Igrejas comemoram os 499 anos da Reforma Protestante

O Evangelho é a única forma capaz de mudar e salvar vidas, além de ser uma possibilidade de transformação da sociedade. Os cristãos primitivos lutaram contra atitudes de rejeição e escravidão, sobretudo em relação às mulheres e crianças.

Além disso, eles buscavam uma sociedade mais justa. Uma demonstração dessa indignação está em Atos 17:1-6: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui”.

A Reforma Protestante do Século XVI, instituída no dia 31 de outubro, manteve essa tradição cristã de uma forte presença na área social. A eliminação da distinção entre clero e leigos, a valorização da vida diária e das atividades humanas em geral, uma nova ética do trabalho e a grande ênfase na educação para todos contribuíram decisivamente para a melhoria das condições de vida das pessoas ligadas ao movimento.

Para o pastor da Igreja Evangélica Luterana da Renovação Alexandre Nicoli Cypreste, a Reforma não deve ser comparada somente como uma comemoração de libertação de um jugo pesado de indulgências ou a libertação de um regime religioso opressor.

“Ela é muito mais do que isso. Trata-se de um mover de Deus em favor do seu povo, nos trazendo à memória que a salvação é uma graça dada por Deus, para todos aqueles que aceitam ao seu filho Jesus Cristo. As teses pregadas na porta do Castelo de Wittenberg por Martinho Lutero nos remetem há uma profunda reflexão que se resumem nas cinco solas (os pilares da fé). Somente a fé (sola fide), somente a escritura (sola scriptura), somente Cristo (solus Christus), somente a Graça (solo gratia) e somente a Glória a Deus (soli Deo Gloria). Estas frases resumem bem o que motivou homens como Lutero, Calvino, John Wycliffe e Erasmo de Roterdã. Que seus pensamentos continuem a motivar a nossa geração bem como as próximas que virão.”

Segundo o professor de antigo testamento da Cetebes e pastor da Igreja Batista de Guaranhuns, em Vila Velha, Mãnu Mezabarba, é inegável a importância da Reforma Protestante para a história da humanidade, principalmente para o Ocidente, no que diz respeito à organização, cosmovisão e dinâmica de vida na sociedade.

“Podemos listar pelo menos três áreas em que o movimento contribuiu imensamente. A Bíblia voltou para as mãos da membresia das igrejas, deixando de ser privilégio do clero; o estudo e desenvolvimento de pesquisas em todas as faculdades ganhou destaque, com a criação de universidades e hospitais; e foram estabelecidos os pilares da fé.

Durante as últimas semanas, várias igrejas realizaram cultos em que o tema foi a Reforma. Batistas, assembleianos, presbiterianos, luteranos (fotos acima) trataram sobre o assunto.

Proclamação do Evangelho
A presidente Dilma Rousseff sancionou no dia 12 de janeiro a Lei 13.246 que institui o dia 31 de outubro como o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho.
Essa data já é reconhecida em alguns municípios e estados da federação como tal por ser o dia que marca a Reforma Protestante realizada por Martinho Lutero, na Alemanha.
A lei foi instituída através do projeto encaminhado por Neucimar Fraga, quando era deputado em 2009. No Senado, o projeto foi aprovado em 2014 e só em 2016 sancionado pela presidência da república. Pela lei, o dia fica instituído para que haja comemoração sem qualquer discriminação de credo entre as igrejas cristãs.