceria e concessão de ambas as partes. “Deus nos escolheu um para o outro e nós sabemos disso. Então, nossas batalhas vencemos em oração, com o Espírito Santo conduzindo o nosso lar e dando força. Ciúme, impaciência e intolerância não vão levar ninguém à felicidade. Estamos juntos porque o Senhor nos preparou para isso e o Rafael mesmo fala que sou a mulher que fez com que ele olhasse para um futuro feliz e eu digo o mesmo para ele. Temos que continuar pensando sempre que nossa união é eterna, com essa parceria, para que nosso casamento seja para sempre”, conta. Pastor Gilson Bifano ainda acrescenta. “Você tem que agradar ao Senhor, mas não pode esquecer que seu marido ou sua esposa precisa se sentir amado (a). Deus quer os dois na sua presença, em oração para o sustento familiar e cuidando um do outro, cedendo quando for necessário, com carinho, compreensão, diálogo”, completa.

Fique atento ao que a Palavra de Deus diz sobre o casamento:
“E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Mateus 19: 5-6

“Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar”. Mateus 19:8-10

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido”. Romanos 7:2-3

“E dizeis: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança. E não fez ele somente um, ainda que lhe sobrava o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma descendência para Deus. Portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o Senhor, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio, e aquele que encobre a violência com a sua roupa, diz o Senhor dos Exércitos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e não sejais desleais”. Malaquias 2:14-16

“Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido.Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher. Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente  em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”. 1 Coríntios 7:10-15

“Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher. Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos”. 1 Coríntios 7:27-28

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. 1 Coríntios 7:39

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.