Angola – Duas mil igrejas cristãs já foram fechadas

Foto: Facebook

Igrejas foram fechadas após aprovação de lei que ameaça liberdade religiosa. Pastores do Brasil pedem orações pelo país. Cristãos prometem uma marcha pacífica, em Luanda, capital, dia 1º de dezembro.

Cerca de duas mil igrejas na Angola, Costa Ocidental da África foram fechadas. E mais de mil poderão ser fechadas ainda esse mês, segundo a missão Portas Abertas. A situação acontece após o governo do país aprovar uma leia que regulariza a atividade religiosa. As igrejas evangélicas estão sob ameaça.

De acordo com o decreto, as igrejas tem o prazo de 30 dias para que às instituições consideradas “clandestinas” possam se adequar. Por determinação do gabinete do presidente João Lourenço, haverá maior controle sobre os locais de culto. A situação está assim desde agosto.

As igrejas são fechadas pelo governo. Nas fachadas delas estão escritas a data do fechamento e a palavra “encerrada”. Na foto (capa), algumas pessoas, membros da igreja, chegam a joelhar no chão fazendo orações.

Um dos templos fechados. Foto: Facebook

Pastores dizem que é uma severa limitação de sua liberdade religiosa, uma certa censura ao cristianismo. Muitos relatam medo e tristeza.

O Pastor Adilson Neves, da igreja Shekinah, de Brusque (SC) conversou com um dos missionários que estão no país. Ele não quis se identificar.

“Ele está com tanto medo das represálias que prefere não se pronunciar. Os pastores estão monitorando a situação pelo WatzAap do governo. Ele disse que o exército chega, pede os documentos da igreja, que não tem identificação e por isso manda fechar com base na lei”, contou.

Com a criação da medida, segundo o diretor para assuntos religiosos da Missão Portas Abertas, Francisco de Castro Maria, o Governo fez com que automaticamente milhares de igrejas se tornassem clandestinas. “O número de igrejas ilegais no país chegou a 4 mil. Todas as igrejas ilegais têm até o próximo mês para mudar seus status”, disse ele.

Como forma de protestar, cristãos vão realizar uma marcha pacífica em Luanda, capital do país, no dia 1º de dezembro. “Pela liberdade de culto e em solidariedade com as igrejas encerradas, todos unidos por um só propósito”, diz o cartaz do evento.

Perseguição

O fechamento de igrejas não foi de agora. Mesmo antes do decreto do governo, em março, a política deteve seis pastores em Kigali, capital de Ruanda. Na ocasião, os líderes foram acusados de conspirar contra o governo ao desafiar as ordens de fechamento das instituições.

Segundo o bispo luterano Evariste Bugabo, a ordem de fechamento não visa qualquer denominação. “É uma questão de higiene e segurança para os membros da igreja. Enquanto as igrejas se multiplicaram muito rapidamente em Ruanda, aquelas que cumpriam os requisitos estão seguras”, declarou.

Pelas redes sociais e grupos de WatzAap, líderes religiosos do Brasil publicaram fotos das igrejas fechadas em Angola e pediram orações. “Peço a todos que orem fervorosamente por Angola. Estão fechando as igrejas de forma assustadora. O governo é um país contra Deus, 100% comunista. O mundo precisa saber dessa situação. A oração de um justo pode muito em seus efeitos”, declarou o pastor Robson Couto.

O pastor Adilson já morou no país por um ano. Em depoimento à Comunhão, ele relatou que a situação do evangelismo na Angola é bem complicada. “A realidade do país é duríssima. O exército chega armado para abordar as pessoas. Todos tem medo, principalmente para estrangeiros. Eles ainda tem uma certa tolerância pelo Brasil por que gostam daqui. Mas o sofrimento é grande”, contou.

*Da Redação de Comunhão, Com informações de Angola24horas, Portas Abertas


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